“A Leste do Éden”: série da Netflix com Florence Pugh revisita clássico da literatura

Adaptação de Zoe Kazan tem sete episódios, acompanha diferentes gerações de uma família na Califórnia e apresenta cenários que retratam meio século de transformações

A Leste do Éden série da Netflix com Florence Pugh revisita clássico da literatura

A história de rivalidades familiares, ambição e escolhas morais criada pelo escritor John Steinbeck em 1952 ganhou uma nova versão para as telas. Disponível na Netflix, a minissérie “A Leste do Éden” tem Florence Pugh como protagonista e apresenta, ao longo de sete episódios, os conflitos das famílias Trask e Hamilton, cujas trajetórias se cruzam no Vale do Salinas, na Califórnia.

A produção foi desenvolvida por Zoe Kazan, responsável pelos roteiros e pela produção executiva de todos os episódios. Neta do cineasta Elia Kazan, que dirigiu a adaptação cinematográfica de 1955 estrelada por James Dean, ela decidiu explorar uma parcela maior do romance original, incluindo personagens e acontecimentos que atravessam diferentes gerações.

A nova versão também aposta na reconstrução histórica. Sob a direção de arte de Grant Major, vencedor do Oscar por “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, objetos pessoais, propriedades rurais e ambientes urbanos ajudam a contar a história dos personagens e a mostrar as mudanças sociais e tecnológicas ocorridas ao longo de aproximadamente 50 anos.

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Florence Pugh interpreta personagem central de “A Leste do Éden”

Na minissérie, Florence Pugh interpreta Cathy Ames, uma mulher enigmática e calculista que interfere diretamente no destino dos irmãos Adam e Charles Trask, vividos por Christopher Abbott e Mike Faist, respectivamente. A personagem desperta sentimentos conflitantes e toma decisões que afetam não apenas sua própria trajetória, mas também as gerações seguintes da família.

Para Zoe Kazan, a escolha da protagonista era fundamental para a adaptação. A criadora afirma que não considerou outra atriz para o papel: “Eu não tinha um plano B. Para mim, não havia outra atriz que se encaixaria tão bem quanto ela. Florence é a pessoa ideal para interpretar Cathy.”

A atuação de Pugh também impressionou a roteirista durante os cinco meses em que acompanhou seu trabalho nas gravações.

“A consciência que ela tem da câmera é sem igual. Não digo da boca para fora, ela realmente é um gênio. Assisti ao seu trabalho no set durante cinco meses. Continuo não tendo muita noção de como ela faz isso; dá para perceber a dedicação e o quanto isso significa, mas não há uma preparação ou processo óbvio, pelo menos para mim”, diz Zoe sobre Florence Pugh.

A complexidade de Cathy foi uma das principais preocupações da adaptação. Em vez de apresentá-la apenas como uma figura associada à crueldade, Kazan procurou aprofundar suas motivações e preservar as ambiguidades presentes na obra literária.

“Eu queria garantir que ela fosse uma pessoa real, não só um arquétipo. Isso exigiu que eu fizesse todo um desenvolvimento, em vez de criar algo. Basicamente, tudo o que está na série tem fundamento no livro”, explica a produtora.

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Série da Netflix acompanha rivalidade entre irmãos e conflitos familiares

A narrativa de “A Leste do Éden” começa com as tensões entre Adam e Charles, irmãos de mães diferentes que cresceram sob a autoridade de Cyrus Trask, interpretado por Tracy Letts.

Durante a infância, os dois viveram em uma fazenda em Connecticut. Enquanto Adam seguiu carreira na cavalaria do Exército dos Estados Unidos, Charles permaneceu na propriedade rural por determinação do pai.

O reencontro dos irmãos na vida adulta é marcado pela chegada de Cathy Ames. Adam se apaixona pela jovem e decide se casar com ela, apesar das desconfianças manifestadas por Charles. O relacionamento altera o rumo da família. Adam e Cathy deixam Connecticut em busca de uma nova vida no oeste americano, enquanto Charles permanece na fazenda.

Na Califórnia, Adam conhece Samuel Hamilton, personagem de Ciarán Hinds, que o ajuda a encontrar terras para estabelecer sua propriedade. Ele também contrata Lee, interpretado por Hoon Lee, para auxiliar na administração do rancho.

Com o passar dos anos, os acontecimentos passam a envolver os filhos de Adam, Cal e Aron, interpretados por Joseph Zada e Joe Anders. A relação entre os irmãos e o peso das decisões familiares ampliam os conflitos apresentados na história.

Adaptação “A Leste do Éden” tem ligação com filme de 1955 estrelado por James Dean

A relação de Zoe Kazan com o romance de John Steinbeck antecede a produção da Netflix. Seu avô, Elia Kazan, dirigiu o filme “A Leste do Éden”, lançado em 1955, com James Dean no elenco. A cineasta, no entanto, optou por desenvolver uma adaptação com maior abrangência narrativa.

“O filme dele não é uma adaptação muito fiel da pequena parte do livro na qual foi baseado. Para mim, toda a história tinha potencial para ser explorada, para nos apaixonarmos pelos personagens”, explica Zoe, que escreveu e foi produtora executiva de todos os sete episódios da nova série.

