Trilha de 78 km em Goiás cruza serras, cachoeiras e paisagens da Chapada dos Veadeiros

Caminho de Santana começa e termina em Cavalcante, atravessa áreas protegidas do Cerrado e pode ser percorrido em até oito dias

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  • . atualizado às 10:12
Caminho de Santana

Entre serras, rios, cachoeiras e áreas preservadas da Chapada dos Veadeiros, o Caminho de Santana propõe uma travessia de 78 quilômetros pelo município de Cavalcante, no norte de Goiás. Primeiramente, o roteiro parte da praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, no Centro Histórico. Depois, o caminhante percorre diferentes trechos até retornar ao mesmo ponto, em uma jornada que pode durar até oito dias.

Durante o percurso, os visitantes passam pela bacia do Rio das Almas e seguem entre as serras das Araras e de Santana. Ao mesmo tempo, a experiência combina caminhada, paisagens do Cerrado, formações geológicas e cursos d’água. Assim, natureza, história e cultura aparecem reunidas em um mesmo roteiro.

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Caminho de Santana pode ser percorrido em até oito dias

Caminho de Santana

O Caminho de Santana está estruturado em três trechos e foi planejado para caminhantes. Ao todo, o percurso soma 78 quilômetros. Por isso, a conclusão da rota pode levar de quatro a oito dias, dependendo do ritmo e da organização escolhida pelo visitante.

Em geral, o nível de dificuldade varia de leve a moderado em grande parte do caminho. Porém, a duração da travessia exige planejamento, principalmente para quem pretende completar todo o circuito. Durante a caminhada, o visitante encontra vegetação do Cerrado, rios, cachoeiras, mirantes e áreas de observação de fauna.

Por exemplo, alguns trechos permitem acompanhar formações geológicas e diferentes paisagens moldadas pela água e pelo relevo. Já o nome da rota faz referência a Sant’Ana, padroeira de Cavalcante. Assim, o ponto de partida na Igreja Matriz também cria uma ligação direta entre a trilha e a história da cidade.

>> Leia também: Goiás: Caminho dos Veadeiros passa integrar Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso

Trilha atravessa 11 áreas protegidas da Chapada dos Veadeiros

Ao longo dos 78 quilômetros, o Caminho de Santana mantém relação com 11 áreas protegidas, entre unidades de conservação públicas e Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Entre elas estão o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto e o Parque Natural Municipal do Lava-pés.

Também aparecem no conjunto reservas como Bacupari, Vale das Araras, Integra Parque, São Bartolomeu, Maria Batista, Ponte de Pedra, Água Santa e Recanto do Arco-Íris. Nesse contexto, a caminhada atravessa uma região onde diferentes áreas de conservação ajudam a preservar a biodiversidade e as paisagens do Cerrado.

Cavalcante concentra uma parcela significativa do território do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e reúne serras, cânions, rios e uma grande quantidade de cachoeiras. O município também integra a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto, que abrange parte importante da região turística da Chapada.

Cachoeiras transformam Cavalcante em destino para viagens de vários dias

Quem percorre o Caminho de Santana pode estender a estadia para conhecer outros atrativos de Cavalcante. Entre os nomes mais conhecidos estão as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara e Candaru, além do Complexo do Prata e da Ponte de Pedra, formação natural sobre o Rio São Domingos.

A Cachoeira Santa Bárbara chama atenção pela tonalidade azul-turquesa da água e se tornou uma das imagens mais conhecidas da região. Já o Complexo do Prata reúne diferentes quedas d’água e piscinas naturais cercadas pela vegetação do Cerrado.

Nesse caso, esses atrativos funcionam como possibilidades para ampliar o roteiro em Cavalcante. A proposta permite que o viajante combine os dias dedicados à caminhada com visitas a cachoeiras e outros pontos naturais do município, transformando a passagem pela cidade em uma viagem mais longa.

Cultura Kalunga também faz parte da experiência em Cavalcante

A natureza não é o único elemento que marca o turismo em Cavalcante. O município abriga parte do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, território quilombola que também se estende por Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. A região mantém tradições, festas, saberes e formas de vida transmitidas ao longo de gerações.

Na comunidade do Engenho II, por exemplo, ficam algumas das cachoeiras mais conhecidas do município, como Santa Bárbara, Capivara e Candaru. Dessa maneira, parte das experiências turísticas da região conecta a paisagem natural à história e à presença das comunidades que vivem no território.

O turismo na região também exige atenção às regras de visitação de cada atrativo e território. Por isso, antes de incluir cachoeiras, comunidades ou propriedades particulares no roteiro, o visitante deve verificar condições de acesso, necessidade de acompanhamento e horários de funcionamento.

Caminho de Santana integra uma rede maior de trilhas em Goiás

Caminho de Santana

O Caminho de Santana também se conecta a um movimento de expansão das trilhas de longo curso no Brasil. A rota aparece na Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, iniciativa que reúne caminhos estruturados em diferentes biomas do país.

Na própria Chapada, outra rota de maior escala é o Caminho dos Veadeiros. Com mais de 1,2 mil quilômetros, o percurso liga Formosa a Cavalcante e atravessa sete municípios goianos. A estrutura combina trechos destinados a caminhadas e cicloturismo e passa por áreas como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a APA do Pouso Alto.

Melhor período favorece caminhadas e banhos de cachoeira

A Chapada dos Veadeiros pode ser visitada durante todo o ano, mas o período seco, geralmente entre maio e outubro, costuma favorecer caminhadas e banhos de cachoeira. Nessa época, o visitante encontra menor ocorrência de chuvas, o que pode facilitar o deslocamento pelas trilhas.

Por outro lado, qualquer travessia longa exige planejamento. Como o Caminho de Santana pode ocupar vários dias, o viajante deve avaliar preparo físico, hospedagem, alimentação, pontos de apoio e condições climáticas antes de iniciar o percurso.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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