Projeto prevê funcionamento noturno de 19 de novembro a 3 de janeiro, cenários iluminados, Casa do Papai Noel, palco para apresentações e estrutura para receber centenas de milhares de visitantes
O Natal no Mutirama chegou. O espaço no Setor Central de Goiânia está previsto para receber 40 dias de programação gratuita de Natal, entre 19 de novembro de 2026 e 3 de janeiro de 2027, com túneis de luz, personagens circulando entre o público, palco para apresentações e um polo gastronômico. O projeto, chamado “Natal no Parque – A Magia de Brincar”, prevê abertura de terça-feira a domingo, das 18h às 23h.
A programação ainda depende da conclusão do chamamento público aberto pela Prefeitura de Goiânia para escolher a organização da sociedade civil responsável pela execução. O valor máximo previsto para a parceria é de R$ 5 milhões, mas esse recurso não poderá ser usado para pagar cachês de grandes shows. Atrações de maior porte, caso sejam contratadas, terão financiamento separado.
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A proposta prevê que diferentes áreas do parque sejam ocupadas por cenários natalinos. Entre as estruturas listadas estão túneis luminosos, pórticos decorativos e uma grande árvore de Natal, além de espaços pensados para receber famílias ao longo da noite. A Casa do Papai Noel também aparece entre as possibilidades do projeto.
A versão definitiva dependerá da proposta apresentada pela entidade selecionada no chamamento. O mesmo vale para a instalação de neve artificial, prevista entre os recursos que podem ser incorporados à ambientação. Outro ponto previsto é a circulação de personagens pelo parque.
A execução deverá envolver atores, figurantes, monitores e profissionais responsáveis por atividades itinerantes e interação especialmente com o público infantil. A intenção é ocupar diferentes áreas do Mutirama e transformar o passeio pelo parque em parte da experiência natalina.
Além dos cenários, o Natal no Mutirama deverá contar com um palco cenográfico equipado com estrutura de som e iluminação. É nesse espaço que devem acontecer as apresentações previstas para os 40 dias de evento. Os nomes dos artistas e a programação diária ainda não foram anunciados.
Os até R$ 5 milhões destinados ao chamamento cobrem a operação e a estrutura, mas não poderão financiar cachês de grandes atrações. A Prefeitura deverá utilizar outra modalidade de patrocínio caso decida incluir shows desse porte.
Também haverá um polo gastronômico. Até agora, não foram divulgados os estabelecimentos participantes, cardápios ou regras de comercialização. A gratuidade anunciada refere-se ao acesso ao projeto natalino; os documentos disponíveis não indicam que alimentos e bebidas serão distribuídos gratuitamente.

O intervalo entre 19 de novembro e 3 de janeiro soma 46 dias corridos. O planejamento prevê, porém, que as segundas-feiras sejam reservadas para manutenção, deixando 40 dias efetivos de programação ao público. A abertura prevista é sempre no período noturno, das 18h às 23h, de terça a domingo. O formato muda a dinâmica tradicional do Mutirama, conhecido principalmente pelas atividades diurnas.
Também não foi divulgado até agora quais brinquedos funcionarão à noite, se todos estarão disponíveis durante a programação natalina ou se haverá alguma regra específica para utilização das atrações tradicionais.
O tamanho da estrutura também aparece no planejamento para receber um grande fluxo de visitantes. A versão mais recente do chamamento trabalha com uma projeção de 300 mil a 500 mil pessoas durante todo o período. Documentos preparatórios apresentavam uma faixa diferente, entre 180 mil e 450 mil visitantes, mostrando que as estimativas foram alteradas ao longo da elaboração do evento.
Diante do volume previsto, a organização escolhida terá de apresentar planejamento de segurança, controle de acesso, monitoramento de público e atendimento a emergências. A operação também inclui licenças, infraestrutura temporária e gestão dos resíduos gerados durante os 40 dias.

A estrutura planejada prevê rotas acessíveis e sinalização destinada a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A medida deverá alcançar as áreas ocupadas pelas atrações e estruturas temporárias do projeto.
O planejamento também determina ações ambientais durante a programação, entre elas coleta seletiva e destinação adequada dos resíduos. Caberá à organização selecionada implantar e manter essas medidas durante o evento.
A administração municipal prepara outra contratação para ampliar as atrações permanentes do parque. O projeto, estimado em R$ 1,02 milhão, prevê novos brinquedos e uma área sensorial voltada a crianças com transtorno do espectro autista. A relação estudada inclui carrosséis, gangorras, pirâmides de cordas, simulador infantil de caminhada e piscina de bolinhas.
O chamamento estabelece ainda que pelo menos 5% das vagas de mão de obra não especializada sejam reservadas para pessoas em situação de rua. A regra alcança funções como apoio, limpeza e montagem da estrutura.
A exigência tem relação com uma política municipal já existente em Goiânia. A legislação local estabelece a reserva de 5% dos postos em atividades não especializadas vinculadas a determinadas obras e serviços contratados pelo Município. A norma foi regulamentada em 2024.

A escolha do parque também acrescenta um componente histórico ao projeto. O Mutirama foi criado em 1969 como espaço público de educação, recreação e diversão. A lei daquele ano já determinava que o parque funcionasse em ligação com o turismo municipal
Localizado entre as avenidas Araguaia, Independência e Contorno, o espaço surgiu a partir de uma área do Bosque Botafogo e ocupa aproximadamente nove hectares no Setor Central. Atualmente possui mais de 18 atrações, incluindo roda-gigante, montanha-russa, trenzinho e autorama.
O projeto arquitetônico foi de Eurico Godoi. A chegada dos brinquedos importados à capital ocorreu antes mesmo da abertura e se tornou parte das lembranças associadas ao local. Desde 2021, o nome oficial é Parque Iris Rezende Machado – Mutirama.
Três anos depois, em novembro de 2024, o parque foi reconhecido por lei como patrimônio cultural material de Goiânia, em razão de seu valor histórico, cultural e social e de sua presença na memória coletiva da cidade.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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