Em todas as regiões surgem murais assinados pelas artistas femininas de Goiânia
Em Goiânia, os muros estão falando mais alto — e quem escuta com atenção percebe vozes femininas ganhando força no cenário do grafite. Em uma cidade onde, por muito tempo, a arte urbana foi dominada por homens, o surgimento de artistas mulheres, talentosas e engajadas, vem redesenhando não apenas as paredes, mas também o imaginário cultural da capital goiana. Um dos exemplos mais potentes dessa nova geração é Jessica Muriel, conhecida como Mury, artista multilinguagem que acaba de finalizar o maior mural de sua carreira no bairro Negrão de Lima.
Com 42 metros quadrados, a obra contempla muito mais que técnica. É um mergulho na ancestralidade indígena, na biodiversidade do cerrado e na resistência da arte periférica. Mury, que transita pelas artes cênicas, o circo e o muralismo, tem se consolidado como uma voz visual importante ao retratar em suas obras figuras e grafismos de povos originários mesclados com elementos como o lobo-guará, o pequi e o caju. Mais do que decorar, suas pinturas questionam, educam e emocionam.
A produção do mural também revela os bastidores muitas vezes invisíveis da arte urbana: “Foi o mural mais ambicioso que já fiz, tanto pela proporção quanto pela carga simbólica”, disse Mury (Jessica Muriel). E é justamente essa carga simbólica que distingue o grafite feito por essas novas artistas: há intenção, pesquisa e um compromisso com a memória coletiva.
E Mury não está sozinha. Goiânia tem sido o berço de uma geração de grafiteiras que estão transformando a paisagem urbana com cores, símbolos e narrativas potentes. Nomes como Looh, Leoua, Tisha, Anametista, Thai, Margô e Ayah estão deixando suas marcas em muros, painéis e eventos culturais, com traços que carregam identidade, política e poesia. Cada uma com seu estilo e sua linguagem, essas artistas têm feito do grafite um espaço de protagonismo feminino, resistência e criação coletiva.
Em todas as regiões da grande Goiânia surgem murais assinados por essas e outras artistas que resgatam temas urgentes: meio ambiente, ancestralidade, espiritualidade e identidade. São obras que não apenas embelezam a cidade, mas a provocam e abrem caminhos. O grafite feito por mulheres em Goiânia é mais do que arte — é afirmação, é território, é presente e futuro.
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Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
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