Anvisa libera Leqembi, medicamento contra Alzheimer que abre caminho para tratamento inédito no Brasil

Aprovação do Leqembi traz esperança para pacientes em estágio inicial da doença

Anvisa libera novo medicamento contra Alzheimer e abre caminho para tratamento inédito no Brasil

No fim de dezembro de 2025, a Anvisa autorizou o uso do Leqembi no Brasil, um medicamento voltado ao tratamento do Alzheimer em fases iniciais. A decisão permite a comercialização da terapia e amplia as opções disponíveis para pacientes recém diagnosticados.

Desenvolvido pela farmacêutica Eisai, o remédio tem como base o anticorpo lecanemabe, criado para reduzir placas beta amiloides no cérebro. Esses depósitos são associados ao avanço da doença e ao comprometimento das funções cognitivas.

A aprovação se baseou em dados clínicos que indicam benefício após 18 meses de uso contínuo. Segundo avaliação apresentada à Anvisa, pacientes tratados tiveram progressão mais lenta da demência em comparação ao placebo.

O resultado foi medido pela escala CDR SB, ferramenta usada para avaliar memória, orientação e capacidade funcional. A diferença observada reforçou o potencial do medicamento no controle dos sintomas iniciais.

Como o Leqembi age no cérebro contra o Alzheimer

O lecanemabe atua como um anticorpo monoclonal que se liga às placas beta amiloides acumuladas no cérebro. Ao atingir essas estruturas, o fármaco contribui para reduzir um dos principais marcadores do Alzheimer.

Estudos clínicos envolveram cerca de 1.800 voluntários diagnosticados com a doença em estágio inicial. Os participantes que receberam o medicamento apresentaram menor declínio cognitivo ao longo do acompanhamento.

Os dados indicam um ritmo mais lento de perda de memória e funções executivas. Especialistas apontam que o benefício é maior quando o tratamento começa logo após o diagnóstico. Apesar dos resultados, o medicamento não reverte danos já existentes. O objetivo é retardar a progressão da doença e preservar a autonomia do paciente pelo maior tempo possível.

Efeitos colaterais exigem acompanhamento

O Leqembi não é indicado para todos os pacientes com Alzheimer. Pessoas com alterações específicas no cérebro, identificadas por ressonância magnética, devem ser avaliadas com cautela antes do início do uso. Entre as contraindicações estão hemorragias intracerebrais e edemas. Esses achados aumentam o risco de complicações durante o tratamento com o anticorpo.

Durante os testes, foram relatadas reações associadas à infusão do medicamento. Também surgiram casos de pequenos sangramentos cerebrais e episódios de dor de cabeça. Por isso, médicos reforçam a necessidade de acompanhamento rigoroso. O monitoramento contínuo ajuda a identificar sinais precoces de efeitos adversos e ajustar a conduta clínica.

Teste genético define quem pode usar Leqembi

Antes de iniciar o tratamento com o Leqembi, é indicado realizar o teste para o gene ApoE4. Essa variante genética está ligada ao risco aumentado de desenvolver Alzheimer e influencia a resposta ao medicamento.

Os estudos mostraram melhora clínica em pacientes com uma ou nenhuma cópia do gene. Esse grupo apresentou melhor tolerância ao lecanemabe e menor incidência de complicações. Já indivíduos com duas cópias do ApoE4 tiveram risco elevado de efeitos colaterais. Entre eles, inchaços e sangramentos no cérebro foram mais frequentes.

Diante desse cenário, o uso do Leqembi permanece restrito a pacientes com uma ou nenhuma cópia do gene. A recomendação pode mudar conforme novas pesquisas avancem.

Quanto custa o Leqembi

O valor do Leqembi (lecanemabe) é alto, custando cerca de US$ 26.500 por ano nos EUA, mas a cobertura varia com o seguro. No Brasil, o custo ainda não está definido.

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Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

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