Dia das Mulheres: 3 goianas indispensáveis para a história de Goiás

Trajetórias de mulheres goianas mostram pioneirismo e impacto na literatura, política e ciência

Goianas indispensáveis para a história para se lembrar no Dia das Mulheres

No Dia Internacional da Mulher, Goiás destaca mulheres cujas trajetórias ultrapassam fronteiras e inspiram pessoas dentro e fora do estado. Mulheres goianas que marcaram a história são protagonistas dessa transformação. Essas goianas abriram caminhos em áreas diversas, mostrando que talento, coragem e compromisso social não apenas transformam carreiras, mas impactam comunidades inteiras e deixam legados duradouros.

Seja na literatura, na política ou na ciência, essas mulheres construíram carreiras marcadas por determinação, inovação e pioneirismo. Elas ocuparam espaços tradicionalmente dominados por homens, enfrentando preconceitos, barreiras estruturais e resistências culturais, e, ainda assim, conseguiram deixar uma marca profunda em Goiás e no Brasil. Cada conquista é também um incentivo para que novas gerações de mulheres assumam posições de liderança, contribuindo com ideias, projetos e decisões que transformam realidades.

Cora Coralina e a literatura que retrata o interior

 Nascida em 20 de agosto de 1889, na antiga Cidade de Goiás, Cora Coralina começou a escrever ainda jovem, mas publicou seus primeiros livros apenas aos 75 anos, mostrando que a literatura não tem idade para florescer. Seu verdadeiro nome era Ana Lins dos Guimarães Peixoto, e ela escolheu o pseudônimo em homenagem ao açúcar mascavo, símbolo da simplicidade do interior que tanto valorizava.

Sua obra combina poesia e prosa, explorando a vida cotidiana, a religiosidade, a culinária, as festas e tradições do interior goiano. Nos livros “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” e “Vintém de Cobre”, Cora retrata a força das mulheres, a dureza da vida rural e a riqueza cultural de Goiás, com sensibilidade e linguagem acessível. Suas histórias resgatam memórias e preservam a identidade local, tornando a vida simples do interior universal e atemporal.

Além da literatura, Cora Coralina também trabalhou como doceira e comerciante, experiências que enriqueceram sua escrita com observações sobre o cotidiano e o universo feminino. Sua obra influenciou gerações de escritores brasileiros, consolidando o interior de Goiás como referência cultural e literária no país. Hoje, museus, escolas e projetos literários homenageiam sua trajetória, tornando seu legado vivo e presente na educação e na literatura brasileira.

Seus poemas, como “Aninha e Suas Pedras”, refletem a perseverança e a sabedoria do povo interiorano, mostrando que a literatura pode transformar lembranças pessoais em patrimônio cultural coletivo.

Cora Coralina –

Berenice Artiaga e a política pioneira 

Em 1951, Berenice Teixeira Artiaga entrou para a história como a primeira mulher eleita deputada estadual em Goiás. Professora e servidora pública, ela dedicou sua carreira à educação e à valorização do serviço público, abrindo portas para a participação feminina na política local em uma época de grandes limitações para as mulheres.

Na Assembleia Legislativa, Artiaga defendeu políticas de inclusão e acesso à educação, priorizando programas que beneficiassem mulheres e crianças. Sua atuação contribuiu para a construção de uma base de representatividade feminina, mostrando que liderança política e compromisso social andam juntos.

Berenice também atuou na promoção da cidadania e no estímulo à participação das mulheres na vida pública, incentivando outras a ocupar cargos antes restritos a homens. Seu pioneirismo é reconhecido até hoje, com escolas, projetos culturais e eventos históricos que destacam sua importância política de Goiás, fazendo parte das mulheres goianas que marcaram a história.

Dia Internacional da Mulher Goiás

Celina Turchi e a ciência reconhecida mundialmente

 No campo científico, Celina Maria Turchi Martelli tornou-se referência internacional em epidemiologia. Formada em Medicina pela Universidade Federal de Goiás, iniciou pesquisas em saúde pública e se tornou pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em 2015, liderou a equipe que associou o vírus Zika à microcefalia em recém-nascidos, uma descoberta crucial durante a epidemia que afetou o Brasil e chamou atenção global.

Seu trabalho recebeu reconhecimento internacional: em 2016, a revista Nature incluiu seu nome entre os dez cientistas mais importantes do mundo, e em 2017, a revista Time a listou entre as cem pessoas mais influentes do planeta. Celina trouxe visibilidade à ciência brasileira, destacando a capacidade de pesquisadores nacionais em enfrentar crises de saúde pública com excelência.

Celina Turchi

Felipe Cordeiro
Autor: Felipe Cordeiro

Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.

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