“Rio de Sangue” faz uma crítica ao garimpo e sua fome sangrenta por ouro, mas peca na execução

Entre acertos e erros, o novo thriller de Gustavo Bonafé estrelado por Giovanna Antonelli expõe os horrores do garimpo na região norte do Brasil

Rio de Sangue faz uma crítica ao garimpo e sua fome sangrenta por ouro, mas peca na execução

A convite da Buena Vista International, a vertical de filmes nacionais da The Walt Disney Company, a Gazeta Culturismo participou da cabine de imprensa de “Rio de Sangue”, realizada neste sábado (28).

O garimpo ilegal é, inegavelmente, responsável por uma das maiores crises humanitárias contra povos indígenas do Brasil, destruindo culturas e lares. Com base nessa cruel realidade, o filme Rio de Sangue é uma ficção que tenta traduzir os efeitos dessa crise, mas, em muitos momentos, falha na execução.

Dirigido por Gustavo Bonafé (Legalize Já!), o thriller policial acompanha Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli), policial afastada que se muda para Santarém-PA após ser jurada de morte pelo narcotráfico. Na cidade, ela tenta se reaproximar da filha Luiza (Alice Wegmann), médica voluntária que presta assistência aos Munduruku no Alto Tapajós. As filmagens ocorreram em Santarém e foram concluídas em setembro de 2024.

Um thriller que acerta na intenção mas tropeça na execução

O que mais se destaca é a importância simbólica do filme: levar aos grandes cinemas o debate sobre a preservação da cultura originária e da Amazônia. Essa visibilidade se traduz na participação do ator indígena Fidelis Baniwa, que carrega os melhores diálogos da obra.

A boa intenção, porém, não sustenta a obra sozinha. Ao tratar o conflito do garimpo como melodrama, o filme “Rio de Sangue” cai em clichês e simplifica questões fundamentais para entender o problema, despolitizando o fenômeno e reduzindo tudo ao embate entre “bem” e “mal”.

A direção, por outro lado, é consistente. As cenas de ação são bem executadas e frenéticas, traduzindo com eficiência o que os personagens sentem. O ritmo é equilibrado e faz bom uso do tempo.

O roteiro, no entanto, é o principal problema. Bagunçado e indeciso, alterna entre os personagens interpretados por Giovanna e Fidelis Baniwa sem desenvolver satisfatoriamente nenhum dos dois, e os personagens parecem mudar de convicção a cada cena.

O protagonismo indígena, que poderia ser o coração do filme, fica subdesenvolvido, e a resolução final tende a individualizar o problema do garimpo, ignorando o aparato econômico e político por trás dele.

“Rio de Sangue” tem uma premissa necessária e ainda pouco explorada no audiovisual mainstream, mas simplifica demais uma ferida gigantesca da história contemporânea do Brasil. Tecnicamente acertado, o filme deixa de lado a seriedade que o tema exige.

O filme estreia nos cinemas dia 16 de abril.


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Autor: Gabriel Dias

Gabriel Dias é estudante de Jornalismo na UFG, repórter, gamer e apreciador da sétima arte. Além de ser jornalista, ama profundamente estudar filosofia; afinal, sempre foi extremamente curioso com o mundo à sua volta. Por fim, pensa que a beleza da existência está na simplicidade e nas conexões que nos fazem humanos. Contatos: [email protected] / @gabrieldiasjornal.

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