Motos elétricas ganham as ruas de Goiânia e levantam debate sobre regras e segurança

Crescimento nas vendas, economia no dia a dia e dúvidas sobre circulação colocam veículos elétricos no centro da mobilidade urbana da capital goiana

Motos elétricas ganham as ruas de Goiânia e levantam debate sobre regras e segurança

As motos elétricas passaram a ocupar o trânsito de Goiânia com frequência cada vez maior. Silenciosas e compactas, elas surgem em avenidas movimentadas, ruas de bairro e até ciclovias. O aumento da presença desses veículos chama atenção de motoristas e pedestres. Ao mesmo tempo em que prometem economia e praticidade, também provocam questionamentos sobre regras de circulação, segurança e fiscalização nas ruas da capital.

O avanço do uso dessas motos acompanha um movimento observado em todo o país. Dados da Fenabrave indicam crescimento de 104,74% nos emplacamentos de motos elétricas no primeiro trimestre de 2025. O número saltou de 1.686 para 3.452 veículos licenciados em comparação com o mesmo período de 2024. O salto revela uma mudança clara no comportamento de quem busca alternativas de transporte urbano.

Em Goiânia, comerciantes já percebem o aumento na procura por veículos elétricos de duas rodas. A procura por motos elétricas (scooters) cresceu de forma visível nos últimos meses. Interessados buscam informações sobre autonomia, tempo de recarga e economia de combustível. A busca por veículos mais baratos para o deslocamento diário também aparece entre os fatores que impulsionam o interesse pela tecnologia.

Crescimento das motos elétricas em Goiânia chama atenção no trânsito

A presença das motos elétricas em Goiânia chama atenção no trânsito. Silenciosas e compactas, elas aparecem em avenidas movimentadas, ruas de bairro e até ciclovias. Na capital e em cidades próximas, o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (DETRAN) aponta cerca de 525.179 condutores com CNH nas categorias A, AB, AC, AD e AE.

Esse contingente representa um grande grupo de pessoas aptas a conduzir motocicletas, o que amplia o mercado potencial para veículos elétricos. Com preços mais acessíveis e custos menores de uso, as motinhas elétricas se tornam uma opção viável para parte desse público.

O avanço desse tipo de transporte nas ruas indica uma mudança gradual no modo como os moradores se deslocam pela cidade. A expansão da tecnologia, associada à busca por economia e mobilidade, deve continuar impulsionando a presença desses veículos no trânsito urbano.

O gerente Rubinaldo Roque, da loja Vá de Elétrica, afirma que a demanda tem aumentado de forma consistente. Segundo ele, muitos clientes chegam ao estabelecimento com a intenção de entender como funciona a tecnologia antes de comprar. “Percebemos um crescimento muito claro no interesse por motos elétricas em Goiânia. A procura aumentou principalmente entre pessoas que querem reduzir gastos com combustível e manutenção. Cada vez mais clientes vêm até a loja conhecer essa tecnologia”.

Economia atrai trabalhadores e usuários do dia a dia 

Entre os consumidores que procuram motos elétricas, alguns perfis aparecem com mais frequência. Trabalhadores que dependem da moto para deslocamentos diários estão entre os principais interessados. Entregadores e profissionais que percorrem longas distâncias pela cidade veem nesses veículos uma maneira de reduzir gastos no fim do mês.

Outro grupo bastante presente é formado por pessoas que desejam diminuir despesas com transporte. Em um cenário de combustíveis caros, a possibilidade de rodar utilizando energia elétrica se tornou um atrativo importante. O público interessado em tecnologia e sustentabilidade também aparece entre os compradores.

O funcionamento simples é um dos pontos que ajudam a explicar a popularidade crescente. Diferente das motos tradicionais, esses modelos utilizam baterias recarregáveis. O carregamento normalmente ocorre em tomadas comuns de energia elétrica, dentro de casa ou em garagens de condomínio, sem necessidade de estrutura complexa.

