Mounjaro e Zepbound podem ficar mais baratos com aprovação de projeto que quebra patente

Urgência aprovada abre caminho para votação direta no plenário e reacende debate sobre acesso a tratamentos de alto custo no Brasil

Mounjaro e Zepbound podem ficar mais baratos com aprovação de projeto que quebra patente

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), a urgência de um projeto que pode autorizar a quebra de patente do Mounjaro e Zepbound (tirzepatida), medicamentos usados contra diabetes e obesidade. A decisão antecipa o debate e coloca o tema no centro da agenda legislativa, com impacto direto sobre preços, acesso e políticas públicas de saúde.

Com o regime de urgência aprovado, o texto segue direto para análise em plenário, sem passar pelas comissões permanentes da Casa. O projeto é o PL nº 68/2026, de autoria do deputado Mário Heringer (PDT-MG). O texto classifica os medicamentos como de interesse público, condição prevista em lei para permitir a quebra de patente em situações específicas.

Na prática, a medida reduz prazos e elimina etapas do processo legislativo, acelerando uma decisão que pode alterar o mercado farmacêutico. O tema mobiliza parlamentares, especialistas em saúde e pacientes que enfrentam custos elevados para manter o tratamento.

Mounjaro e Zepbound podem ficar mais baratos e facilitar tratamento

Ao justificar a iniciativa, o autor do projeto aponta o preço do Mounjaro e Zepbound como principal obstáculo ao uso amplo. “Ocorre que o preço comercial desses medicamentos é simplesmente impeditivo aos objetivos de uma medicina de massa, que precisa, hoje, tratar mais da metade da população adulta de um país que ultrapassa os duzentos milhões de habitantes”.

Segundo o parlamentar, o custo elevado impede até mesmo a incorporação pelo Sistema Único de Saúde. Na avaliação dele, o impacto financeiro extrapola a capacidade do SUS e afeta diretamente o orçamento das famílias.

Heringer afirma que o cidadão comum não consegue sustentar o tratamento de forma contínua, já que os valores praticados “ultrapassam o próprio salário-mínimo nacional”. O argumento tem sido repetido por defensores da quebra de patente como estratégia para ampliar o acesso. Com a aprovação do projeto de lei, a tirzepatida (Mounjaro e Zepbound) pode ficar mais barata e facilitar tratamentos.

A discussão ocorre em meio ao crescimento da obesidade e do diabetes no Brasil, doenças crônicas que exigem tratamento prolongado. Parlamentares veem o projeto como resposta a uma demanda social crescente por alternativas viáveis.

Situação regulatória no Brasil

O Mounjaro, fabricado pela Eli Lilly, recebeu aprovação da Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 em 2023. O medicamento ganhou projeção nacional pelo efeito também associado à perda de peso. Em junho de 2025, a agência ampliou a autorização para uso em casos de obesidade e sobrepeso com comorbidades. A decisão impulsionou a procura, mas manteve o debate sobre preços e acesso restrito.

Já o Zepbound, que utiliza o mesmo princípio ativo, ainda não tem aprovação comercial da Anvisa. O medicamento não está oficialmente disponível nas farmácias brasileiras, apesar da expectativa em torno de sua liberação.

Com a urgência aprovada, o projeto passa a ser tratado como prioridade política. A votação final no plenário pode ocorrer a qualquer momento, mantendo o tema no centro das atenções do Congresso e do setor de saúde.

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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

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