Reestruturação prevê que ganho médio acumulado poderá chegar a 19,18%; acordo encerrou greve e inclui auxílio-locomoção de julho e bônus de fim de ano
Os administrativos da educação de Goiânia terão uma nova estrutura de vencimentos com ganho médio acumulado de 7,99% ainda em 2026, segundo a proposta aprovada pela categoria após uma sequência de negociações com a Prefeitura. O percentual deverá crescer gradualmente nos próximos quatro anos, chegando a 10,70% em 2027. Esses índices não incluem a data-base anual nem eventuais progressões funcionais.
O acordo dos administrativos da educação de Goiânia encerrou uma disputa que atravessou boa parte do ano. A construção de uma nova tabela de carreira começou a ser discutida formalmente em maio, passou por propostas rejeitadas pelos trabalhadores e levou a uma greve iniciada em agosto. Em 15 de setembro, a maioria dos servidores aprovou os novos termos e decidiu retornar às unidades.
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A nova organização dos administrativos da educação de Goiânia estabelece, em 2026, uma diferença de 7,42% entre os níveis da carreira e de 1,2% entre as referências. Pelo cronograma divulgado após a negociação, a atualização ocorrerá em cinco etapas:
A previsão é de que as próximas tabelas entrem em vigor em maio de cada ano, entre 2027 e 2030. O Sintego informou que a negociação sobre esses valores será reaberta em abril de 2027, inclusive com a intenção de discutir eventual antecipação das etapas.
O sindicato também informa que as tabelas continuarão sujeitas à data-base anual, portanto os percentuais de 7,99% a 19,18% não representam necessariamente toda a evolução salarial que cada servidor terá até 2030. Progressões na carreira e futuras recomposições inflacionárias podem alterar os valores individualmente.

O acordo dos administrativos da educação de Goiânia prevê que a Prefeitura utiliza a expressão “ganho médio acumulado”. Isso significa que os 7,99% anunciados para 2026 não devem ser interpretados automaticamente como um reajuste linear de 7,99% aplicado de forma idêntica sobre o salário de todos os trabalhadores.
A mudança reorganiza níveis e referências dentro da carreira. Como cada servidor pode ocupar uma posição diferente na tabela, o impacto individual depende do enquadramento funcional. A administração informou que, em 2026, haverá espaçamento de 7,42% entre níveis e 1,2% entre referências.
A nova configuração busca corrigir diferenças entre posições da carreira que foram um dos principais pontos discutidos durante as negociações. A Prefeitura havia apresentado, ainda em agosto, um pacote que previa a reformulação progressiva da tabela e estimava investimentos de R$ 31,2 milhões até o fim de 2027 naquela etapa da negociação.
O acordo dos administrativos da educação de Goiânia aprovado em setembro foi resultado de vários meses de negociação. Em maio, uma comissão formada por representantes da Prefeitura, do Sintego e dos próprios trabalhadores começou a discutir formalmente o novo plano de carreira. A representação sindical já havia apresentado uma minuta e uma tabela de vencimentos elaboradas pela categoria.
Em 3 de agosto, os administrativos rejeitaram uma das propostas apresentadas pelo Município. O sindicato sustentava naquele momento que os percentuais entre níveis e referências haviam sido reduzidos em relação ao que a categoria reivindicava.
A insatisfação permaneceu. A paralisação começou em 17 de agosto, e, uma semana depois, outra proposta foi submetida à assembleia. Na votação de 24 de agosto, 85,1% dos participantes rejeitaram os termos, enquanto 14,9% votaram pela aceitação.
As negociações continuaram durante a greve. Em 15 de setembro, uma nova assembleia aprovou por maioria a proposta apresentada pela Prefeitura. O Sintego contabilizou 21 dias de greve e anunciou a retomada das atividades no dia seguinte.
Outra questão discutida durante a mobilização foi o auxílio-locomoção referente a julho. Pela legislação da carreira, os servidores administrativos recebem o benefício para custear os deslocamentos entre residência e local de trabalho. A Lei nº 9.128 estabelece atualmente o valor mensal de R$ 850 para trabalhadores administrativos efetivos da Educação que atendam às condições previstas na norma.
Historicamente, o pagamento não era feito em julho por causa do período de férias escolares. Uma emenda aprovada pela Câmara permitiu excepcionalmente a concessão da parcela em 2026, mas o dispositivo foi vetado pelo prefeito. Em 17 de setembro, os vereadores derrubaram o veto, permitindo que o valor referente a julho fosse incluído na folha de setembro.
A alteração passou a constar expressamente na Lei nº 11.689/2026, com a previsão de uma parcela excepcional referente ao mês de julho deste ano. Esse pagamento é independente da reorganização da tabela salarial. Por isso, não deve ser incorporado ao percentual de 7,99% como se fizesse parte do reajuste permanente do vencimento.
Entre os termos divulgados pelo Sintego após a assembleia está a manutenção integral do bônus de fim de ano, inclusive para quem participou da greve. O acordo também prevê que não haja corte de ponto relacionado ao movimento. Segundo a entidade, permanecerão preservadas durante o período de paralisação a remuneração, as gratificações, os benefícios, as vantagens funcionais e as contribuições previdenciárias correspondentes.
A Prefeitura informou, após o encerramento da mobilização, que as equipes haviam retornado às unidades e que a Secretaria Municipal de Educação trabalhava para normalizar integralmente o atendimento.

Os administrativos da educação de Goiânia também foram alcançados pela revisão geral anual dos servidores municipais em 2026. A Lei nº 11.668, de 13 de julho, estabeleceu uma recomposição total de 4,26%, referente à data-base deste ano.
O índice foi dividido em duas etapas. A primeira, de 2,26%, passou a valer em 1º de julho. A segunda, de 2%, entrou em vigor em 1º de agosto. A lei informa que a revisão teve como referência a tabela de vencimentos de junho de 2026.
Essa recomposição é diferente dos 7,99% divulgados agora. A data-base procura recompor perdas inflacionárias, enquanto a negociação dos administrativos modifica a própria estrutura da carreira. A Prefeitura afirma expressamente que os percentuais previstos até 2030 não incluem os reajustes anuais da data-base nem as progressões funcionais.
Ao justificar a implementação em etapas, a administração municipal argumenta que precisa compatibilizar as mudanças remuneratórias com as restrições fiscais e orçamentárias do Município.
“Não poderíamos assumir compromissos que colocassem em risco a saúde financeira do município”, afirmou o prefeito Sandro Mabel durante as negociações.
A mesma preocupação aparece na legislação da data-base de 2026. A Lei nº 11.668 condiciona a implementação da revisão à previsão orçamentária, disponibilidade financeira e atendimento às restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Do lado dos trabalhadores, a principal divergência ao longo da negociação esteve justamente no ritmo da atualização. Antes do acordo final, o Sintego defendia que a valorização avançasse dentro de um prazo menor e criticou a distribuição de parte das mudanças até 2030.
A aprovação da proposta não encerrou definitivamente as discussões sobre a carreira. O acordo estabelece tabelas sucessivas até maio de 2030, mas determina que os representantes dos trabalhadores e da administração voltem a discutir o tema já em abril de 2027.
O sindicato afirma que pretende negociar a antecipação das etapas previstas. Em 17 de setembro, a entidade também informou que acompanharia o envio do projeto de lei das novas tabelas à Câmara para que os valores negociados fossem formalizados e aplicados aos vencimentos.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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