Dependendo do modelo e da capacidade da bateria, o tempo de recarga varia entre quatro e oito horas. Muitos usuários realizam o carregamento durante a noite para utilizar o veículo no dia seguinte. Uma única carga pode garantir dezenas de quilômetros de deslocamento, suficiente para trajetos urbanos curtos e médios.

Impacto ambiental e redução de ruído nas cidades

Outro ponto que chama atenção nesse tipo de transporte é o impacto ambiental. Diferentemente dos motores a combustão, as motos elétricas não produzem gases poluentes durante o uso. Esse fator contribui para reduzir a emissão de poluentes no ambiente urbano, especialmente em cidades com grande circulação de veículos.

Os engenheiros Kleber Aristides e Prandy Lovo ligados ao Centro Universitario FMU, explicam que a adoção desses veículos pode trazer benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a dinâmica das cidades. Segundo eles, os motores elétricos ajudam a diminuir a emissão de poluentes e também reduzem a poluição sonora nas áreas urbanas.

“Além de não emitirem gases durante o funcionamento, as motos elétricas operam de forma muito mais silenciosa. Isso contribui para melhorar a qualidade do ar e reduzir o excesso de ruído nas ruas, especialmente em regiões com grande circulação de veículos”, afirmam os engenheiros.

A expansão desse tipo de mobilidade acompanha transformações observadas em diferentes centros urbanos do mundo. A busca por alternativas menos poluentes e mais econômicas tem impulsionado o desenvolvimento de veículos elétricos leves em várias cidades.

Além do impacto ambiental, o menor nível de ruído também altera a dinâmica das ruas, principalmente em áreas residenciais. Com custos reduzidos de manutenção e abastecimento, esses modelos acabam atraindo usuários que antes dependiam exclusivamente de motocicletas tradicionais ou do transporte coletivo para se deslocar.

Regras de trânsito ainda geram dúvidas entre condutores de motos (scooters) elétricas

Apesar da popularidade crescente, muitos condutores ainda não sabem exatamente quais regras devem seguir. A legislação brasileira diferencia motocicletas elétricas, ciclomotores e bicicletas elétricas de acordo com potência, velocidade e características técnicas.

As normas estão previstas na Resolução Contran nº 996/2026. Dependendo da classificação do veículo, as exigências mudam significativamente. Quando o modelo é enquadrado como motocicleta elétrica, ele precisa cumprir as mesmas regras aplicadas às motos convencionais.

Nesse caso, são obrigatórios o emplacamento, o licenciamento anual e a Carteira Nacional de Habilitação categoria A. O veículo também deve possuir equipamentos de segurança como velocímetro, buzina e setas dianteiras e traseiras. O uso de capacete também é exigido para o condutor.

Modelos de menor potência podem ter exigências diferentes, o que gera parte da confusão entre usuários. Em alguns casos, a aparência semelhante entre veículos elétricos contribui para que muitos condutores não saibam exatamente em qual categoria o modelo se enquadra.

Controle das motos elétricas em Goiânia envolve diferentes autoridades de trânsito

O acompanhamento do uso desses veículos nas ruas não é feito diretamente pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás. A fiscalização nas vias públicas é realizada por órgãos como a Guarda Civil Metropolitana, a Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito.

O coordenador de trânsito Éber Saraiva explica que um dos desafios enfrentados pelos órgãos públicos está relacionado à origem de parte dos veículos vendidos no país. Muitos modelos foram comercializados como kits elétricos e não passaram por processos formais de registro.

Nesses casos, o veículo pode não possuir cadastro nos departamentos de trânsito. Quando um condutor é abordado sem habilitação ou utilizando um veículo não licenciado, a remoção pode ocorrer durante a fiscalização nas ruas.

A Guarda Civil Metropolitana informou que ações educativas devem preceder operações de fiscalização mais amplas. Com custos menores de uso, a tendência é que as motos elétricas em Goiânia continuem ganhando espaço no trânsito da capital.

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Felipe Cordeiro
Autor: Felipe Cordeiro

Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.

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