‘Caso 137’ denuncia a repressão policial contra manifestantes na França

Thriller francês é baseado na violência policial durante a ascensão dos protestos liderados pelos Coletes Amarelos em 2018

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  • . atualizado às 08:28
'Caso 137' denuncia a repressão policial contra manifestantes na França

A convite da Autoral Filmes, a Gazeta Culturismo participou de uma cabine de imprensa de “Caso 137”, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz em 2026.

O povo francês é lembrado pelo engajamento social que tornou o país palco de revoltas e manifestações exemplares. Um dos casos mais emblemáticos foi o movimento dos Coletes Amarelos, surgido em 2018 contra o aumento de impostos sobre combustíveis proposto por Macron, composto principalmente por moradores da zona rural. O primeiro levante, em novembro daquele ano, reuniu cerca de 280 mil manifestantes e foi marcado por forte repressão policial, com duas mortes.

É nessa realidade que o thriller Caso 137, dirigido por Dominik Moll, se baseia. O filme acompanha Stéphanie (Léa Drucker), funcionária da IGPN, a “polícia dos policiais”, encarregada de investigar colegas após um jovem ficar em estado grave ao ser atingido por uma bala de borracha durante as manifestações de 2018. A trama expõe as dificuldades estruturais que impedem a responsabilização de violências institucionais, mais profundas do que casos isolados.

‘Caso 137’: A polícia dos polícias

A narrativa do filme questiona os critérios e limites da IGPN, e funcionários de outros departamentos encaram os assuntos internos de maneira hostil, omitem informações e distorcem situações de violência para enquadrá-las em legítima defesa. A tese central é a de que, independentemente de haver boas pessoas na polícia, a instituição é estruturada para manter o status quo e age com violência de forma sistemática, como evidenciado pela marginalização dos Coletes Amarelos em vez do diálogo.

Léa Drucker em Caso 137 - crédito Autoral Filmes
Léa Drucker em Caso 137 (Crédito: Autoral Filmes)

O filme se destaca pela criatividade na linguagem, pois as investigações da IGPN são tratadas como depoimentos de documentário jornalístico, usando a montagem para contextualizar a atuação policial no período. Seu maior mérito é fugir do maniqueísmo. Stéphanie parece bem-intencionada, mas suas investigações carregam os filtros de dentro da instituição, visível na escolha de quais vítimas merecem apuração mais profunda, individualizando a violência policial.

“Caso 137” estreia nos cinemas brasileiros em 16 de abril de 2026. Com a atuação premiada de Léa Drucker e direção de Dominik Moll, o filme é uma porta de entrada para quem quer entender as manifestações dos Coletes Amarelos e o funcionamento estrutural da polícia francesa


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Autor: Gabriel Dias

Gabriel Dias é estudante de Jornalismo na UFG, repórter, gamer e apreciador da sétima arte. Além de ser jornalista, ama profundamente estudar filosofia; afinal, sempre foi extremamente curioso com o mundo à sua volta. Por fim, pensa que a beleza da existência está na simplicidade e nas conexões que nos fazem humanos. Contatos: [email protected] / @gabrieldiasjornal.

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