As marcas invisíveis podem durar anos — mas a cirurgia plástica pode ser uma aliada para ajudar a recuperar autoestima e confiança
O bullying na infância deixa feridas que vão além do físico. Apelidos maldosos, muitas vezes relacionados ao corpo, moldam a forma como a criança/adolescente cresce e se enxerga no mundo. Durante muito tempo, a orelha de abano foi um dos principais alvos de comentários cruéis em escolas, ruas e bairros, mas não só ela. Falar sobre o corpo de alguém traz diversas implicações.
Se antes o bullying estava restrito ao ambiente físico, hoje ele ganhou dimensões muito maiores com a internet. Figurinhas, memes e comentários que parecem “brincadeira” perpetuam a dor e reforçam características corporais de forma cruel. Aquela figurinha “engraçada” enviada em um grupo “de amigos” de repente está circulando por toda a web.
Uma pesquisa recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que uma em cada seis crianças de 11 a 15 anos afirmou ter sofrido bullying online em 2022. Essa realidade mostra o quanto a violência psicológica ultrapassou barreiras e se tornou praticamente impossível de ser controlada no ambiente digital.
Essas cicatrizes emocionais se manifestam em comportamentos de retração, vergonha e até na escolha de não viver certas experiências, simplesmente pelo medo do julgamento. E o problema é que essas marcas, invisíveis aos olhos, podem acompanhar a pessoa até a vida adulta.
Trouxe esse tema por causa do depoimento da minha paciente Bárbara ( veja no Instagram), que ilustra esse processo. Ainda criança, ela ouviu comentários sobre sua orelha de abano. A partir daquele momento, algo que nunca tinha sido um problema se transformou em motivo de vergonha. Ela passou a se esconder atrás dos cabelos, tentando escapar dos olhares e das risadas.
O bullying não parou na infância: atravessou a adolescência e chegou até a faculdade, afetando sua autoestima e a forma como se posicionava diante da vida.
Foi através da otoplastia — cirurgia plástica que corrige a posição das orelhas — que Bárbara conseguiu virar essa página. O procedimento trouxe mais do que uma mudança estética: devolveu autoestima, liberdade e a confiança de ouvir elogios como “sua orelha parece até desenhada de tão bonita”.
A Otoplastia pode ser realizada ainda na infância, geralmente a partir dos 5 a 6 anos de idade, quando a orelha já atingiu cerca de 90% do tamanho adulto e a cartilagem está formada o suficiente para permitir a correção com segurança. Essa também é a fase em que o bullying por conta das orelhas de abano pode se intensificar.
A cirurgia, portanto, além de corrigir a forma da orelha, ajuda a prevenir o impacto emocional causado pelos apelidos e comentários negativos. Para os adultos, não há idade limite: a otoplastia pode ser realizada em qualquer fase da vida, desde que a pessoa esteja em boas condições de saúde. E, para pacientes que carregam a dor do bullying, o procedimento significa a chance de ressignificar o passado e abrir espaço para uma nova forma de se ver e se apresentar ao mundo.
Não julgar o corpo do outro é essencial. Palavras podem parecer leves, mas deixam marcas profundas. Em muitos casos, a cirurgia plástica tem o poder de transformar trajetórias, reconstruir autoestima e devolver a liberdade de ser quem se é — sem esconder, sem medo, sem vergonha, mas marcas mais profundas não podem ser tratadas esteticamente: para elas, vale a pena buscar apoio psicológico. E, sim, é preciso denunciar o bullying.
Dr. Pablo Rassi Florêncio
Cirurgião Plástico – Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
CRM-GO 14677 RQE 7719
📍Cirurgião Plástico em Goiânia – MedPlastic Consultórios
Meu contato: @drpablorassi | 62 98281-7372
Saiba mais: https://linktr.ee/drpablorassi
Este conteúdo é de total responsabilidade de seu colunista, que colabora de forma independente com o portal Gazeta Culturismo. Portanto, a Culturismo Comunicação Ltda não se responsabiliza pelos materiais apresentados por este autor.
Dr. Pablo Rassi Florêncio (CRM-GO 14677 | RQE 7719) é cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Total Definer Master e certificado na técnica UGRAFT. Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, é preceptor de Cirurgia Plástica no Hospital do Câncer Araújo Jorge, atuando em reconstrução de mama e face. Especialista em contorno corporal, cirurgia mamária, rinoplastia, rejuvenescimento facial e tecnologias de retração de pele, dedica-se à combinação de segurança, técnica avançada e cuidado personalizado com o paciente. Atende em Goiânia, Goianésia, Uruaçu e por te medicina.
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.