Olimpíada de matemática que reuniu 18 milhões de estudantes terá prova decisiva neste sábado

Segunda etapa da olimpíada reúne seis questões discursivas, dura três horas e define os estudantes que concorrem a medalhas e menções honrosas em todo o país

segunda fase da OBMEP 2026

A segunda fase da OBMEP 2026 acontece no próximo sábado, 17 de outubro, às 14h30, e muda completamente o formato enfrentado pelos estudantes na etapa inicial. Em vez das questões objetivas da primeira prova, os classificados terão de resolver seis problemas discursivos e mostrar o caminho utilizado até a resposta. A avaliação terá três horas de duração e começará simultaneamente pelo horário de Brasília.

Cerca de 18,3 milhões de estudantes participaram da primeira fase da 21ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Agora, porém, apenas os classificados seguem na disputa pelas premiações nacionais e estaduais. Como a nota anterior serviu somente para definir quem avançaria, o desempenho que vale para a premiação começa nesta segunda etapa.

Segunda fase da OBMEP 2026 terá seis questões discursivas

Cada uma das seis questões poderá valer até 20 pontos, o que leva a prova a um total de 120 pontos. Por isso, chegar ao resultado correto não representa o único critério de avaliação. O estudante precisa organizar os cálculos, explicar as etapas e deixar o raciocínio legível para que os corretores consigam acompanhar a solução apresentada.

Essa característica também permite pontuação parcial quando o aluno desenvolve parte do problema corretamente. “Na segunda fase, não basta chegar ao resultado: o corretor avalia o raciocínio, e a correção dá pontuação parcial”, explica Kassiopeya Costa, diretora pedagógica do SAS Educação. Assim, mesmo quando a resposta final não aparece, registrar um caminho matemático consistente pode fazer diferença na nota.

A divisão dos participantes continua obedecendo à escolaridade. O Nível 1 reúne estudantes do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, enquanto o Nível 2 abrange alunos do 8º e 9º anos. Já o Nível 3 corresponde ao Ensino Médio, e estudantes da Educação de Jovens e Adultos entram nos níveis equivalentes à etapa que cursam.

Treinar com provas anteriores pode ajudar na preparação

Na reta final, resolver questões de edições anteriores permite conhecer melhor o estilo da segunda fase da OBMEP 2026. Como a prova exige desenvolvimento escrito, o treino não deve se limitar a encontrar a resposta. O estudante precisa praticar também a organização dos cálculos e a explicação das estratégias usadas em cada problema.

Kassiopeya recomenda marcar o tempo durante esses exercícios para entender quanto cada questão consome. Além disso, a especialista orienta o candidato a ler os enunciados com calma, separar os dados fornecidos e identificar exatamente o que o problema solicita. Segundo ela, dificuldades de interpretação também podem levar a erros mesmo quando o aluno domina o conteúdo matemático.

Por outro lado, não concluir uma questão não significa que o estudante deva abandonar o que conseguiu desenvolver. Como os corretores consideram o raciocínio apresentado, escrever fórmulas, relações, tentativas válidas e etapas corretas pode render pontos. Portanto, deixar apenas uma resposta isolada pode ser menos eficiente do que mostrar claramente como se chegou até ela.

Documento com foto é obrigatório no dia da prova

Os classificados devem conferir antecipadamente o Centro de Aplicação indicado pela organização. O IMPA disponibilizou os locais em agosto e também gerou um cartão informativo com endereço, nome e código de cada participante. No sábado, o estudante precisa comparecer ao local com documento de identificação com foto.

A prova começa rigorosamente às 14h30, pelo horário de Brasília, mesmo em regiões brasileiras que adotem outro horário local. Existe tolerância máxima de 20 minutos para atraso. Entretanto, quem chegar depois do início não ganhará tempo adicional, pois os minutos de atraso serão descontados das três horas disponíveis.

