Primeiro museu da capital volta a receber visitantes com prédio restaurado, melhorias estruturais e mostra inédita de artistas goianos
O Museu Goiano Zoroastro Artiaga, conhecido como Muza e localizado na Praça Cívica, em Goiânia, reabre ao público nesta quarta-feira, 11 de março, às 9h30. Após meses fechado para restauração, o edifício histórico volta a receber visitantes com estrutura recuperada, novos recursos de acessibilidade e uma exposição inédita de arte contemporânea goiana.
A intervenção foi conduzida pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Iniciadas em novembro de 2024, as obras recuperaram características originais do prédio em estilo Art Déco e prepararam o espaço para uma nova fase cultural. O Muza é considerado o primeiro museu da capital e integra um dos conjuntos arquitetônicos históricos mais conhecidos da cidade.
Com investimento de R$ 6,6 milhões do Tesouro Estadual, o projeto priorizou a preservação do patrimônio tombado. A obra incluiu restauração da cobertura, recuperação de alvenarias, conservação de pisos históricos e recomposição de adornos e elementos decorativos presentes no edifício.
Também foram executadas melhorias estruturais, atualização dos sistemas elétrico e luminotécnico e reforço da drenagem do prédio. A intervenção contemplou ainda adequações de acessibilidade, modernização da museografia e implantação de sistemas alinhados às normas de prevenção e combate a incêndios.
Segundo a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, a entrega do espaço restaurado tem significado histórico para a cidade e para a preservação cultural em Goiás. “Estamos falando de um equipamento cultural estratégico, que reúne valor histórico, arquitetônico e simbólico. A restauração do Museu Zoroastro Artiaga garante não apenas a recuperação de um dos principais prédios do conjunto Art Déco de Goiânia, mas também condições adequadas para que ele continue cumprindo seu papel educativo, cultural e social junto à população”, destaca.
A reabertura do Muza será acompanhada pela estreia da exposição “Manarairema – Arte Contemporânea em Goiás”. A mostra reúne artistas que atuam em diferentes linguagens e propõe uma leitura atual sobre a produção artística no estado.
Organizada pela Secult com apoio da Cerrado Galeria, a exposição faz parte da programação especial de retorno do museu. O projeto propõe reflexões sobre o território goiano, suas memórias, conflitos e transformações ao longo do tempo.
A coordenação é de Melissa Alves, enquanto a curadoria foi realizada por Débora Duarte, Benedito Ferreira e Divino Sobral. A proposta parte de uma referência literária ao romance A Hora dos Ruminantes, publicado em 1966 pelo escritor goiano José J. Veiga.
No livro, o autor cria a cidade fictícia de Manarairema. A exposição utiliza essa referência para construir uma paisagem simbólica no campo das artes visuais. A narrativa literária ganha nova interpretação por meio de obras que conectam passado, presente e experiências contemporâneas.
A seleção de artistas também segue princípios curatoriais alinhados a debates atuais do universo artístico. A proposta considera equilíbrio de gênero, diversidade racial e a valorização de produções realizadas fora da capital.
O conjunto reúne criadores negros e brancos, mulheres e homens, com trajetórias variadas dentro da arte goiana. A diversidade das obras amplia as leituras possíveis sobre a produção cultural do estado e evidencia diferentes experiências estéticas e sociais.
Participam da exposição Abraão Veloso, André Felipe Cardoso, Cassia Nunes, Emilliano Freitas, Estêvão Parreiras, Evelyn Cruvinel, Fernanda Adamski, Gabriela Chaves, Genor Sales, Hariel Ravignet, Joardo Filho, Lina Cruvinel, Lucélia Maciel, Manuela Costa Silva, Mestre Guaraná, Rafael de Almeida, Raquel Rocha, Rebeca Miguel, Rei Souza, Talles Lopes, Thays Thyr, Valdson Ramos, Verônica Santana, Walter Pimentel, William Maia e Xica.
A exposição permanece aberta até 17 de maio. O público poderá visitar o museu de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com entrada gratuita.
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Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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