Certificado confirma uma trajetória legitimada como uma experiência viva de cultura, resistência e cuidado coletivo
Após 26 anos de trajetória dedicada à promoção da cultura, dos direitos e do bem viver das mulheres negras, o Grupo de Mulheres Negras Malunga foi oficialmente reconhecido como Ponto de Cultura, com certificação concedida pela Política Nacional de Cultura Viva, instituída pela Lei nº 13.018/2014, do Ministério da Cultura.
Mais do que um título institucional, o reconhecimento consolida uma história construída desde 1999 no território goiano, com impactos no Centro-Oeste e em todo o Brasil. Para a ativista e cofundadora do grupo, Sônia Cleide, o reconhecimento reafirma a legitimidade de uma cultura que nasce da experiência ancestral das mulheres negras. “Ser reconhecido como Ponto de Cultura é reconhecer que a cultura que nasce da ancestralidade negra, do chão do terreiro, do cuidado coletivo e da espiritualidade viva é legítima e transformadora”, afirma.
Segundo ela, a trajetória do Malunga carrega a força das mais velhas que abriram caminhos e sustentaram a luta coletiva ao longo das décadas. “O Grupo de Mulheres Negras Malunga carrega a força das nossas mais velhas — Erondina, Leocádia, Oraida, Maria José, dona Abigail — e de tantas outras que vieram antes, abrindo caminhos, curando feridas e ensinando a resistir com dignidade. Cada roda, cada erva, cada reza, cada encontro é memória e Axé. É o futuro sendo semeado pelas mãos de mulheres negras”, destaca.
A certificação como Ponto de Cultura valoriza as expressões culturais, os processos formativos e o fazer comunitário desenvolvidos pelo Malunga, além de fortalecer sua articulação na rede Cultura Viva e suas contribuições para o acesso, a proteção e a promoção dos direitos culturais no país.
Organização não governamental sem fins lucrativos, o Grupo de Mulheres Negras Malunga tem sua atuação pautada no feminismo negro, defendendo o fortalecimento das mulheres negras, especialmente nas áreas da saúde mental, sexual e reprodutiva. Suas ações também dialogam com a construção de uma sociedade sustentável, plural e antirracista, com atenção especial à segurança alimentar das mulheres e das comunidades tradicionais.
Atualmente, o Malunga desenvolve uma série de projetos e ações culturais e educativas, entre eles os encontros mensais de Autocuidado e Cuidado Coletivo Ancestral, que promovem vivências de autoconhecimento em um espaço seguro e acolhedor, abertos a todas as mulheres; o Clube de Leitura sobre autoras e autores negros; rodas de conversa sobre letramento racial; atendimento psicossocial gratuito e formações institucionais.
O grupo também preserva e compartilha saberes ancestrais ligados ao uso de ervas e práticas de cura, articulando espiritualidade e cultura por meio do Terreiro de Nanã Buruquê, reafirmando a ancestralidade como fundamento de sua atuação cultural.
“O Malunga sempre foi um espaço de cuidado, de resistência e de formação política. Esse reconhecimento como Ponto de Cultura afirma que a cultura que nasce das mulheres negras, dos nossos corpos, dos nossos saberes e da nossa espiritualidade tem valor.”, conclui Sônia Cleide.
Com a certificação, o Grupo de Mulheres Negras Malunga tem sua trajetória oficialmente reconhecida como uma experiência viva de cultura, resistência e cuidado coletivo, reafirmando o protagonismo das mulheres negras na produção cultural brasileira. Acompanhe os projetos e atividades do Malunga pelo Instagram @grupo.malunga.
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Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
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