Evento reúne comunidade e mantém cidade como referência cultural e gastronômica no estado
No dia 28 de março, a Jesúpolis, em Goiás, vai receber uma nova edição da Maior Pamonhada do Mundo, com distribuição gratuita e produção em larga escala. O evento será realizado das 08h às 17h, na Praça de Eventos do Ipê, reunindo moradores e visitantes em torno de uma celebração que mistura cultura, gastronomia e identidade local.
O evento chega após um marco expressivo registrado no último ano. Em 28 de fevereiro de 2025, Jesúpolis reuniu uma multidão e produziu mais de 35 mil pamonhas em um único dia. A dimensão da festa chamou atenção pela estrutura montada e pelo envolvimento coletivo, que transformou o município em destaque regional e atraiu visitantes de diversas cidades.
Para alcançar esse volume, foram utilizadas cerca de 200 mil espigas de milho, colhidas em uma área de 15 hectares cultivados exclusivamente para a pamonhada. A produção mobilizou mais de 200 voluntários, que atuaram durante todo o dia no preparo das receitas. A força do trabalho coletivo segue como um dos pilares do evento, que cresce a cada edição.
Com pouco mais de 2 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jesúpolis se destaca pela capacidade de mobilização e organização. A pamonhada vai além da gastronomia e se tornou um elemento central da identidade local, reunindo famílias, produtores e visitantes em um ambiente de celebração e pertencimento.
O reconhecimento institucional também acompanha o crescimento da festa. A tradicional pamonhada já foi incluída pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) como patrimônio cultural imaterial do estado e integra o calendário oficial de eventos. Durante edições anteriores, o deputado estadual Amilton Filho (MDB) destacou a grandiosidade da iniciativa. “Jesúpolis deu um show”, afirmou.
Para 2026, a proposta é manter o alto volume de produção e ampliar ainda mais a participação popular. A expectativa é que a Praça do Ipê volte a receber um grande público ao longo do dia, consolidando a pamonhada como uma das maiores celebrações culturais do interior goiano e um dos eventos mais tradicionais do calendário gastronômico regional.
A pamonha é uma comida típica muito popular no Brasil, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Feita à base de milho verde, ela representa uma tradição culinária ligada às origens indígenas e às festas juninas, sendo considerada um verdadeiro patrimônio cultural da gastronomia brasileira.
A pamonha é preparada com o milho ainda fresco, que é ralado ou triturado para formar uma massa cremosa. Essa massa pode ser temperada de diferentes formas e resultar em sabores de doce, salgada ou à moda, com linguiça. Em seguida, a mistura é colocada dentro da própria palha do milho, formando pequenos “pacotes”, que são bem amarrados.
O preparo tradicional envolve cozinhar essas pamonhas em água fervente por um certo tempo até que fiquem firmes. Esse processo costuma ser coletivo e faz parte de momentos de convivência, especialmente durante as festas típicas do interior ou reuniões familiares.
O prato típico de Goiás carrega um forte valor cultural, sendo símbolo de identidade regional e da herança indígena no Brasil. Ela é considerada patrimônio cultural imaterial de Goiás, reconhecida pela Lei nº 21.729 de dezembro de 2022, que destaca sua importância na cultura, economia e tradição familiar goiana.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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