Goiás registra menor taxa de analfabetismo da história e amplia escolaridade em 2025

Estado alcança taxa de analfabetismo de 3,5%, enquanto percentual de jovens que não estudam nem trabalham cai para o menor nível já registrado

Goiás registra menor taxa de analfabetismo da história e amplia escolaridade em 2025

Goiás atingiu em 2025 a menor taxa de analfabetismo de sua história, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua Educação), divulgados pelo IBGE. O percentual de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever caiu para 3,5%, equivalente a cerca de 207 mil goianos, resultado inferior aos 3,6% registrados em 2024.

O levantamento também aponta avanços em outros indicadores educacionais. O percentual de pessoas com 25 anos ou mais que concluíram ao menos o ensino médio chegou a 32,5%, o maior da série histórica. Além disso, o estado registrou o menor índice já observado de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham, grupo que representa atualmente 14,1% dessa população.

Como a taxa de analfabetismo em Goiás foi reduzida?

Os números mostram uma redução consistente ao longo da última década. Em 2016, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais era de 5,9%. Em 2025, o índice caiu para 3,5%, representando uma redução de aproximadamente 41%.

AnoTaxa (%)
20165,9
20175,4
20185,2
20194,6
20224,5
20234,0
20243,6
20253,5

Os dados revelam que o analfabetismo continua fortemente associado à idade. Entre os idosos com 60 anos ou mais, a taxa ainda é significativamente superior à média estadual.

Faixa etáriaTaxa (%)
15 anos ou mais3,5
18 anos ou mais3,6
25 anos ou mais4,2
40 anos ou mais6,4
60 anos ou mais12,3

Entre os idosos, cerca de 133 mil pessoas com 60 anos ou mais permanecem analfabetas, embora esse grupo também tenha apresentado melhora em relação a 2024, quando a taxa era de 14%.

Segundo especialistas em educação, esse comportamento reflete mudanças geracionais no acesso à escola. As gerações mais jovens passaram a ter maior cobertura educacional, enquanto parte dos idosos viveu em períodos de menor oferta de ensino, sobretudo em áreas rurais.

Desigualdades raciais ainda aparecem nos indicadores

Apesar da melhora geral, os dados mostram diferenças entre grupos raciais. Em Goiás, a taxa de analfabetismo entre pessoas brancas com 15 anos ou mais foi de 2,8%, enquanto entre pessoas pretas e pardas chegou a 3,9%.

Entre idosos, a diferença se amplia:

GrupoTaxa de analfabetismo (60 anos ou mais)
Brancos9,0%
Pretos e pardos14,9%

Os números acompanham uma tendência observada nacionalmente e refletem desigualdades históricas de acesso à educação apontadas por estudos do próprio IBGE e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Escolaridade dos adultos atinge recorde histórico

Outro destaque da pesquisa é o avanço do nível de instrução da população adulta. Entre os goianos com 25 anos ou mais, 32,5% tinham como maior nível de instrução o ensino médio completo, enquanto 21,7% já haviam concluído o ensino superior.

EscolaridadePercentual
Sem instrução4,4%
Fundamental incompleto23,9%
Fundamental completo7,2%
Médio incompleto5,7%
Médio completo32,5%
Superior incompleto4,6%
Superior completo21,7%

O crescimento da escolarização também aparece no ensino superior. O percentual de adultos com diploma universitário alcançou 21,7%, superando os 14,4% registrados em 2016.

Goiás ainda não alcança meta para creches

Embora os indicadores educacionais apresentem avanços, o acesso à educação infantil continua abaixo das metas previstas pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

Em 2025, apenas 32,6% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam creches em Goiás. A Meta 1 do PNE estabelece que pelo menos 50% das crianças nessa faixa etária deveriam estar matriculadas até o fim da vigência do plano.

Faixa etáriaEscolarização
0 a 3 anos32,6%
4 a 5 anos92,7%
6 a 14 anos99,4%
15 a 17 anos92,3%
18 a 24 anos31,4%
25 anos ou mais5,0%

No caso da pré-escola, destinada às crianças de 4 e 5 anos, a taxa alcançou 92,7%, ainda abaixo da universalização prevista pelo plano educacional brasileiro.

Ensino médio segue abaixo da meta nacional

A pesquisa mostra que Goiás avançou no acesso ao ensino médio, mas ainda não atingiu o objetivo definido pelo Plano Nacional de Educação. A taxa ajustada de frequência escolar líquida para jovens de 15 a 17 anos chegou a 82,2% em 2025.

A Meta 3 do PNE estabelece índice de 85%, o que significa que o estado permanece 3,8 pontos percentuais abaixo do objetivo nacional.

AnoTaxa (%)
201669,4
201975,0
202278,2
202378,3
202475,3
202582,2

Entre as mulheres, o indicador chegou a 87,2%, enquanto entre os homens ficou em 78,6%.

Ensino fundamental supera meta do Plano Nacional de Educação

Diferentemente do ensino médio, Goiás já atingiu a meta prevista para o ensino fundamental. Em 2025, 96,7% das crianças de 6 a 14 anos frequentavam a etapa escolar adequada para sua idade, acima dos 95% previstos pela Meta 2 do PNE.

O resultado indica que o principal desafio atual está relacionado à permanência e progressão escolar nos anos seguintes, especialmente durante a adolescência.

Ensino superior avança, mas desigualdades permanecem

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a frequência líquida ao ensino superior alcançou 31% em Goiás. O índice ainda está abaixo da meta nacional de 33%.

As diferenças entre grupos sociais permanecem relevantes:

GrupoFrequência líquida no ensino superior
Mulheres37,3%
Homens24,6%
Brancos43,3%
Pretos e pardos25,6%

Os números indicam que o acesso à universidade continua mais elevado entre mulheres e pessoas brancas, cenário observado também em diversas unidades da federação.

Jovens que não estudam nem trabalham atingem menor nível da série histórica

O levantamento mostra ainda uma mudança importante no perfil da juventude goiana. Em 2025, cerca de 239 mil jovens entre 15 e 29 anos não estudavam nem trabalhavam, o equivalente a 14,1% da população dessa faixa etária.

Trata-se do menor percentual registrado desde o início da série histórica, em 2019.

CondiçãoPercentual
Ocupados e estudando18,3%
Ocupados e não estudando45,7%
Não ocupados e estudando22,0%
Não ocupados e não estudando14,1%

O resultado acompanha a tendência nacional. No Brasil, o percentual de jovens que não estudam nem trabalham caiu para 17,5%, também o menor nível já registrado pela PNAD Contínua Educação.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

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