“Aqui, brincar é coisa séria...”, afirma o manifesto.
O Bloco de Cria (@blocodecria), iniciativa carnavalesca voltada para a convivência entre crianças, pais e responsáveis, lançou em Goiânia um manifesto em defesa do direito ao brincar e à vivência de um carnaval seguro, coletivo e acessível. Em seu segundo ano no carnaval goianiense, o bloco reafirma a ocupação das ruas como espaço legítimo de cultura, afeto e criação também para os pequenos.
Os ensaios do Bloco de Cria estão acontecendo nas tardes de domingo, no Prosperidade Cultural (@prosperidadecultural), localizado no Beco da Codorna, região central da capital. Durante os encontros, crianças de todas as idades participam ativamente da confecção de máscaras e instrumentos musicais produzidos com materiais recicláveis, estimulando a criatividade, a educação ambiental e o fazer coletivo.
Criado para reunir pais e filhos durante o período carnavalesco, o Bloco de Cria propõe um Carnaval onde adultos não apenas acompanham, mas brincam junto com as crianças, fortalecendo vínculos e criando memórias afetivas. O manifesto lançado pelo grupo defende que a criança não é apenas o futuro, mas o presente vivo do Carnaval, e que brincar é um direito fundamental e um gesto de resistência cultural.
O cortejo oficial do Bloco de Cria acontece no dia 16 de fevereiro, com concentração a partir das 14h, no Beco da Codorna. A programação inclui brinquedos infantis, como pula-pula, discotecagem com DJ Macambira e Yasmin Lauck, além da apresentação do grupo Vida Seca, com música experimental a partir de instrumentos não-convencionais feitos de sucata e objetos descartados. O evento é totalmente gratuito.
No manifesto, o bloco destaca a escolha do Beco da Codorna como território simbólico, por ser um museu de arte urbana a céu aberto e um espaço de memória e identidade cultural da cidade. Ocupar esse espaço com crianças, segundo o grupo, é afirmar que a rua, a arte e o Carnavaltambém pertencem a elas.
O Bloco de Cria defende um Carnaval seguro e acolhedor para as crianças, construído a muitas mãos, criativo, sustentável, diverso e verdadeiramente popular. “Aqui, brincar é coisa séria. Aqui, criar é coletivo. Aqui, a rua é das crianças”, afirma o manifesto. Confira o texto na íntegra:

O Bloco de Cria nasce para colocar as crianças no centro do Carnaval.
Nasce do brincar, da rua e do desejo de criar juntos.
Acreditamos que a criança não é o futuro —
é o presente vivo do Carnaval.
Brincar é direito, é alegria e é também um gesto de resistência.
O Bloco de Cria existe para afirmar um Carnaval coletivo, popular e acessível, feito com cuidado, afeto e participação.
Aqui, pais, mães e responsáveis não assistem: brincam junto.
Escolhemos o Beco da Codorna como nosso território porque ele é mais que um espaço:
é um museu de arte urbana a céu aberto, lugar de memória, cultura e criação viva da cidade.
Ocupar esse espaço com crianças é afirmar que a arte, a rua e o Carnaval também são delas.
É seguro, é legítimo e é fundamental que as crianças vivenciem o Carnaval em espaços culturais que constroem a identidade da nossa cidade.
Defendemos um Carnaval:
_ • seguro e acolhedor para as crianças_
_ • construído a muitas mãos
_ • criativo, com materiais reutilizados e imaginação livre_
_ • de rua, aberto e diverso_
Nossa caminhada só acontece com parcerias que compartilham desses valores.
O grupo percussivo Vida Seca, de Goiânia, é parte fundamental do Bloco de Cria, conduzindo o cortejo com instrumentos feitos de materiais recicláveis, unindo ritmo, sustentabilidade e educação ambiental, e tornando possível a existência do nosso Carnaval.
Aqui, brincar é coisa séria.
Aqui, criar é coletivo.
Aqui, a rua é das crianças.
Enquanto houver criança, haverá Carnaval.
Enquanto houver rua, haverá Bloco de Cria.
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Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
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