Mostra inédita do artista goiano mergulha em temas como ditadura militar, feminicídio e o trauma do Césio-137
A capital goiana passa a receber, a partir de 6 de maio, uma das exposições mais impactantes do calendário cultural de 2026. A mostra “Expressões”, dedicada ao artista goiano Siron Franco, ocupa a Vila Cultural Cora Coralina até 6 de julho com um conjunto de mais de 100 trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980. A abertura acontece às 19h, com entrada gratuita e acesso liberado ao público.
O recorte da exposição apresenta um período decisivo da trajetória de Siron Franco, marcado pela construção de uma linguagem artística intensa e profundamente conectada às feridas sociais do Brasil. As obras revelam um artista inquieto, que transformou acontecimentos históricos e dores coletivas em imagens carregadas de emoção, denúncia e simbolismo.
A curadoria privilegia trabalhos que atravessam momentos traumáticos da história recente brasileira. Entre eles, estão referências diretas à ditadura militar e ao acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. Um dos espaços da exposição recria, de forma imersiva, a atmosfera associada à cápsula do material radioativo, ampliando a experiência sensorial do visitante.
As pinturas e instalações exibidas pertencem a uma fase em que Siron começou a ganhar reconhecimento nacional e internacional. O conjunto evidencia o desenvolvimento de uma estética expressionista marcada por figuras distorcidas, cores densas e narrativas visuais que discutem violência, desigualdade e exclusão social.

Outro núcleo de destaque da exposição aborda o feminicídio e a violência contra mulheres. A instalação reúne dezenas de Madonas produzidas pelo artista entre os anos 1970 e 1980, criando uma leitura crítica sobre religiosidade, dor e silenciamento feminino. As peças provocam o público ao aproximar símbolos sagrados de uma realidade marcada pela violência cotidiana.
Além das obras de Siron Franco, o percurso expositivo inclui a instalação Fome, assinada pelo artista e curador Aguinaldo Coelho. A proposta amplia a discussão sobre vulnerabilidade social e aproxima a exposição de temas ainda presentes no cotidiano brasileiro, como insegurança alimentar e desigualdade econômica.

Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim destaca o impacto simbólico do acervo reunido. “Siron Franco não pinta apenas quadros, ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro. Expressões reúne o trauma da ditadura, o luto radioativo do Césio 137, as tensões do sincretismo religioso e a persistência da desigualdade contemporânea”, afirma.
O próprio artista afirma que a proposta da exposição vai além da contemplação estética. “A ideia é estimular reflexões sobre acontecimentos históricos que ainda reverberam na sociedade. É uma oportunidade de aproximar o público de obras que dialogam com a cultura, a identidade e a história goiana e brasileira”, diz Siron.

Nascido na cidade de Goiás, Siron Franco construiu uma das carreiras mais reconhecidas da arte contemporânea brasileira. Pintor, escultor, desenhista, gravador, ilustrador e diretor de arte, ele acumula premiações importantes desde o início da carreira, ainda na década de 1960.
Entre os principais reconhecimentos recebidos pelo artista estão o prêmio da I Bienal da Bahia, em 1968, e os destaques obtidos na Bienal Internacional de São Paulo nos anos de 1974 e 1975. Siron também conquistou os principais prêmios do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, consolidando sua presença em importantes espaços culturais do país.

A exposição em Goiânia busca aproximar o público da dimensão histórica e política presente na obra do artista. O percurso propõe uma leitura sobre o Brasil a partir da arte, conectando memória coletiva, resistência cultural e acontecimentos que ainda provocam debate social décadas depois.
A realização da mostra conta com recursos do Programa Goyazes, do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, além do apoio da Óticas Vida.
Serviço: Exposição Expressões
Data: de 6 de maio a 6 de julho de 2026
Abertura oficial: 6 de maio de 2026, às 19h
Visitação: de segunda a domingo, das 9h às 17h
Local: Vila Cultural Cora Coralina - Rua 23 com rua 3, Setor Central - Goiânia (GO)
Entrada gratuita
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