Coletivo pretende fomentar atividades artísticas, além de capacitar agentes culturais e produtores independentes da cidade
A inauguração do Ponto de Cultura Encontro A.L, nesta quinta-feira (23), em Águas Lindas de Goiás, representa muito mais do que a abertura de um novo espaço cultural. Trata-se de um marco simbólico de resistência e potência criativa no interior goiano. Localizado na Feira Central da cidade, o espaço nasce do esforço coletivo de artistas e produtores locais que, diante das ausências históricas de investimento e estrutura, decidiram construir suas próprias redes de economia criativa e solidária.
Em um estado onde boa parte da política cultural ainda se concentra nas capitais, ver um Ponto de Cultura florescer em Águas Lindas é testemunhar a descentralização da cultura na prática. É afirmar que o interior também produz, pensa e movimenta arte — e que suas expressões têm tanto valor quanto as da cena urbana consolidada. O Coletivo Encontro A.L tem entendido isso ao promover ações formativas, como o LAB Cultural Encontro A.L, que estreia com o workshop “Licenças, Alvarás e Permissões para Eventos”, ministrado pela produtora Thay Brito. Ao oferecer capacitação para agentes culturais e produtores independentes, o coletivo investe em algo que transforma de dentro para fora: o fortalecimento da base.
Essas iniciativas são fundamentais para garantir a sustentabilidade da cultura em regiões periféricas e interioranas. O apoio do edital Fomento à Manutenção e Continuidade de Espaços Culturais (nº 15/2024), da Secult-GO, em parceria com o Ministério da Cultura e a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), mostra o quanto as políticas públicas podem — e devem — ser instrumentos de democratização do acesso à arte e ao conhecimento.
Estabelecer Pontos de Cultura no interior é mais do que distribuir recursos: é descentralizar poder simbólico, permitir que as comunidades se expressem em seus próprios termos e reforçar o direito à cultura como um pilar da cidadania. Cada espaço como o Encontro A.L é, portanto, um farol — aceso não apenas para iluminar a cidade, mas para mostrar que o interior é, sim, lugar de criação, de aprendizado e de futuro.
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Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
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