Uma artista que recusa a lógica do esquecimento e transforma cada era em permanência
Taylor Swift se tornou, ao longo de quase duas décadas, mais do que uma popstar global — ela se tornou um fenômeno de permanência. Em uma indústria que consome artistas com a mesma velocidade que descarta tendências, Taylor opera quase como uma exceção biológica do mercado: ela cresce, se transforma, se reinventa e, de algum jeito, permanece. Em 2024, foi reconhecida como a Global Top Artist do Spotify. Em 2025, continua movimentando bilhões de streams como quem respira. Não é nostalgia — é consistência.
Sua discografia, que vai da leveza adolescente de Fearless ao caos calculado de Reputation, passando pelo sopro folk de Folklore, prova algo raro: Taylor não entra nas eras, ela constrói as eras. Cada fase é quase um universo próprio, com estética, narrativa e ritmo emocional. E talvez seja isso que faça seu catálogo resistir ao tempo: quando uma música envelhece, ela simplesmente muda de função; vira memória, vira reencontro, vira passagem. Swift aprendeu a fazer do passado uma engrenagem do presente.
Em abril de 2025, ela alcançou um marco que só reforça essa capacidade de atravessar gerações: tornou-se a primeira artista da história com cinco álbuns ultrapassando 9 bilhões de streams no Spotify. Esse número não fala apenas de sucesso; fala de sobrevivência. Fala de alguém que compreendeu a lógica das plataformas sem se submeter a ela. Taylor não corre atrás do algoritmo — ela faz o algoritmo correr atrás dela.
Mas o ponto mais fascinante não está nas estatísticas. Está na forma como sua música conversa com o tempo. Há artistas que dominam uma década; ela parece dominar o instante. Hoje, em 2025, uma faixa de um álbum lançado há dez anos pode ressurgir entre as mais ouvidas simplesmente porque alguém compartilhou um trecho no TikTok, ou porque um fã reeditou um trecho de show. É como se o catálogo dela tivesse uma respiração própria, independente do calendário.
Isso faz com que a ideia de “atemporalidade” não seja elogio — seja diagnóstico. Taylor Swift atravessa gerações não porque ela tenta ser eterna, mas porque se recusa a ser previsível. Cada passo é uma reconstrução: versões regravadas, turnês cinematográficas, álbuns que conversam entre si como capítulos de uma biografia escrita em tempo real.
A pergunta não é mais se Taylor vai continuar relevante.
A pergunta é: quem, hoje, consegue competir com alguém que domina não só o presente da música pop, mas a capacidade de reescrever o próprio passado?
Taylor Swift não é eterna — mas é teimosa contra o esquecimento.
E, no pop, isso já é quase a mesma coisa.
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Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino e estudante de Jornalismo na UFG, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar. Contato: [email protected]
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