Jogo começou como um projeto de TCC por grupo de amigos
O universo dos games é um campo fértil para retratar diversas mitologias, muitas vezes narrando combates épicos de panteões como os gregos e nórdicos. Contudo, o estúdio brasileiro Vortex Games decidiu trazer uma proposta inovadora ao se inspirar na cosmovisão das histórias tupi-guarani com Turi-Kaapora. A novidade permite que a mitologia brasileira ganhe espaço no cenário global dos jogos.
O jogo Turi-Kaapora, que marca a estreia da Vortex Games, já revela o comprometimento dos desenvolvedores com a qualidade tanto no enredo quanto na jogabilidade. Em uma entrevista, a ilustradora 2D do projeto, Victoria Motta, afirmou: “No momento, estamos desenvolvendo nosso primeiro jogo, Turi-Kaapora. Nele, nossa intenção é deixar o jogador imerso dentro da cultura indígena Tupi e do frenesi de um jogo Hack n’ Slash.”
Inspirado em clássicos como a trilogia original de God of War, os títulos da série Darksiders, Turi-Kaapora promete entregar uma experiência de combate frenético combinada com uma exploração detalhada.
Motta complementou: “Queremos resgatar o estilo de jogos Hack n’ Slash da época de Playstation 2. Também temos como grande inspiração os jogos antigos de “Zelda”, com exploração de masmorras e batalhas contra chefões únicos e memoráveis. Então dá para esperar bastante aventura, personagens carismáticos, e um combate customizável que varia de jogador para jogador.”
Os jogadores assumem o controle de Caipora, a protetora das florestas, e se veem imersos em um enredo que vai muito além de uma simples aventura. Para garantir a fidelidade à cultura indígena, Victoria destacou a importância da consultoria e pesquisa para a construção do universo do jogo: “Tomamos muito cuidado ao representar a narrativa, e isso exige bastante consultoria e pesquisa. Sob o controle da personagem Caipora, o jogo se transforma, e no ritmo adequado traz à aventura, ao mesmo que elucida contextos problemáticos, como desequilíbrio ambiental e a morte da Mata Atlântica. Tudo isso, contando com a validação e ajuda de pessoas indígenas, para que a obra não seja mais um exemplo de apropriação da cultura originária.”
O projeto começou como parte do TCC da equipe durante o curso de Design de Jogos, onde os estudantes foram desafiados a criar um jogo abordando a problemática das queimadas e da destruição das florestas brasileiras. A partir daí, a conexão com a luta dos povos indígenas se tornou inevitável. Motta explicou: “Turi-Kaapora começou sua pré-produção durante nosso TCC. Durante a faculdade, recebemos a tarefa de prototipar um jogo que abordasse a temática das queimadas e destruição de florestas brasileiras. Com o passar do tempo, percebemos que não dá para falar de desmatamento sem falar da luta dos povos indígenas, e uma coisa levou à outra.”
Entretanto, a criação de um jogo no Brasil não está isenta de desafios. A falta de incentivo cultural no país é um obstáculo significativo. A artista contou: “Sabemos que é bem difícil seguir com projetos culturais no Brasil. Boa parte do tempo que tivemos para trabalhar no projeto foram aos fins de semana e madrugadas, equilibrando dois empregos e faculdade. São poucos projetos que conseguem financiamento privado, e com financiamento público, o processo é extremamente demorado.”
Apesar de ser um projeto recente, Turi-Kaapora já conquistou suas primeiras premiações e, embora ainda distante do lançamento oficial, informado por Victoria Motta para o ano de 2027, o jogo, que já está disponível para ser adicionado a lista de desejos da plataforma Steam, tem o potencial de se destacar como um dos grandes títulos nacionais dentro do mercado internacional de videogames.
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Biólogo por formação, atualmente cursando Engenharia Ambiental. Apreciador de filmes e jogos de vários gêneros. Começou a escrever web novels, até chegar a posição de repórter.
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