Brinquedos macios e coloridos podem oferecer riscos diferentes conforme a faixa etária; pediatra orienta sobre escolha, conservação e uso seguro
Coloridos, macios e feitos para serem apertados repetidamente, os squishies ganharam espaço entre as crianças e também nas redes sociais. Com a proximidade do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, os brinquedos podem aparecer entre as opções de presente, mas os cuidados mudam de acordo com a idade e a forma de uso.
Nos primeiros anos de vida, o principal risco está no hábito de levar objetos à boca. Já entre crianças maiores, a atenção também se volta para práticas vistas na internet, como cortar, perfurar ou aquecer o brinquedo. Nesse cenário, a orientação aos responsáveis envolve desde a escolha do produto até a observação de rasgos, vazamentos e outras alterações durante o uso.
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A própria forma como as crianças pequenas exploram o ambiente aumenta o cuidado necessário. Segundo o pediatra Luiz Antônio Torres, cooperado da Unimed Goiânia, formatos que lembram alimentos e aromas adocicados podem estimular o contato com a boca.
“Alguns squishies têm formato de doces, frutas ou pães e podem apresentar aromas adocicados ou artificiais. Para a criança pequena, essas características aumentam o interesse em levar o objeto à boca, morder ou tentar ingerir partes dele. Se houver desprendimento de pequenos fragmentos, existe risco de engasgo e obstrução das vias aéreas”, explica.
Por isso, o médico recomenda atenção especial às crianças menores de três anos e também àquelas que, mesmo mais velhas, ainda costumam colocar objetos na boca. A faixa etária indicada na embalagem do squishies deve orientar a compra, enquanto a supervisão dos adultos precisa considerar o comportamento da criança.
O tema também motivou um alerta recente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Publicada no início de outubro, a orientação chama atenção para procedência, certificação, conservação e uso correto do brinquedo.
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A conservação dos squishies merece atenção independentemente da idade. A recomendação é verificar periodicamente o estado do brinquedo e interromper a brincadeira diante de rasgos, fissuras, desprendimento de tinta ou vazamento do conteúdo interno. Se houver contato com a pele, a área deve ser lavada com água corrente e sabão neutro. Nos olhos, a orientação é usar água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 minutos, sem esfregar.
“O brinquedo danificado deve ser retirado imediatamente da criança. Dependendo da composição, o contato do conteúdo interno com a pele ou os olhos pode provocar irritação, vermelhidão, coceira ou ardência. Se houver ingestão ou dúvida sobre a composição do produto, é importante guardar a embalagem ou fotografar o rótulo, porque essas informações podem auxiliar na orientação e no atendimento”, afirma.
Em caso de ingestão, não se deve provocar vômito. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica pode ser acionado pelo Disque-Intoxicação, no telefone 0800 722 6001. Sinais como engasgo, tosse súbita ou persistente, dificuldade para respirar, alteração na coloração dos lábios, dificuldade para engolir, vômitos repetidos, dor ou distensão abdominal e sonolência incomum exigem avaliação médica.

Com o crescimento, o risco de levar o brinquedo à boca tende a diminuir. Em contrapartida, outros comportamentos passam a preocupar, especialmente quando surgem a partir de vídeos e desafios publicados nas redes sociais.
“A partir da idade escolar, o risco de levar o brinquedo à boca diminui, mas podem surgir outras formas de uso inadequado, como cortar, perfurar ou aquecer o produto por curiosidade ou influência de vídeos. O calor pode alterar os materiais e aquecer o conteúdo interno, enquanto cortes e perfurações podem provocar vazamentos, gerar pequenos fragmentos e ainda envolver o uso de objetos cortantes”, alerta Luiz Antônio.
Para o pediatra, a prevenção não precisa ficar restrita à proibição dos squishies. Conversar sobre o motivo das regras também ajuda a criança a entender por que determinadas experiências mostradas na internet não devem ser reproduzidas. Nesse diálogo, os responsáveis podem orientar os pequenos a procurar um adulto sempre que houver dúvida sobre a maneira correta de utilizar o brinquedo.
Na hora da compra, alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos. A recomendação é observar a procedência, a faixa etária, as informações do fabricante e a presença do selo do Inmetro. Produtos sem identificação ou com odor químico muito forte também merecem atenção. Depois da compra, porém, o cuidado continua: rachaduras, rasgos, vazamentos e desprendimento de tinta indicam que o brinquedo não deve continuar em uso.
“O mais importante é que os pais conheçam o brinquedo que estão oferecendo, respeitem a faixa etária indicada e acompanhem seu estado de conservação. Também é importante estabelecer regras simples de uso. A brincadeira pode fazer parte da rotina da criança, mas precisa acontecer de acordo com a idade e com as orientações de segurança”, conclui.
Antes de entregar o brinquedo à criança, vale conferir a faixa etária e a identificação do fabricante. Durante o uso, os responsáveis devem acompanhar a conservação do produto e evitar que ele seja cortado, perfurado, aquecido ou levado à boca.
Caso os squishies apresente algum dano, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Se houver contato do conteúdo interno com pele ou olhos, ingestão ou qualquer sintoma, a família deve seguir as orientações de primeiros cuidados e procurar atendimento quando necessário.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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