Crescimento da hipertensão entre jovens acende alerta para hábitos modernos e avanço silencioso da doença no Brasil
A pressão alta entre jovens adultos tem chamado atenção de especialistas e cresce de forma silenciosa no Brasil e no mundo. Dados recentes mostram que a hipertensão arterial já não é mais restrita a pessoas mais velhas, atingindo cada vez mais indivíduos em fases iniciais da vida adulta, muitas vezes sem sintomas aparentes.
Segundo o Relatório Global sobre Hipertensão da Organização Mundial da Saúde, divulgado em 2023, a condição afeta 1 em cada 3 adultos no planeta. O número de pessoas com a doença dobrou nas últimas três décadas, alcançando 1,3 bilhão. No Brasil, cerca de 27,9% da população adulta convive com a hipertensão, enquanto entre jovens de 18 a 24 anos a taxa chega a 5,8%.
O avanço se torna ainda mais evidente com o passar dos anos. Na faixa de 35 a 44 anos, a prevalência salta para 19,5%, indicando que o problema começa cedo e evolui de forma progressiva. O cenário preocupa profissionais de saúde, especialmente diante das mudanças no estilo de vida da população mais jovem.
O cardiologista intervencionista cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Arthur Pipolo, acompanha esse movimento e chama atenção para fatores cotidianos que contribuem para o aumento dos casos. “Hoje vemos mais jovens com pressão alta do que antes. Isso tem relação com ganho de peso, sedentarismo, alimentação ruim, estresse, sono de má qualidade e também com o uso de cigarro eletrônico e energéticos”, explica.
Conhecida como “doença silenciosa”, a hipertensão costuma evoluir sem sinais claros, dificultando o diagnóstico precoce. Muitas pessoas convivem com a pressão elevada por anos sem perceber, enquanto o organismo sofre impactos gradativos em órgãos vitais.
“A pessoa pode achar que está tudo bem, enquanto a pressão alta vai agredindo o coração, o cérebro, os rins e os vasos sanguíneos”, alerta Dr. Arthur. O dado global reforça essa preocupação, já que quase metade das pessoas com hipertensão desconhece que possui a condição.
Entre os fatores recentes que preocupam está o aumento do consumo de cigarros eletrônicos e bebidas energéticas entre jovens. Esses hábitos, cada vez mais comuns, estão diretamente ligados à elevação da pressão arterial e ao sobrecarregamento do sistema cardiovascular.
“Energéticos, cigarro eletrônico e estresse podem elevar a pressão e sobrecarregar o coração. Todos esses hábitos podem aumentar a pressão”, reforça o especialista, ao destacar riscos que fazem parte do dia a dia de muitos jovens.
A prevenção passa por ajustes na rotina e atenção contínua à saúde. Medir a pressão regularmente é uma das principais recomendações, inclusive para pessoas sem sintomas aparentes.
“Medir a pressão deve fazer parte da rotina de saúde desde o início da vida adulta. Mesmo jovens e pessoas sem sintomas podem ter pressão alta e não saber”, orienta o cardiologista.
Além do monitoramento, hábitos saudáveis são determinantes para manter a pressão sob controle. A prática de atividades físicas, alimentação equilibrada, redução do consumo de sal e produtos ultraprocessados, além de um sono de qualidade, estão entre as principais medidas indicadas.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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