Cora reduz para cinco dias caminho entre diagnóstico e tratamento do câncer infantil

Diagnóstico é confirmado, em média, em três dias; doenças hematológicas podem ter terapia iniciada no mesmo dia

Cora inicia tratamento contra o câncer infantil em até 72 horas após diagnóstico (2)

O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) leva, em média, cinco dias entre a primeira consulta e o início do tratamento de crianças e adolescentes com câncer. O diagnóstico costuma ser confirmado em três dias e, dois dias depois, a terapia é iniciada. Em doenças hematológicas, o tratamento pode começar no mesmo dia da confirmação. A unidade completou um ano de inauguração oficial nesta sexta-feira (25/9).

Desde que começou a receber pacientes, em junho de 2025, o Cora contabiliza 34.783 atendimentos. Somente em 2026, foram confirmados 237 diagnósticos de câncer em crianças e adolescentes. A estrutura reúne consultas, exames especializados, quimioterapia, cirurgias e, desde março deste ano, transplantes de medula óssea.

Diagnóstico precoce orienta organização da assistência

A redução do intervalo entre a suspeita de câncer e o começo da terapia é uma das frentes da assistência oferecida no Cora. O Estado trabalha na estruturação de uma linha de cuidado que conecta atenção primária, assistência especializada, municípios, regionais de saúde e o hospital.

A proposta é ampliar a capacidade de identificação de sinais e sintomas suspeitos e acelerar o encaminhamento para investigação. No Cora, exames, confirmação do diagnóstico e definição do tratamento ficam concentrados na mesma unidade.

O secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, destaca o papel do diagnóstico precoce no cuidado de crianças e adolescentes com câncer.

“A despeito de todos os avanços da tecnologia para o cuidado do câncer, o que mais faz a diferença é o diagnóstico precoce”, afirma.

Segundo o secretário, o trabalho com a rede de assistência busca diminuir o percurso da criança com suspeita da doença até o atendimento especializado.

“A gente está batalhando com toda a rede de assistência do estado para que possamos trazer o paciente o mais rápido possível.”

Rasível detalha que, após a entrada do paciente no Cora, a investigação e o início da terapia ocorrem em poucos dias.

“Do momento que o paciente faz a primeira consulta aqui no Cora até o início do tratamento, em média, são cinco dias. Ele faz todos os exames; tem o diagnóstico em três dias e inicia o tratamento dois dias depois. No caso de doença hematológica, a gente inicia o tratamento no mesmo dia do diagnóstico”, explica.

Para o secretário, encurtar esse período também reduz a angústia vivida pelos familiares entre a suspeita da doença e o começo efetivo da assistência.

Matias passou por quimioterapia, cirurgia e transplante

Entre as crianças atendidas está Matias, de 2 anos, diagnosticado com um tumor no rim. Segundo o pai, Breno, a família conseguiu uma vaga no Cora rapidamente depois da confirmação da doença.

“Graças a Deus a gente teve um diagnóstico rápido, a gente teve que conseguir uma vaga rápida pra cá. E, desde então, foi só progredindo”, contou.

O menino começou o tratamento com quimioterapia para reduzir o tumor e, depois, passou por cirurgia para retirada da lesão e por um transplante autólogo de medula óssea. As próximas etapas são radioterapia e imunoterapia.

“Graças a Deus ele já tá sem o tumor, não tem mais nada. E agora é só continuar tratando pra, se tiver qualquer resquício, acabar mesmo”, relatou Breno.

Morador de Aparecida de Goiânia, o pai leva entre 30 minutos e uma hora para chegar ao hospital, conforme as condições do trânsito. Ele afirma que, sem o Cora, a família provavelmente precisaria procurar atendimento em outra cidade ou na rede particular.

“Realmente o Cora é um presente, como o pessoal fala, né? Um presente pra gente. Porque a infraestrutura daqui é muito boa, os profissionais muito capacitados”, afirmou.

Tratamento especializado evita deslocamentos para outros estados

A concentração de diferentes etapas da assistência em Goiás também é apontada pelo oncologista pediátrico Renato Melaragno como uma mudança para pacientes que antes precisavam recorrer a diferentes unidades ou deixar o Estado para determinados procedimentos.

“O câncer pediátrico é uma doença rara, mas no Brasil é a doença que mais mata crianças e adolescentes”, observa o oncologista.

Segundo Melaragno, pacientes com determinados tipos de tumor enfrentavam uma assistência fragmentada antes da implantação do Cora. O médico cita especificamente os casos de tumores cerebrais.

“A gente tem hoje aqui a possibilidade dessas crianças não saírem do Estado. Por exemplo, a gente teve metade dos pacientes praticamente com tumores cerebrais. Não tinha nenhum hospital aqui em Goiás que trate tumor cerebral. Vai para lá, vai para cá, fica muito quebrado [o tratamento]. Isso não é bom”, relata.

Antes da abertura do Cora, a rede pública estadual não dispunha de um hospital com esse perfil de atendimento especializado e capaz de reunir diferentes etapas da assistência ao câncer infantojuvenil.

Atualmente, crianças e adolescentes diagnosticados na unidade podem permanecer no hospital para consultas, exames especializados, quimioterapia e cirurgias. Desde março, o Cora também realiza transplantes de medula óssea e soma nove procedimentos. O atendimento já alcança pacientes de municípios goianos e também de Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas e Bahia.

>> Leia também: Goiás tem 2,5 mil pessoas à espera de transplante e recusa familiar chega a 67%

Ariela viaja de Anápolis a Goiânia e volta para casa após atendimento

Ariela Anita, de 13 anos, está em tratamento desde março. Ela sai de Anápolis para receber atendimento em Goiânia e pode retornar para casa depois dos procedimentos, sem precisar buscar assistência fora de Goiás.

“Antigamente, quando não havia essa estrutura aqui, as pessoas precisavam ir para Barretos. Agora, com este hospital, tudo ficou muito melhor, porque podemos vir e voltar de forma rápida e tranquila”, afirmou.

A adolescente também destaca o acolhimento recebido durante o tratamento.

“Eles tratam você com amor e de forma muito humanizada, colocando-se no seu lugar.”

A mãe de Ariela, Lívia de Carvalho, de 41 anos, relata que a relação com os profissionais passou a fazer parte da experiência da família durante o tratamento.

“A gente vê muita empatia de cada profissional. Eu diria que construímos uma família aqui”, relatou.

Segundo Lívia, a possibilidade de retornar a Anápolis após os procedimentos contribui para manter parte da rotina familiar.

“Hoje a gente vem, faz o procedimento e vai embora para casa. Tudo isso contribui para o tratamento e para o convívio da família.”

Ao falar sobre o impacto da doença para quem acompanha as crianças e adolescentes, Rasível Santos também menciona os efeitos sobre pais, irmãos e familiares.

“Curar a criança é curar a sua família, porque uma criança doente adoece a família toda”, resumiu.

➡️ Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita.

Cora soma 34,7 mil atendimentos desde junho de 2025

Desde o início dos atendimentos, em junho de 2025, o Cora registra 34.783 atendimentos. Desse total, são 12.840 consultas multiprofissionais, 7.131 consultas médicas e 7.148 exames especializados.

No mesmo período, foram realizadas 3.678 sessões de quimioterapia, 2.077 cirurgias e 1.903 procedimentos cirúrgicos de menor porte. Desde março deste ano, o hospital também contabiliza nove transplantes de medula óssea.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Leia Mais Sobre
Design sem nome (2)
Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.