Novo jogo da Capcom aposta nos acertos do passado e agrada diferentes fãs da franquia
Resident Evil: Requiem lançou dia 27 de fevereiro de 2026, como o 9° título da principal franquia da Capcom. O jogo foi um sucesso imediato de vendas, com mais de 6 milhões de cópias vendidas em diferentes plataformas, menos de um mês após o lançamento.
Além de ter sido um sucesso de vendas, Resident Evil: Requiem agradou à crítica especializada e, surpreendentemente, dois polos opostos de fãs da franquia: por um lado os que amam a fórmula Survival Horror mais focada em terror, como em Resident Evil 2, e por outro o que preferem os jogos de ação da franquia, como em Resident Evil 4.
Os anseios antagônicos de diferentes fãs de Resident Evil foram apaziguados no jogo por meio de uma jornada dupla muito bem executada. Quem protagoniza essa jornada é Leon S. Kennedy, o protagonista de Resident Evil 4, que agora volta com mais experiência e confiança do que nunca, juntamente com Grace Ashcroft, agente do FBI ainda sem muita experiência prática.

Os trechos jogados com Grace são marcados pela atmosfera de horror, insegurança e medo, lembrando bastante o Resident Evil 7: Biohazard, refletindo perfeitamente os medos da nova protagonista da franquia que inicialmente investiga o Hotel Rainwood, palco de traumas passados de sua vida, em busca da causa de mortes misteriosas que estão ocorrendo.
Em paralelo, Leon também é um personagem jogável, e protagoniza trechos de ação, em que tem maior arsenal e variações de combate, representando a maturidade de um personagem bem conhecido pelos fãs, lembrando a jogabilidade de Resident Evil 4. O protagonista revisita locais de Racoon City e ajuda Grace a enfrentar ameaças que inicialmente assombram a personagem.
O que mais me agradou no jogo foi o cuidado da Capcom com dois públicos distintos, por meio de um aperfeiçoamento de tudo do melhor que a franquia já entregou. Apesar de se inspirar nas formas de outros jogos da franquia, Resident Evil: Requiem é extremamente original e conciso, sempre apresentando mecânicas novas e trechos que não são repetidos durante o jogo.
Na contemporaneidade o tempo é escasso, e a Capcom parece ter entendido que seu público é aquele que cresceu jogando Resident Evil 4 no PlayStation 2, mas que hoje vive uma rotina pesada e lotada de responsabilidades, afinal, ninguém está com tempo de sobra. Resident Evil: Requiem é a prova da autoconfiança que a desenvolvedora tem da sua capacidade de produzir bons jogos.

O jogo tem cerca de 10 horas de duração, e em nenhum momento da campanha eu senti que o jogo estava sendo massante, pelo contrário: senti que cada trecho do jogo foi minunciosamente pensado para funcionar da melhor maneira possível para a experiência final.
Quando um trecho de terror protagonizado por Grace chega perto de se tornar cansativo, o jogo narrativamente introduz Leon para equilibrar e tornar o jogo agradável para diferentes públicos: e vice-versa. Por fim, Resident Evil: Requiem é um jogo lotado de autoconfiança e qualidade que, pela primeira vez na história da franquia, conseguiu agradar dois lados opostos de uma mesma moeda.
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Gabriel Dias é estudante de Jornalismo na UFG, repórter, gamer e apreciador da sétima arte. Além de ser jornalista, ama profundamente estudar filosofia; afinal, sempre foi extremamente curioso com o mundo à sua volta. Por fim, pensa que a beleza da existência está na simplicidade e nas conexões que nos fazem humanos. Contatos: [email protected] / @gabrieldiasjornal.
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