Brasil registra mais de 140 mil mortes por doenças cardiovasculares em apenas cinco meses de 2025
As doenças cardiovasculares continuam liderando o ranking das principais causas de morte no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de mil pessoas morrem todos os dias em decorrência dessas enfermidades no país, o equivalente a aproximadamente 46 mortes por hora — uma a cada 90 segundos, aproximadamente. Historicamente, o total anual estimado pela SBC gira em torno de 350 mil a 400 mil óbitos, e as projeções para 2025 e 2026 mantêm essa mesma ordem de grandeza, sem sinais de reversão da tendência.
Esse acompanhamento é feito em tempo real pelo Cardiômetro, ferramenta criada em 2016 pela SBC em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. O sistema usa dados oficiais de mortalidade do Ministério da Saúde — divulgados com defasagem de cerca de dois anos — e projeções estatísticas para estimar, minuto a minuto, o número de óbitos por doenças do coração no país. De acordo com o próprio Cardiômetro, o infarto agudo do miocárdio é isoladamente a primeira causa de morte no Brasil, e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) ocupa a segunda posição.
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A realidade brasileira segue o mesmo padrão observado em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 17,9 milhões de mortes por ano, o equivalente a aproximadamente 31% de todos os óbitos registrados globalmente. Levantamentos mais recentes, baseados no Global Burden of Disease, apontam que esse número já teria chegado a quase 20 milhões de mortes em 2022 — um salto em relação aos 12,4 milhões contabilizados em 1990, impulsionado pelo crescimento e envelhecimento da população mundial, além do avanço de fatores de risco evitáveis, como hipertensão, colesterol elevado, obesidade, diabetes, má alimentação, tabagismo e sedentarismo.
Apesar dos avanços médicos e do maior acesso a tratamentos, o número absoluto de mortes segue em ascensão, evidenciando o peso dessas doenças para os sistemas de saúde pública. Um dado, no entanto, chama atenção: segundo a própria SBC, cerca de 80% dos óbitos por doenças cardiovasculares poderiam ser evitados por meio de diagnóstico precoce, controle de fatores de risco e mudanças no estilo de vida — o que reforça a importância da prevenção.
Entre os quadros mais graves, o infarto agudo do miocárdio chama atenção por sua letalidade e pela rapidez com que pode tirar vidas.
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A dor provocada por um infarto é frequentemente descrita como um aperto ou queimação no peito, podendo irradiar para o pescoço e os braços. Em muitos casos, surgem também sintomas como suor frio, náuseas, vômitos, falta de ar ou até desmaios. Esses sinais são um alerta que não deve ser ignorado — a demora em buscar atendimento é um dos principais fatores que agravam o prognóstico.
O cardiologista Tannas Jatene, chefe de hemodinâmica do Hospital Israelita Albert Einstein Goiânia, explica que a doença coronariana pode agir de forma inesperada. “Em até um terço dos casos ocorre a morte súbita, ou seja, o paciente pode estar dormindo e morrer. Apesar dos avanços na medicina, ainda não entendemos completamente por que alguns pacientes conseguem receber atendimento e outros não têm essa oportunidade”, afirma o especialista.
Entre os principais fatores de risco para o infarto estão: idade avançada, tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e estresse. Situações de esforço físico intenso, alimentação exagerada, uso de drogas ou cigarro também podem desencadear o quadro. “À medida que a gente vai envelhecendo, a chance aumenta. Mas o infarto também pode ser precipitado por uma atividade física rigorosa, uma ingestão alimentar exagerada, o uso excessivo de cigarro e o consumo de drogas”, alerta Jatene.
Diante desses fatores, a prevenção se torna essencial. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas como hipertensão, diabetes e colesterol alto, e ficar atento aos sinais do corpo podem evitar tragédias. A OMS recomenda ainda a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada com baixo teor de sódio e açúcar, além de acompanhamento médico periódico.
No pronto atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein Goiânia, o protocolo para dor torácica é executado com agilidade. Quando o paciente chega com sintomas de infarto, um eletrocardiograma é feito em até 10 minutos. O exame identifica se se trata de infarto com ou sem supra.
O infarto com supra ocorre quando a artéria está totalmente obstruída, enquanto o tipo sem supra apresenta uma obstrução parcial, de até 95%, permitindo algum fluxo de sangue. Nos casos mais graves, o paciente é levado diretamente para o setor de hemodinâmica, onde se realiza um cateterismo cardíaco de urgência.
“Fazemos uma punção na artéria, sem necessidade de cortes ou anestesia geral. O exame é seguro e, ao confirmar a obstrução total, realizamos a angioplastia de forma imediata. Nesse procedimento, inserimos um stent — uma malha metálica que mantém a artéria aberta —, restabelecendo o fluxo sanguíneo ao coração”, detalha o cardiologista do Einstein Goiânia.
O tempo de atendimento é crucial. De acordo com Jatene, a cada 30 minutos de atraso, o risco de morte aumenta em 7%. Se o procedimento for iniciado após 90 minutos, a mortalidade pode ultrapassar 20%. “Quanto mais tempo perdido, maior a destruição do músculo cardíaco, o que eleva o risco de morte ou de sequelas graves, como a insuficiência cardíaca”, alerta.
Essa corrida contra o tempo é a razão pela qual especialistas insistem na mesma mensagem: diante de dor no peito, falta de ar, suor frio ou qualquer combinação desses sintomas, buscar atendimento médico de emergência imediatamente pode ser o que separa a recuperação plena de uma sequela grave — ou da própria morte.
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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