Orkut pode voltar? Criador lança campanha para reviver rede social

Iniciativa pretende reunir milhões de interessados em uma nova plataforma inspirada nas antigas comunidades, mas ainda não há previsão de lançamento

Orkut pode voltar Criador lança campanha para reviver rede social

O Orkut pode voltar ao cenário das redes sociais, mas em uma versão diferente daquela que conquistou milhões de usuários nos anos 2000. Na quinta-feira (8 de outubro), o fundador da plataforma, Orkut Büyükkökten, lançou uma campanha para medir o interesse do público na criação de uma nova rede social, com foco em comunidades, amizades e conexões entre pessoas com interesses semelhantes.

A mobilização acontece por meio do site oficial do Orkut, que passou a receber cadastros de apoiadores. Apesar da novidade, o retorno da plataforma ainda é incerto. A empresa não anunciou uma data de lançamento, não apresentou imagens do projeto e também não garantiu que a nova rede será disponibilizada.

Criado em 2004 e encerrado em 2014, o Orkut marcou uma geração com comunidades temáticas, depoimentos, recados conhecidos como scraps e perfis que reuniam amigos e conhecidos. Agora, seu idealizador pretende recuperar parte dessa experiência, adaptando a proposta às transformações da internet.

Orkut vai voltar? Entenda o que já foi anunciado

A possibilidade de retorno ganhou força após a publicação de uma carta de Büyükkökten no endereço oficial da antiga rede social. No documento, o desenvolvedor apresenta sua visão para uma plataforma voltada à interação entre pessoas, em contraposição ao funcionamento das redes sociais atuais.

A primeira etapa do projeto consiste em reunir milhões de manifestações de interesse. Entretanto, a Orkut Inc. não informou quantos participantes seriam necessários para viabilizar a iniciativa.

O cadastro também não representa uma inscrição antecipada na futura rede social. Conforme os termos de uso atualizados em 6 de outubro, os interessados não terão garantia de criação de perfil, escolha antecipada de nome de usuário ou acesso prioritário ao serviço.

Mesmo que a campanha alcance milhões de apoiadores, a empresa não assume a obrigação de desenvolver ou lançar a plataforma.

Como se cadastrar na campanha

A participação é gratuita e está disponível para pessoas com pelo menos 18 anos. O formulário pode ser preenchido diretamente no site oficial, sem necessidade de criar uma conta na rede social.

Para apoiar a iniciativa, o interessado deve seguir estas etapas:

  1. Acessar o site oficial www.orkut.com (neste link).
  2. Informar um endereço de e-mail e o país de residência.
  3. Preencher, se desejar, os campos de nome e telefone, que são opcionais.
  4. Finalizar o cadastro e receber um código para criar um cartão digital de apoiador.
  5. Compartilhar o cartão nas redes sociais para divulgar a campanha, caso tenha interesse.

Os cartões funcionam como uma ferramenta de divulgação. Segundo a política de privacidade da Orkut Inc., os códigos permitem identificar quantas pessoas acessam a página a partir dos compartilhamentos feitos pelos participantes.

Até o momento, o site não permite entrar em perfis antigos nem oferece ferramentas para recuperar fotografias, mensagens, depoimentos ou comunidades da versão original.

Novo Orkut pretende recuperar comunidades e usar inteligência artificial

Uma das principais propostas de Büyükkökten é trazer de volta a experiência das comunidades, que permitiam aos usuários encontrar grupos organizados por afinidades, assuntos e interesses pessoais.

Na antiga plataforma, esses espaços reuniam pessoas que compartilhavam hobbies, preferências culturais, experiências e opiniões. A interação acontecia diretamente entre os integrantes, sem depender exclusivamente de recomendações automatizadas.

Para o fundador, esse modelo favorecia a criação de vínculos e a sensação de pertencimento, características que ele pretende recuperar no novo projeto.

A inteligência artificial também poderá fazer parte da plataforma. A proposta é utilizar a tecnologia para identificar afinidades e facilitar a aproximação entre usuários com interesses semelhantes.

No entanto, Büyükkökten ainda não detalhou como esses recursos funcionariam. Também não foram divulgadas informações sobre o visual da rede social, ferramentas de comunicação ou funcionalidades que poderão integrar o serviço.

Criador critica algoritmos, bots e deepfakes

A campanha é acompanhada de um manifesto intitulado “Uma internet mais gentil é possível”, no qual Büyükkökten questiona as mudanças ocorridas nas plataformas digitais nas últimas duas décadas.

Entre os principais pontos levantados estão os algoritmos desenvolvidos para manter usuários conectados por períodos prolongados e os modelos de negócios baseados na exibição de publicidade.

Na avaliação do criador do Orkut, a disputa pela atenção das pessoas contribuiu para transformar a experiência nas redes sociais, favorecendo mecanismos de engajamento associados ao isolamento e à ansiedade.

O desenvolvedor também demonstra preocupação com o avanço de conteúdos produzidos artificialmente, especialmente perfis automatizados, conhecidos como bots, e deepfakes, que utilizam inteligência artificial para manipular imagens, vídeos ou áudios.

Outro alvo das críticas é a cultura de desenvolvimento tecnológico associada ao lema “aja rápido e quebre coisas”. Para Büyükkökten, essa abordagem trouxe consequências negativas para a autenticidade das relações digitais.

A proposta apresentada pelo fundador é construir um ambiente que priorize interações entre pessoas reais, utilizando recursos tecnológicos para facilitar amizades em vez de estimular apenas o consumo contínuo de conteúdo.

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Orkut já havia anunciado planos de retorno em 2022

A campanha lançada em outubro de 2026 não representa a primeira tentativa de recuperar a marca. Em abril de 2022, o endereço orkut.com voltou a apresentar uma mensagem de Büyükkökten após anos de inatividade. Na ocasião, o fundador informou que trabalhava em um novo projeto de rede social, com a intenção de combater a disseminação de ódio e desinformação na internet.

A página também passou a permitir o cadastro de e-mails de pessoas interessadas em acompanhar as novidades. Quatro anos depois, a iniciativa ganhou uma nova etapa, desta vez com uma campanha de mobilização e cartões digitais que podem ser compartilhados pelos apoiadores.

A proposta continua associada à recuperação das comunidades, um dos recursos mais lembrados pelos antigos usuários.

Perfis, fotos e comunidades do antigo Orkut poderão ser recuperados?

Apesar da movimentação em torno da marca, não há informações sobre a possibilidade de recuperar conteúdos publicados antes do encerramento da rede social, em 2014.

O site atual não disponibiliza acesso aos perfis antigos, tampouco apresenta mecanismos para restaurar álbuns de fotografias, conversas, depoimentos ou comunidades. Também não foi confirmado se a futura plataforma manterá o nome Orkut ou se reproduzirá os recursos que fizeram sucesso na versão original.

Por enquanto, a única funcionalidade disponível ao público é a manifestação de interesse na criação de uma nova rede social. Os próximos passos dependerão das decisões da Orkut Inc., que ainda não divulgou um cronograma para o projeto.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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