Missão da NASA ultrapassa marca da Apollo 13 e expõe astronautas à radiação extrema
A missão Artemis 2 iniciou o retorno à Terra após um sobrevoo histórico da Lua, marcado por recordes de distância, observações inéditas e atenção constante aos riscos da radiação no espaço profundo.
Durante a viagem, os quatro astronautas ultrapassaram a marca de 406.771 quilômetros da Terra, superando o recorde estabelecido pela Apollo 13 em 1970. Ao mesmo tempo, enfrentaram um ambiente hostil fora da proteção do campo magnético terrestre, onde a exposição à radiação é uma das maiores preocupações da missão.
Por volta das 15h de 6 de abril, no horário de Brasília, a tripulação atingiu o ponto mais distante já alcançado por humanos. O feito ocorreu enquanto a espaçonave Orion passava por trás da Lua, interrompendo a comunicação com a Terra por cerca de 40 minutos.
“Houston, Integrity, teste de comunicação”, disse a astronauta Christina Koch ao restabelecer contato, destacando o alívio da tripulação após o período de isolamento.
A interrupção, prevista pela equipe, acontece porque a Lua bloqueia os sinais de rádio entre a nave e a Rede de Espaço Profundo. Situação semelhante foi vivida por astronautas do programa Apollo, como Michael Collins em 1969.

Logo após retomar contato, os astronautas da Artemis 2 acompanharam um eclipse solar total visto do espaço. O fenômeno durou cerca de uma hora e foi descrito como uma experiência única.
“Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo a Apollo, e isso foi incrível para nós”, afirmou o comandante Reid Wiseman.
Victor Glover relatou a dificuldade em traduzir o que observava. “Sei que esta observação não terá nenhum valor científico, mas estou muito feliz por termos lançado em 1º de abril, porque os humanos provavelmente não evoluíram para ver o que estamos vendo”
Ele descreveu o cenário como “surreal”, com a coroa solar formando um halo ao redor da Lua e o brilho intenso da Terra criando um contraste visual impressionante.

Enquanto os registros impressionam, a missão Artemis II também exige atenção constante a ameaças invisíveis. Fora da magnetosfera da Terra, os astronautas ficam expostos a três principais fontes de radiação.
Os raios cósmicos galácticos estão presentes em todo o espaço. Os Cinturões de Van Allen, por sua vez, precisam ser atravessados durante o trajeto. Já as partículas energéticas solares representam o risco mais imprevisível, pois podem ser liberadas em erupções intensas do Sol.
“Nosso foco é a análise de meteorologia espacial em tempo real, com prioridade para partículas energéticas solares e eventos capazes de produzi-las”, disse Mary Aronne.
A exposição combinada das duas primeiras fontes equivale a cerca de um mês na Estação Espacial Internacional. Tempestades solares podem aumentar significativamente esse nível.
Horas antes do lançamento, em 1º de abril, o Sol liberou uma ejeção de massa coronal, fenômeno capaz de lançar partículas que atravessam metal e tecido humano, com potencial de danificar o DNA.

Para reduzir riscos, a NASA monitora o Sol continuamente com satélites distribuídos pelo sistema solar. Um dos diferenciais da missão é o uso do rover Perseverance, em Marte, que observa regiões do Sol invisíveis da Terra.
Dentro da Orion, sensores medem a radiação em diferentes pontos da cabine, enquanto cada astronauta carrega um dosímetro individual.
Caso os níveis aumentem, a tripulação pode montar um abrigo improvisado reorganizando equipamentos para criar camadas adicionais de proteção. “Uma vez que a tripulação adiciona massa nos pontos de maior exposição, ela pode continuar realizando suas atividades normalmente”, explicou Stuart George.
O procedimento será testado durante a missão, mesmo que não haja tempestades solares.
Além dos desafios técnicos, a missão também revelou momentos de forte carga emocional. Durante o voo, os astronautas discutiram sugestões de nomes para crateras lunares, incluindo uma homenagem pessoal à esposa de Reid Wiseman, falecida em 2020.
A tripulação também destacou a sensação de contemplar o espaço profundo. “É simplesmente indescritível”, disse Wiseman. “Não importa quanto tempo olhemos para isso, nossos cérebros não conseguem processar esta imagem à nossa frente.”
Em outro momento da da Artemis II, ao observar um objeto alaranjado, os astronautas foram informados pela equipe em solo de que provavelmente se tratava de Marte, reforçando o olhar para futuras missões humanas ao planeta.
Nos dias finais da missão, a tripulação realiza testes de pilotagem manual, revisa procedimentos de reentrada e executa correções de trajetória.
O retorno está previsto para 10 de abril, com amerissagem no Oceano Pacífico. Até lá, os astronautas devem concluir uma jornada superior a 1.118.494 quilômetros, consolidando a Artemis 2 como um dos marcos mais importantes da exploração espacial recente.

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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