Especialistas revelam como sair da rotina pode reduzir o estresse, melhorar o humor e estimular o cérebro
O avanço dos transtornos mentais em todo o mundo tem levado especialistas a defender mudanças simples no cotidiano para proteger o equilíbrio emocional. Entre essas estratégias, reservar tempo para descanso e lazer, como viagens, aparece como um recurso capaz de trazer benefícios relevantes para o bem-estar psicológico.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que ansiedade e depressão estão entre as condições que mais limitam a qualidade de vida da população global. No Brasil, o cenário também preocupa. Cerca de 9,3% dos brasileiros convivem com transtornos de ansiedade, colocando o país entre aqueles com maiores índices da condição.
Dentro desse contexto, pausas reais na rotina ganham importância. Estudos conduzidos por pesquisadores como De Bloom, Geurts e Kompier, publicados no Journal of Happiness Studies, mostram que atividades realizadas durante períodos de férias têm impacto positivo direto no humor e na percepção de bem-estar das pessoas.
Para o psiquiatra da Afya Goiânia, Dr. Luís Claudio Bochenek, a mudança temporária de ambiente pode atuar como uma estratégia complementar dentro das práticas de autocuidado. Segundo ele, afastar-se da rotina diária ajuda o organismo a reduzir a sobrecarga mental associada às exigências constantes do trabalho e das responsabilidades cotidianas.
“Quando a pessoa se afasta do contexto habitual de pressão, o cérebro tende a diminuir o estado de alerta constante. Isso favorece a redução dos níveis de cortisol, melhora a qualidade do sono e pode ampliar a sensação de vitalidade e motivação ao retornar às atividades. Além disso, experiências positivas vividas durante a viagem podem servir como ‘âncoras emocionais’, que o indivíduo acessa mentalmente em momentos futuros de estresse”, explica o psiquiatra.
A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, destaca que o cuidado com a saúde mental depende da construção de hábitos consistentes ao longo do tempo. Entre eles estão o sono adequado, a prática regular de atividades físicas, o fortalecimento de vínculos sociais e momentos reservados ao lazer.
“Um estilo de vida equilibrado favorece a regulação emocional e reduz a vulnerabilidade ao estresse crônico. Nesse contexto, viajar pode atuar como um recurso complementar de promoção de bem-estar, pois rompe a rotina automática, amplia estímulos cognitivos e sensoriais e favorece emoções positivas”, afirma a Dra. Mariana.
1. Redução do estresse
O cérebro humano funciona a partir de reações químicas que influenciam emoções, energia e comportamento. Quando uma pessoa permanece por muito tempo sob pressão e excesso de tarefas, esse equilíbrio tende a se desgastar. Fazer pausas reais na rotina ajuda o organismo a recuperar estabilidade. Férias e viagens interrompem o ritmo automático do dia a dia, tiram o cérebro do estado permanente de alerta e contribuem para reduzir os níveis de estresse.
2. Estímulo cognitivo e neuroplasticidade
Ambientes novos estimulam a capacidade do cérebro de criar conexões neurais, processo conhecido como neuroplasticidade. Durante uma viagem, a mente precisa lidar com estímulos diferentes, prestar atenção em detalhes e adaptar-se a novas situações. Isso ativa áreas cerebrais pouco utilizadas na rotina diária. Como resultado, há ganhos na memória, na atenção e na flexibilidade mental.
3. Melhora do humor e prevenção de sintomas ansiosos
Momentos de lazer estimulam emoções positivas e ativam substâncias cerebrais ligadas ao prazer e ao bem-estar. Até o simples ato de planejar uma viagem pode gerar sensação de felicidade, pois cria algo positivo para aguardar. Durante o passeio, conhecer lugares e culturas diferentes amplia percepções e produz lembranças agradáveis, que ajudam a manter maior equilíbrio emocional.
4. Fortalecimento das relações sociais
Vínculos sociais são considerados pilares importantes da saúde emocional. Viagens costumam proporcionar experiências compartilhadas intensas e marcantes entre amigos, familiares ou parceiros. Esses momentos ampliam a sensação de proximidade e pertencimento, elementos fundamentais para a construção de redes de apoio e bem-estar psicológico.
5. Aumento da autoestima e da autoconfiança
Explorar ambientes desconhecidos e lidar com situações novas exige adaptação e iniciativa. Resolver imprevistos, orientar-se em lugares diferentes e interagir com outras culturas fortalece a autonomia. Sob a perspectiva neuropsicológica, desafios desse tipo estimulam novas conexões neurais e ampliam a capacidade de enfrentamento diante de situações complexas da vida cotidiana.
Apesar das vantagens, especialistas alertam que viagens não substituem tratamento em casos de transtornos mentais diagnosticados. O acompanhamento profissional continua sendo fundamental em quadros mais graves.
“Em casos de depressão moderada ou grave, ansiedade intensa ou síndrome do pânico, a prioridade deve ser acompanhamento profissional. A viagem pode ajudar, mas não substitui tratamento”, reforça Dr. Luís.
A psicóloga Mariana Ramos também ressalta que cuidar da saúde mental exige constância. “Cuidar da saúde mental envolve hábitos consistentes. A viagem pode ser um recurso valioso dentro de um estilo de vida equilibrado.”
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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