Ações da Azul despencam mais de 70% e mercado reage a plano bilionário de recuperação

Papéis da companhia caem com força após conversão de dívidas em ações e estratégia muda perfil dos investidores

Ações da Azul despencam até 90% em dias e mercado reage a plano bilionário de recuperação

As ações da Azul (Azul54) viveram uma sessão histórica nesta quinta feira (8), ao registrar queda superior a 70% na bolsa brasileira. Em apenas cinco dias, a desvalorização acumulada chegou a 90%, chamando a atenção de investidores e analistas. O tombo expressivo gerou dúvidas imediatas sobre a saúde da companhia, mas a origem do movimento é essencialmente financeira. O recuo está ligado a decisões estratégicas dentro do processo de recuperação judicial adotado pela empresa aérea.

Diferente de episódios clássicos de colapso no mercado, não há indícios de crise operacional ou problemas de gestão. A Azul iniciou a conversão de parte relevante de suas dívidas em ações, alterando a estrutura do capital. Com isso, credores deixaram de receber juros e passaram a integrar o quadro societário da companhia. Essa mudança provoca impacto direto no valor unitário dos papéis negociados diariamente.

Para executar o plano, a empresa colocou no mercado uma oferta robusta de R$ 7,4 bilhões em ações.
O pacote inclui ações ordinárias, que dão direito a voto, e preferenciais, sem participação nas decisões.
A ampliação do número de papéis disponíveis diluiu o preço de cada ação, pressionando as cotações. Analistas destacam que o efeito visual da queda não reflete, isoladamente, a realidade financeira do negócio.

Na prática, a estratégia reduz o endividamento e cria espaço para reorganização das finanças da companhia. A expectativa interna é ganhar fôlego para atravessar um período desafiador do setor aéreo. A empresa afirma que a medida faz parte de um planejamento estruturado de médio prazo. O foco agora está na estabilidade do caixa e na retomada gradual da confiança do mercado.

Além da Azul Linhas Aéreas, outras companhias aéreas brasileiras também recorreram à recuperação judicial

“Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, disse a empresa. O pedido formal de proteção judicial marcou um novo capítulo na trajetória da Azul (Azul54). Desde então, decisões duras passaram a fazer parte da rotina administrativa. O objetivo central sempre foi garantir continuidade das operações e preservar empregos.

A Azul não está sozinha nesse caminho dentro do setor aéreo brasileiro. Gol e Latam também recorreram à recuperação judicial em momentos distintos da última década. A Gol entrou com o pedido em 2024, diante de dívidas estimadas em R$ 20 bilhões. Já a Latam buscou o mecanismo em 2020, no auge da crise global do transporte aéreo.

Especialistas apontam que o cenário é resultado de múltiplos fatores acumulados ao longo dos anos. A desvalorização do real frente ao dólar elevou custos atrelados a contratos internacionais. Combustível mais caro e despesas operacionais pressionaram margens já estreitas. Além disso, prejuízos sucessivos desde o início da pandemia de Covid 19 agravaram o quadro.

A Latam concluiu seu processo de Chapter 11 em 2022, após ampla reestruturação. A Gol deixou oficialmente o procedimento em junho de 2025, retomando planos de expansão. No caso da Azul, a expectativa divulgada é finalizar o processo ainda neste ano. O mercado acompanha cada passo, atento aos próximos movimentos da companhia.

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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

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