Por isso, o planejamento do deslocamento merece atenção, principalmente para estudantes que farão a avaliação fora da própria escola. O IMPA define os centros de aplicação considerando critérios de logística, segurança e proximidade, mas não oferece auxílio para transporte, alimentação ou deslocamento dos participantes.

Celular, calculadora e relógio não podem entrar na sala

Durante a segunda fase da OBMEP 2026, o estudante deve manter consigo apenas lápis, borracha e caneta esferográfica azul ou preta. As respostas podem ser registradas a lápis ou caneta, desde que permaneçam legíveis para a correção. Já livros, anotações e materiais de consulta não entram na sala.

A organização também proíbe calculadoras, celulares, smartphones, tablets, relógios, fones de ouvido e outros dispositivos eletrônicos. Assim, quem costuma acompanhar o tempo pelo telefone ou relógio deve considerar essa restrição antes de entrar para a avaliação. O regulamento permite levar lanche para consumir durante o período da prova.

Nos primeiros 45 minutos, nenhum participante poderá entregar a avaliação ou sair da sala. Depois desse período, as regras de aplicação permitem a saída conforme as orientações dos responsáveis pelo centro. Para estudantes com atendimento especializado previsto no regulamento, a duração pode chegar a quatro horas.

Nota da primeira fase não entra na disputa por medalhas

Embora a primeira etapa tenha definido os classificados, sua pontuação não será somada ao resultado deste sábado. O regulamento estabelece que aquela prova teve caráter eliminatório para acesso à segunda fase. Portanto, a classificação para medalhas e menções depende do desempenho na avaliação discursiva.

Essa mudança dá aos classificados uma nova disputa a partir do zero. Um estudante que avançou com pontuação próxima ao corte de sua escola, por exemplo, não carrega qualquer desvantagem numérica da primeira fase. Da mesma maneira, uma nota alta em junho não oferece pontos extras na classificação final.

A correção também considera separadamente os três níveis da olimpíada. Depois da aplicação, comitês ligados às coordenações regionais analisam as provas seguindo os critérios definidos pela OBMEP. O resultado dos premiados está previsto para 15 de dezembro.

OBMEP distribuirá 8,4 mil medalhas nacionais

A 21ª edição prevê 8.450 medalhas nacionais. Desse total, serão 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze, distribuídas entre estudantes de escolas públicas e privadas conforme as regras de cada categoria. A organização também concederá até 51 mil certificados de menção honrosa.

Ao mesmo tempo, a OBMEP mantém uma premiação estadual separada, com pelo menos 20,5 mil medalhas previstas em 2026. Essas medalhas reconhecem os melhores desempenhos dentro das unidades da Federação, mas seguem critérios diferentes da classificação nacional e não garantem participação no Programa de Iniciação Científica Júnior.

Já os medalhistas nacionais de escolas públicas poderão participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), conforme as regras divulgadas pelo IMPA. O programa pode incluir bolsa mensal de R$ 300 do CNPq para estudantes da rede pública que cumprirem os requisitos. Para os premiados de escolas privadas, o regulamento prevê participação como ouvintes, sem a bolsa do programa.

O que revisar antes da segunda fase da OBMEP 2026

Com poucos dias até a prova, a prioridade pode ficar menos na tentativa de aprender grandes blocos de conteúdo e mais na familiarização com problemas discursivos. Resolver edições anteriores permite reconhecer como a olimpíada apresenta situações de lógica, geometria, aritmética e outros conteúdos da Educação Básica.

Ao mesmo tempo, revisar erros dos próprios exercícios ajuda a identificar dificuldades de interpretação ou etapas que costumam desaparecer da resolução escrita. Como a prova valoriza o desenvolvimento, organizar o pensamento de maneira compreensível também faz parte da preparação.

No sábado, portanto, o estudante precisa combinar conhecimento matemático com administração do tempo e clareza na escrita. A segunda fase da OBMEP 2026 exige não apenas descobrir uma resposta, mas demonstrar matematicamente por que aquela solução funciona.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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