Busca por bem-estar, memória afetiva e conexão social leva consumidores a priorizarem vivências no lugar de bens materiais
A forma como as pessoas consomem mudou, e essa transformação já é percebida no dia a dia e nas estratégias das empresas. Em vez de acumular bens, consumidores têm priorizado o consumo é experiências, como viagens, gastronomia e eventos, em busca de significado, conexão e bem-estar. Esse movimento, impulsionado principalmente por jovens, vem redesenhando o mercado e alterando o peso das decisões de compra.
Enquanto objetos perdem valor emocional com o tempo, vivências permanecem na memória e são revisitadas por meio de lembranças e histórias compartilhadas. Esse comportamento também dialoga com mudanças sociais mais amplas, como o crescimento da economia compartilhada e a valorização do acesso em vez da posse.
A mudança no comportamento do consumidor está diretamente ligada à forma como as pessoas passaram a enxergar valor. O foco deixa de ser o objeto em si e passa a ser a experiência que ele proporciona. Esse deslocamento altera desde pequenas escolhas do cotidiano até decisões maiores, como viagens e investimentos pessoais.
Segundo Daniela Fernandes, coordenadora de negócios, essa percepção tem se intensificado nos últimos anos “Porque muita gente passou a perceber que ‘ter’ não entrega, sozinho, a mesma sensação que ‘viver’. As compras experienciais, como viagens, refeições especiais e eventos, tendem a gerar mais felicidade, conexão social, significado e memória do que compras materiais.”
Na prática, isso se reflete em um consumidor que busca momentos que façam sentido, que criem lembranças e que estejam alinhados com seu estilo de vida. Não se trata apenas de consumir, mas de viver algo que possa ser sentido, compartilhado e lembrado, originando assim esse boom do consumo é experiências.
Essa transformação também impacta diretamente o mercado. Com produtos cada vez mais semelhantes e competitivos, as empresas passaram a olhar para além daquilo que vendem e passaram a investir na forma como entregam.
Hoje, a experiência do cliente envolve diversos fatores, como ambiente, atendimento, narrativa e relacionamento. A jornada completa ganha importância e se torna parte essencial da percepção de valor Danila reforça que essa transformação move os planos das empresas.
“Essa mudança mexe diretamente com a estratégia das empresas. Antes, bastava ter um bom produto, hoje, é preciso desenhar uma jornada que atrai e encanta.”
Esse movimento é visível em diferentes setores, do varejo à gastronomia, passando pelo turismo e pelo entretenimento. Marcas que conseguem criar experiências marcantes tendem a gerar maior conexão e fidelização.
As redes sociais tiveram papel decisivo nessa mudança de comportamento. Ao transformar experiências em conteúdo, elas ampliaram o valor simbólico dessas vivências e influenciaram diretamente a forma como as pessoas consomem.
A especialista destaca que hoje, consumir também envolve compartilhar. Restaurantes são escolhidos pelo ambiente, viagens pela experiência e marcas pela sensação que despertam. O consumo passa a ser também uma forma de expressão ou estilo de vida.
“Hoje, está muito mais ligado à experiência, ao bem-estar e àquilo que gera memória. As redes sociais fortaleceram isso, porque as pessoas não querem apenas comprar, querem viver algo que tenha significado.”
Esse cenário é especialmente forte entre millennials e geração Z, que cresceram conectados e têm uma relação diferente com o consumo, priorizando vivências e propósito.
Em um mercado com alta concorrência, a experiência passou a ser um fator decisivo. O consumidor não escolhe apenas pelo preço ou pelo produto, mas pela forma como se sente durante todo o processo.
Ainda assim, a experiência não elimina a importância da qualidade, mas se soma a ela, ampliando a percepção de valor e a relação com o consumidor. Empresas que conseguem equilibrar entrega, preço e vivência tendem a se destacar em um cenário cada vez mais orientado por emoções, memória e significado.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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