Evento político acontece nesta terça-feira, 25, em Brasília e vai reunir milhares de Mulheres de todo o país
Brasília se prepara para receber nesta terça-feira, em 25 de novembro de 2025, milhares de mulheres negras de todas as regiões do Brasil e de cerca de 30 países. Dez anos após a primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras, a capital volta a ser palco de um dos maiores atos políticos do movimento antirracista, que este ano destaca como tema central “Reparação e Bem-Viver” e recoloca em pauta o debate sobre o mulheres negras no poder e a transformação das estruturas sociais.
O movimento reivindica acessar cargos decisórios, influenciar políticas públicas e garantir que nenhuma mulher negra precise morrer para ser ouvida. O debate surge em um contexto em que, embora sejam o maior grupo entre as mulheres no Brasil — representando cerca de 30% da população — as mulheres negras seguem enfrentando desigualdades históricas. São também as principais chefes de família no país, mas continuam sub-representadas em espaços de liderança, tanto na política quanto no setor corporativo.
Os dados reforçam ainda uma distância entre o poder econômico. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que elas recebem, em média, 44% menos que homens brancos. No campo da violência de gênero, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 registra um cenário ainda mais alarmante: 63,6% das vítimas de feminicídio no país são mulheres negras — um número que evidencia como o racismo e o patriarcado condicionam o acesso à vida digna.
Essas desigualdades também se manifestam nas políticas públicas. Apesar de seus avanços, a Lei Maria da Penha, prestes a completar 30 anos, não protege de forma igualitária todas as mulheres. Pensada a partir da experiência de uma mulher branca de classe média, sua aplicação segue desigual. Mulheres negras, indígenas e trans continuam à margem de seus mecanismos de proteção e de como o Estado falha em alcançar quem mais precisa.
É nesse contexto que a Marcha das Mulheres Negras 2025 se fortalece como um processo de organização e mobilização contínuo, reunindo mulheres quilombolas, indígenas, periféricas, trabalhadoras domésticas, comunicadoras populares, mestras e jovens ativistas.
A mobilização também revisita o documento que marcou a primeira edição do evento: a Carta das Mulheres Negras, produzida em 2015 e que segue como referência de um projeto de país baseado na justiça social, na valorização das ancestralidades africanas e afro-brasileiras. Uma década depois, suas palavras continuam atuais e orientam a luta pela reparação e pelo Bem Viver. Leia aqui a carta na íntegra.
Ao retornar a Brasília, a Marcha das Mulheres Negras 2025 não reivindica apenas espaço, mas principalmente o Poder de decidir. Poder para transformar políticas, reestruturar instituições, influenciar decisões e construir um país onde mulheres negras sejam protagonistas de seu destino coletivo. Reivindicar “mulheres negras no poder” é exigir que o Brasil reconheça quem sustenta, com trabalho, cuidado e luta, grande parte de sua história — e quem, apesar disso, segue sendo a parcela mais vulnerabilizada da população.
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Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
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