Apresentação gratuita no Teatro Sesi reúne obras de Ruth Crawford Seeger, Cláudio Santoro e Beethoven sob regência do maestro Neil Thomson
A Orquestra Filarmônica de Goiás realiza na próxima quinta-feira, 11 de junho, às 20h, mais uma edição da série Concertos Sinfônicos na Capital, no Teatro Sesi, no Setor Santa Genoveva, em Goiânia. Com entrada gratuita e sem necessidade de retirada antecipada de ingressos, o evento será conduzido pelo maestro titular Neil Thomson e terá como destaque a estreia mundial da execução da Sinfonia nº 2, do compositor brasileiro Cláudio Santoro.
A apresentação também contará com obras da compositora norte-americana Ruth Crawford Seeger e do alemão Ludwig van Beethoven, reunindo diferentes períodos e correntes da música de concerto. O programa foi estruturado para apresentar ao público desde experimentações da vanguarda do século XX até uma das sinfonias mais influentes da história da música clássica.
A abertura da noite ficará por conta de “Andante para cordas”, composição escrita em 1931 por Ruth Crawford Seeger. Considerada uma das figuras mais inovadoras da música erudita norte-americana, a compositora desenvolveu uma linguagem musical marcada por experimentações harmônicas e estruturas incomuns para a época.
Segundo Neil Thomson, a obra permanece surpreendentemente moderna mesmo décadas após sua criação.
“O Andante para cordas, escrita em 1931, apresenta uma vanguarda tão notável que poderia facilmente ser associada à década de 1960.”
A peça é frequentemente citada por estudiosos da música contemporânea como uma das obras fundamentais da produção vanguardista do século XX, especialmente pelo uso inovador de texturas sonoras e pela intensidade emocional construída ao longo da composição.
O ponto central do concerto será a execução da Sinfonia nº 2, de Cláudio Santoro, em uma apresentação considerada uma estreia mundial da obra em concerto pela Orquestra Filarmônica de Goiás.
Composta em 1945, a sinfonia pertence a um período em que Santoro explorava linguagens modernas inspiradas pelas tendências internacionais da música erudita. A obra tem aproximadamente 20 minutos de duração e utiliza recursos que rompem com o nacionalismo musical presente em trabalhos anteriores do compositor.
Entre as características técnicas da peça está o uso de procedimentos ligados ao chamado dodecafonismo, sistema desenvolvido pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg, no qual as doze notas da escala cromática recebem importância equivalente dentro da construção musical.
Cláudio Santoro é considerado um dos nomes mais importantes da música clássica brasileira do século XX. Sua produção influenciou gerações de compositores e ajudou a ampliar o diálogo entre a música brasileira e as correntes internacionais da época.
Encerrando a programação, a Filarmônica interpretará a Sinfonia nº 3 em Mi bemol Maior, Op. 55, conhecida mundialmente como Eroica.
Composta entre 1803 e 1804, a obra ocupa posição central na história da música ocidental por representar a transição entre o período clássico e o romantismo. Sua estrutura ampliada, intensidade dramática e profundidade emocional influenciaram profundamente os compositores que vieram depois de Beethoven.
Neil Thomson destaca um dos episódios mais conhecidos envolvendo a criação da sinfonia.
“Originalmente dedicada a Napoleão Bonaparte, quando ele se declarou imperador, Beethoven, furioso com a traição aos ideais republicanos, apagou a dedicatória da folha de rosto e a renomeou como Eroica (Heroica).”
A composição também inovou por sua duração, significativamente superior à média das sinfonias da época, além de apresentar uma complexidade estrutural que transformou os padrões do gênero.
Criada em 1980, a Orquestra Filarmônica de Goiás é considerada uma das principais formações sinfônicas do país. Ao longo das últimas décadas, o grupo passou a ocupar espaço de destaque em festivais, gravações e circuitos especializados de música clássica.
O reconhecimento internacional ganhou novo impulso após avaliações positivas da revista britânica Gramophone, uma das publicações mais respeitadas do setor musical. A revista destacou o nível artístico da orquestra e a qualidade de suas gravações, contribuindo para ampliar sua projeção fora do Brasil.
Atualmente, a Filarmônica está vinculada à Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, iniciativa ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Goiás e administrada pelo Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás.
Eventos com entrada gratuita têm desempenhado papel importante na democratização do acesso à música de concerto no Brasil. Segundo dados de instituições culturais e pesquisas do setor, o custo dos ingressos ainda é um dos principais obstáculos para a formação de novas plateias de música clássica.
Ao oferecer apresentações abertas ao público, iniciativas como os Concertos Sinfônicos na Capital permitem que estudantes, famílias e pessoas sem contato prévio com o repertório erudito tenham acesso a obras fundamentais da história da música.
Além da formação de público, esse tipo de programação contribui para a valorização de compositores brasileiros e para a difusão de repertórios raramente executados nos palcos nacionais.
Concertos Sinfônicos na Capital
Data: Quinta-feira (11/6), às 20h
Local: Teatro Sesi - Av. João Leite, nº 1013, Setor Santa Genoveva, Goiânia (GO)
Entrada: Gratuita
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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