Criador explica limitações e responde a críticas de fãs latino-americanos
O desenvolvedor Toby Fox afirmou que Undertale e Deltarune não devem receber novas traduções oficiais para a língua portuguesa no curto prazo. A decisão, segundo ele, está ligada à busca por fidelidade criativa e limitações no desenvolvimento.
Conhecido por criar os RPGs “Undertale” e “Deltarune”, Fox usou as redes sociais para esclarecer por que seus jogos seguem disponíveis oficialmente apenas em inglês e japonês. A manifestação veio após críticas de fãs, especialmente da América Latina, que cobram versões em idiomas como português e espanhol.
Toby Fox explicou que a ausência de novas localizações não está relacionada a preferência por mercados específicos, mas sim ao controle criativo do projeto. Segundo ele, qualquer tradução oficial precisa refletir exatamente sua visão original.
“Infelizmente, não existem traduções de Undertale para outros idiomas além do japonês. Isso inclui espanhol e português brasileiro, mas também todos os outros idiomas – chinês, coreano, russo, francês, alemão, italiano e muitos mais.”
O criador destacou que só conseguiu garantir esse padrão na versão japonesa porque domina o idioma e trabalhou diretamente com a equipe responsável pela adaptação.
“Sei que é uma pena que não existam outras traduções oficiais para Undertale. Mas quero deixar claro que não é por ter algo contra outros países. É porque, se eu lançar algo oficial, quero que corresponda à minha visão.”
Apesar disso, ele afirma não descartar novas traduções no futuro, desde que o processo mantenha o mesmo nível de qualidade.
“Não sou contra traduções oficiais para outros idiomas, desde que pudéssemos fazer funcionar da mesma forma… No passado, explorei várias opções com minha editora, a 8-4, mas ainda não obtive sucesso. Talvez eu deva tentar uma abordagem diferente.”
No caso de “Deltarune”, o obstáculo é mais prático. Toby Fox afirma que adicionar novos idiomas neste momento afetaria diretamente o cronograma de desenvolvimento.
“Quanto a Deltarune, do ponto de vista do desenvolvimento, não é viável dar suporte a outros idiomas neste momento, pois isso atrasaria o lançamento do jogo…”
O projeto ainda está em andamento, com capítulos sendo lançados gradualmente, o que torna qualquer adaptação mais complexa.
A discussão ganhou força após o lançamento japonês de outro jogo cult, o que reacendeu críticas sobre a falta de localização nos títulos de Toby Fox. Parte da comunidade chegou a especular um possível descaso com a América Latina, algo negado pelo desenvolvedor.
“Sinto-me honrada por ter tantos fãs ao redor do mundo, e isso inclui, é claro, a América Latina. Não quero que ninguém se sinta excluído. Peço desculpas se meu silêncio deu a impressão de que eu estava ignorando alguém.”
Mesmo assim, a ausência de traduções oficiais segue sendo um ponto sensível. Estima-se que “Undertale” tenha cerca de 78 mil palavras, volume comparável a livros, o que evidencia o desafio técnico e criativo da localização.
Enquanto versões oficiais não chegam, Toby Fox reconhece o papel da comunidade. Traduções não oficiais, especialmente no PC, ajudam a ampliar o alcance dos jogos.
“Fico muito feliz que existam traduções não oficiais para PC. Considerando que não entendo outros idiomas, permitir que os fãs interpretem o jogo sem a pressão de serem ‘oficialmente’ perfeitos é incrivelmente útil.”
Esse cenário, no entanto, mantém uma barreira para novos jogadores em países onde o inglês não é predominante, limitando o acesso a um dos RPGs independentes mais influentes dos últimos anos.
Fox afirma que pode buscar novas abordagens para tradução no futuro, mas sem prazos ou garantias. A decisão reforça uma postura autoral, priorizando consistência criativa em vez de expansão imediata.
Enquanto isso, a comunidade global segue acompanhando possíveis mudanças, especialmente em mercados como o brasileiro, onde o interesse pelos jogos continua alto.
Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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