Entenda por que o uso exagerado da tecnologia virou um desafio para a saúde mental, segundo especialista

Especialista alerta para efeitos psicológicos de uso excessivo das telas e redes sociais

Entenda por que o uso exagerado da tecnologia virou um desafio para a saúde mental, segundo especialista

A crescente presença da tecnologia no cotidiano tem transformado a rotina de milhões de pessoas, mas também ampliado preocupações sobre seus efeitos na saúde mental. Pesquisas e especialistas apontam que a exposição contínua a dispositivos e plataformas digitais, especialmente as redes sociais, está associada aos sintomas de ansiedade, depressão, alterações no sono e prejuízos cognitivos, em especial em quem usa as ferramentas de forma exagerada.

Segundo o psiquiatra Flávio Augusto de Morais, médico cooperado da Unimed Goiânia, a tecnologia trouxe benefícios importantes na organização do dia a dia, facilitando tarefas que antes demandavam mais tempo. “A tecnologia hoje ajuda muito no gerenciamento de atividades que antes demandavam mais tempo. Principalmente com a introdução da inteligência artificial, tarefas como edição de texto ou trabalhos mais manuais podem ser delegadas a essas ferramentas. Isso é favorável porque libera tempo para que a pessoa possa se dedicar a si mesma. Esse é um aspecto positivo.”

No entanto, o especialista ressalta que esse tempo extra nem sempre é usado de forma saudável. “Muitas vezes, esse tempo livre é novamente gasto com a própria tecnologia, em atividades consideradas prejudiciais do ponto de vista da saúde mental, como o uso excessivo de redes sociais, jogos on-line ou a permanência prolongada em aplicativos de vídeos curtos. Isso pode ser extremamente prejudicial.” Esse alerta está alinhado a estudos que mostram como o uso intensivo de telas pode interromper ciclos de sono e agravar sentimentos de ansiedade ou depressão.

Redes sociais, comparação e os efeitos silenciosos na saúde mental

Especialistas em saúde mental destacam que grande parte dos efeitos negativos está relacionada à comparação constante nas redes sociais. A exposição a imagens idealizadas e vida “perfeita” de outros usuários pode reduzir a autoestima e aumentar a sensação de inadequação, especialmente entre jovens. “Isso ocorre porque há uma constante exposição a conteúdos que estimulam a comparação entre a vida real e a vida idealizada apresentada nas redes. Essa comparação costuma reduzir a autoestima, levando o indivíduo a acreditar que aquela narrativa exibida é verdadeira e diretamente comparável à sua própria realidade, que naturalmente envolve limitações e dificuldades”, explicou o psiquiatra.

Esse fenômeno é reforçado por estudos que associam uso excessivo de redes sociais a sentimentos de solidão, ansiedade e competências sociais prejudicadas.

Uso excessivo da tecnologia agrava distúrbios do sono, aponta médico

A interferência da tecnologia na rotina de descanso também é um ponto de atenção. A exposição à luz das telas perto da hora de dormir pode atrapalhar os ritmos naturais do sono, levando à dificuldade para iniciar ou manter o descanso noturno. A medicina do sono e especialistas em comportamento digital concordam que o uso de dispositivos à noite está relacionado a pior qualidade do sono e consequências como irritabilidade e diminuição da capacidade de concentração.

Conforme observa Flávio Augusto de Morais, “no caso do sono, o impacto é ainda mais evidente. O uso de tecnologia próximo ao horário de dormir prejudica a qualidade do sono, dificultando tanto o início quanto a manutenção do descanso. Pessoas que utilizam celular e redes sociais durante a madrugada tendem a apresentar grande prejuízo no dia seguinte, em razão da má qualidade do sono.”

Sinais de alerta e uso consciente

Identificar quando o uso da tecnologia começa a prejudicar a vida de alguém é essencial para promover equilíbrio. Flávio Augusto de Morais explica que “qualquer prejuízo significativo na vida da pessoa já deve ser considerado um sinal de alerta. Quando alguém começa a abdicar da interação social presencial… e passa a substituir atividades reais por interações mediadas pela tecnologia, isso merece atenção.”

Ele cita sinais como alterações de humor, sintomas depressivos e abandono de atividades prazerosas como indicadores importantes de que o uso digital pode estar interferindo na saúde mental.

Para promover um uso mais saudável, o psiquiatra recomenda limitar o tempo nas telas e investir em hábitos que fortaleçam relações sociais e bem-estar físico. “O primeiro passo é limitar o tempo de uso, o que é fundamental. Para isso, podem ser utilizados aplicativos que ajudam a controlar e restringir o tempo gasto em determinadas plataformas”, afirmou, lembrando também que a tecnologia pode ser uma aliada, por exemplo, facilitando o acesso a práticas como meditação por meio de aplicativos.

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Vinícius Lima
Autor: Vinícius Lima

Jornalista e pós-graduando em Marketing, apaixonado por comunicação e pela criação de conteúdo geek. Entusiasta de cultura, viagens e esportes, busca transformar informação e experiência em conteúdos claros, acessíveis e que realmente facilitem a vida das pessoas.

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