Festival MisturAí: cultura não é privilégio, mas um direito de todos

Evento leva shows de música e arte gratuitamente para um dos bairros mais carentes de Goiânia

Festival MisturAí será gratuito em Goiânia (Foto Amanda Maria)

A representatividade cultural é uma necessidade urgente nos bairros periféricos das grandes cidades, e Goiânia não foge à regra. No coração do Setor Jardins do Cerrado I, um dos bairros com menor IDH da capital, o Festival MisturAí se firma como um evento essencial para a democratização do acesso à arte e para o fortalecimento da identidade cultural local.

Nos dias 12 e 13 de abril, a praça do bairro se transformará em um grande palco de diversidade artística, reunindo diferentes expressões musicais como rap, forró, eletrofunk, MPB e samba. A iniciativa, que chega à sua segunda edição, é promovida pelo Ministério da Cultura, Instituto Cultural Vale e Ire Gbogbo Produções, com a proposta de tornar a cultura acessível a todos, independentemente da classe social.

Além dos shows, o Festival MisturAí oferecerá uma feira cultural, oficinas interativas e um espaço infantil, garantindo que todas as idades possam usufruir do evento. Esse caráter inclusivo reforça a importância de descentralizar a produção cultural, que muitas vezes se restringe aos centros urbanos.

O evento também coloca em evidência o talento de artistas goianos, proporcionando visibilidade a quem, muitas vezes, encontra dificuldades em se inserir no mercado cultural. As batalhas de MCs, por exemplo, são um dos pontos altos do evento, oferecendo um espaço de expressão e resistência por meio da palavra. E entre as atrações, destacam-se nomes como a rapper Anny Di, a cantora Conceição e São Elas, o rabequeiro Jeferson Leite, DJ Iara Kevene e Madrinha Odara no dia 12. No dia 13, o festival segue com pagode do Xandão, Forró Quentin, Vei Bandido, Lara Evelin com Silvvr, rapper Guimas e o DJ Tubas, um dos grandes nomes do eletrofunk atual.

Com essa programação, não dá pra negar que a cultura desempenha um papel fundamental na formação da identidade social. Ao levar um evento desse porte para um bairro tão carente, o Festival MisturAí não apenas oferece entretenimento gratuito, mas também reforça o sentimento de pertencimento dos moradores, mostrando que sua história e expressões artísticas têm valor.

Em uma cidade onde grande parte das manifestações culturais ainda está concentrada nas regiões centrais, a realização do festival em um bairro como o Jardins do Cerrado I é um ato de resistência e empoderamento. É um lembrete de que cultura não é privilégio, mas um direito de todos.

Para mais informações sobre a programação e as atrações do Festival MisturAí, acompanhe o Instagram @misturai_festival.


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Autor: Mari Magalhães

Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]

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