Saúde mental no trabalho vira prioridade e já afasta mais de 546 mil brasileiros em 2025

Atualização da NR-1 obriga empresas a agir e muda a forma como companhias lidam com ansiedade e depressão

Saúde mental no trabalho vira prioridade e já afasta mais de 546 mil brasileiros em 2025

A saúde mental no trabalho passou a ocupar posição central nas empresas brasileiras diante do avanço dos afastamentos por transtornos psicológicos. Em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número da série histórica do Ministério da Previdência Social. Entre as principais causas estão ansiedade, depressão, transtorno bipolar, síndrome de burnout e reações ao estresse grave. O cenário acende um alerta para organizações que agora precisam rever práticas internas e adotar estratégias concretas de prevenção.

Especialistas apontam que fatores como sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, pressão constante por resultados, insegurança profissional, conflitos interpessoais, assédio moral e dificuldades de conciliar vida pessoal e profissional contribuem significativamente para o agravamento dos riscos psicossociais no ambiente corporativo. Além dos impactos sobre os trabalhadores, esses fatores elevam índices de absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e custos com assistência médica e benefícios previdenciários.

O impacto vai além das fronteiras nacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a perda de produtividade ligada à depressão e à ansiedade gere prejuízo global de cerca de US$ 1 trilhão por ano. Em estudo conjunto, a OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também estimam que aproximadamente 12 bilhões de dias úteis sejam perdidos anualmente em razão desses transtornos. Ao mesmo tempo, a OMS destaca que cada dólar investido em tratamentos e programas de promoção da saúde mental pode gerar retorno de cerca de quatro dólares em melhoria da saúde e da produtividade. Esse contexto pressiona empresas a agir com rapidez e consistência, transformando a forma como o bem-estar emocional é tratado no ambiente corporativo.

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Nova regra exige mudança estrutural nas empresas

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata das disposições gerais e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), reforçou a obrigatoriedade de as empresas identificarem, avaliarem e gerenciarem também os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A medida amplia a visão tradicional da segurança ocupacional, que antes concentrava esforços principalmente em riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

Na prática, isso significa que organizações deverão mapear fatores como excesso de demanda, metas incompatíveis, jornadas prolongadas, falta de autonomia, violência e assédio no ambiente de trabalho, além de implementar medidas preventivas, acompanhar indicadores e revisar continuamente suas ações. A mudança fortalece o papel estratégico das áreas de Recursos Humanos, Segurança e Saúde do Trabalho, Compliance e das lideranças na construção de ambientes psicologicamente seguros.

O tema ganhou destaque em encontros corporativos recentes, reunindo especialistas, profissionais de saúde ocupacional e grandes empresas para discutir caminhos viáveis. A necessidade de sair do discurso e implementar políticas efetivas tornou-se um consenso entre diferentes setores da economia.

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Lideranças assumem protagonismo no cuidado emocional

Gerente de Recursos Humanos do Laboratório Teuto, Michelle Feitosa aponta que o avanço depende diretamente do engajamento das lideranças. A empresa participou da Vittude Summit, onde o debate sobre saúde mental ganhou força entre executivos e especialistas.

Segundo ela, o aprendizado central é a antecipação dos problemas.

“No Teuto, a abordagem já está em evolução contínua. A partir dos aprendizados e insights, estruturamos um conjunto de iniciativas prioritárias com foco em prevenção, governança e eficiência na gestão de saúde mental”, afirma.

A estratégia inclui capacitar gestores para reconhecer sinais precoces de sofrimento psíquico, promover uma comunicação aberta, combater o estigma relacionado aos transtornos mentais e atuar como agentes ativos de bem-estar. O objetivo é criar ambientes onde o cuidado emocional faça parte da rotina, e não apenas uma resposta a crises já instaladas.

Especialistas destacam que lideranças preparadas desempenham papel decisivo na prevenção do adoecimento mental, pois influenciam diretamente o clima organizacional, a distribuição das demandas, o reconhecimento das equipes e a percepção de apoio dentro das empresas.

Saúde no trabalho: produtividade passa a depender do equilíbrio emocional

Dentro da indústria farmacêutica, onde precisão, qualidade e segurança são essenciais, o impacto da saúde mental já é percebido diretamente nos resultados. A relação entre bem-estar psicológico e desempenho operacional deixou de ser abstrata e passou a influenciar indicadores concretos.

“Na prática, a saúde mental impacta diretamente os principais indicadores de performance operacional e financeira da companhia”, aponta Michelle. “Por isso, investimos em ambientes que favorecem o equilíbrio e o alto desempenho sustentável, um compromisso de longo prazo com a qualidade de vida”, completa.

Diversos estudos mostram que empresas que investem em programas estruturados de saúde mental tendem a reduzir afastamentos, acidentes de trabalho, rotatividade e custos assistenciais, além de melhorar o engajamento, a retenção de talentos, a inovação e a produtividade das equipes. Entre as iniciativas mais adotadas estão programas de apoio psicológico, capacitação de líderes, canais seguros para denúncias de assédio, flexibilização de jornadas, ações de qualidade de vida, pesquisas de clima organizacional e monitoramento contínuo dos riscos psicossociais.

O movimento indica uma transformação cultural em andamento. A saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma questão individual e passa a integrar as estratégias de gestão de pessoas, sustentabilidade e governança corporativa. Com a evolução da legislação e o aumento da conscientização sobre os impactos do adoecimento emocional, empresas brasileiras caminham para um modelo em que produtividade, segurança, inovação e qualidade de vida são objetivos complementares, consolidando novos padrões para o futuro do trabalho.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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