A proposta também nasceu de uma declaração de Steinbeck sobre o romance publicado em 1952.

“Na verdade, serão dois livros, a história do meu país e a minha”, disse o escritor ao descrever a obra.

A partir dessa ideia, Kazan buscou construir uma narrativa que combinasse a dimensão histórica dos Estados Unidos com experiências pessoais e relações familiares.

“Eu adotei isso como minha missão. Precisa ser épico e intimista, e ser tão pessoal para mim quanto para o autor, mesmo que ele tenha escrito sobre sua própria família”, conta ela ao Tudum, plataforma editorial da Netflix.

Um dos principais temas da produção é a influência das gerações anteriores sobre as seguintes, especialmente quando sentimentos como culpa, ressentimento e desejo de pertencimento permanecem presentes nas relações familiares.

“O que é transmitido? O que você leva consigo? Como fazemos as pazes com o nosso lado sombrio?”, questiona Zoe.

Cenários e objetos ajudam a contar 50 anos de história

A ambientação histórica de “A Leste do Éden” foi desenvolvida com a participação de Grant Major, profissional também conhecido pelo trabalho em “Ataque dos Cães”. A direção de arte utiliza móveis, fotografias, construções e objetos cotidianos para representar diferentes momentos da vida dos personagens.

“Ele pegou o que conversamos e colocou nos detalhes desse mundo com muita profundidade, com cada objeto contando uma história. E todos os nossos colaboradores contribuíram demais para elevar esse projeto”, conta Zoe.

Entre os elementos que ajudam a compreender a trajetória da família Trask estão o retrato de Cyrus, a antiga fazenda em Connecticut e os objetos guardados por Cathy. O retrato de Cyrus, por exemplo, está associado à descoberta feita por Adam e Charles após a morte do pai. Os irmãos passam a conhecer a verdade sobre as histórias de heroísmo militar que ele costumava contar.

Já uma caixa de lata acompanha Cathy desde a juventude. Inicialmente utilizada para guardar presentes recebidos de rapazes interessados nela, a peça passa a abrigar objetos valiosos e dinheiro, incluindo uma quantia roubada do senhor Edwards, interpretado por Josh McConville.

O personagem é proprietário de um bordel e mantém uma relação de interesse por Cathy.

Rancho na Califórnia e bordel de Salinas marcam mudanças na trama

A mudança de Adam para a Califórnia representa uma nova etapa da história. Com a ajuda de Samuel Hamilton, ele se estabelece em uma extensa propriedade próxima a um rancho espanhol. O local se torna o centro da vida familiar, enquanto Lee assume responsabilidades cada vez maiores na administração da propriedade e no cotidiano dos Trask.

Cathy, por sua vez, segue outro caminho. Depois de abandonar o marido e os filhos, ela chega à cidade de Salinas e passa a utilizar o nome Kate Albey. A personagem começa uma nova fase no bordel administrado por Faye, interpretada por Martha Plimpton.

O estabelecimento possui decoração sofisticada, com móveis ornamentados e ambientes cuidadosamente planejados. A caracterização acompanha a importância que Faye atribui à aparência e ao prestígio de seu negócio.

Esses espaços contrastam com a vida rural de Adam e ajudam a diferenciar os caminhos percorridos pelos personagens.

Tecnologia e crescimento econômico aparecem na trajetória dos Trask

Além dos conflitos pessoais, a minissérie acompanha mudanças econômicas e tecnológicas que atingem o Vale do Salinas. Depois de se adaptar à vida na Califórnia, Adam identifica uma oportunidade comercial relacionada à produção agrícola da região.

Ele adquire uma fábrica de gelo e começa a experimentar métodos de refrigeração para transportar vegetais cultivados no vale a outras partes dos Estados Unidos. Seus filhos, Cal e Aron, participam do empreendimento, que representa uma nova fase financeira para a família.

O sucesso dos negócios permite que Adam compre um automóvel, apresentado na produção como uma novidade tecnológica capaz de impressionar os homens da família Trask. A ambientação inclui ainda um anúncio publicitário de alfaces produzidas no Vale do Salinas, associado à atividade agrícola e às transformações nos meios de transporte e conservação de alimentos.

Em outro momento da história, Adam decide deixar o isolamento do rancho e se mudar com os filhos para a cidade. A família passa a morar em uma casa amarela de estilo vitoriano, onde Cal e Aron podem frequentar a escola e conviver com outras crianças.

“A Leste do Éden” já está disponível na Netflix

A minissérie “A Leste do Éden” está disponível na Netflix. A produção reúne sete episódios e tem Zoe Kazan como criadora, roteirista, showrunner e produtora executiva.

No elenco estão Florence Pugh, Christopher Abbott, Mike Faist, Ciarán Hinds, Tracy Letts, Hoon Lee, Martha Plimpton, Joseph Zada, Joe Anders e Josh McConville.

A obra adapta o romance homônimo de John Steinbeck, publicado em 1952, e acompanha diferentes gerações das famílias Trask e Hamilton, com temas relacionados a rivalidade, herança familiar, identidade e escolhas morais.

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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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