Série criada por alunos da rede municipal de Goiânia chega ao Cinépolis

Produzida por alunos do 4º e 5º ano, “O Pergaminho das Duas Faces” mistura fantasia e mistério e será apresentada nesta quarta-feira (23) no Shopping Cerrado

série feita por alunos de Goiânia

A série feita por alunos de Goiânia “O Pergaminho das Duas Faces” será apresentada nesta quarta-feira (23), no Cinépolis do Shopping Cerrado. Produzida por estudantes do 4º e do 5º ano da Escola Municipal Alonso Dias Pinheiro, a obra mistura aventura, mistério, fantasia, suspense e humor e utiliza pontos históricos da capital como parte da narrativa.

A produção integra o projeto pedagógico ADP Audiovisual, criado em 2019 pelo professor Neuber Figueiredo de Castro. Ao longo de sete anos, a iniciativa já resultou em oito produções e passou a envolver os estudantes em diferentes etapas da linguagem audiovisual, da construção das histórias às gravações e à atuação diante das câmeras. O projeto também passou a integrar, em 2026, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática, mantido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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Série feita por alunos de Goiânia leva patrimônio da capital para a ficção

A história de “O Pergaminho das Duas Faces” começa quando um grupo de estudantes encontra um antigo baú. Dentro dele, surgem pistas sobre um pergaminho que foi dividido em fragmentos e espalhado por diferentes locais da cidade. A partir daí, os personagens deixam os muros da escola e passam a percorrer Goiânia em busca das partes desaparecidas.

A série feita por alunos de Goiânia utiliza como locações o Museu Goiano Zoroastro Artiaga, o Palácio das Esmeraldas, o Museu Pedro Ludovico Teixeira e a antiga Capela São José, em Campinas. Esses espaços não aparecem apenas como cenários, mas ajudam a conduzir a investigação e inserem referências à história e ao patrimônio cultural da capital dentro da aventura.

Ao longo da busca, os personagens descobrem que o pergaminho está ligado a acontecimentos iniciados décadas antes. Pistas, alucinações e decisões inesperadas ampliam o mistério, enquanto amizade, coragem e cooperação passam a determinar o avanço das crianças na tentativa de compreender um segredo que atravessou gerações.

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Estudantes participam da criação diante e atrás das câmeras

série feita por alunos de Goiânia

A série feita por alunos de Goiânia é resultado de um processo desenvolvido durante o ano letivo e que não se restringe à interpretação. Os estudantes participam da construção da história e de etapas relacionadas à produção audiovisual, experimentando funções que normalmente permanecem fora do alcance do público quando um filme ou série chega às telas.

O ADP Audiovisual trabalha justamente com essa participação coletiva. A iniciativa oferece atividades ligadas à linguagem cinematográfica, produção de filmes, criação literária e música, com foco em estudantes do 4º e do 5º ano. A proposta aparece no Mapa Brasileiro da Educação Midiática como uma experiência de produção de mídia desenvolvida em uma escola pública de Goiânia.

Para Neuber Figueiredo, levar o resultado para uma sala de cinema acrescenta uma dimensão importante à experiência vivida durante a produção.

“Para crianças que participaram da construção da história e estiveram diante e atrás das câmeras, ver o resultado projetado em uma verdadeira sala de cinema contribui para a valorização de sua autoria, de seu protagonismo e de sua autoestima”, explica o coordenador.

Série feita por alunos de Goiânia é a oitava produção do projeto

“O Pergaminho das Duas Faces” amplia um catálogo iniciado em 2019 com “Mistérios ADP”, produção de 35 minutos. Em 2021 veio “Disciplina e Liberdade”, com 44 minutos, seguido por “Mistério ADP e o Segredo do Portal”, lançado em 2022 e posteriormente exibido no Centro Cultural Goiânia Ouro.

O ritmo de produção aumentou em 2023, quando os estudantes realizaram “Mistérios ADP e o Último Totem”, com 1h34, e “Mistérios ADP e o Jogo Perdido”, com uma hora de duração. No ano seguinte foi lançado “Os Quatro Elementos e a Esfera do Poder”, com 94 minutos.

Em 2025, o projeto realizou “O Diário da Profecia”, com duas horas de duração. A narrativa depois ganhou uma versão literária produzida coletivamente pelos estudantes, que participaram da criação do enredo, dos personagens, da ambientação e da revisão dos textos. Com a nova série feita por alunos de Goiânia, o projeto chega à oitava produção e mantém a ficção como uma das principais ferramentas para aproximar educação, cinema e participação estudantil.

Produções da escola já chegaram a festivais de cinema

Parte dos trabalhos realizados na Escola Municipal Alonso Dias Pinheiro ultrapassou as sessões organizadas para alunos e familiares. “Mistérios ADP e o Último Totem” participou da quarta edição do Festival Internacional de Cinema Educativo, o Educacine.

Já o primeiro episódio de “O Diário da Profecia” foi selecionado para uma programação promovida pela Lift-Off Global Network Sessions 2026, no Reino Unido. O histórico ajuda a mostrar como uma atividade iniciada em sala de aula passou a circular em espaços dedicados ao audiovisual educativo.

Projeto foi apresentado em conferência internacional em Portugal

O trabalho realizado na escola também chegou ao debate sobre cinema e educação fora do Brasil. Em maio de 2026, Neuber Figueiredo participou da 15ª Conferência Internacional de Cinema de Viana, realizada em Viana do Castelo, no norte de Portugal, durante o XXVI Festival Encontros.

O professor apresentou a experiência construída desde 2019 com os estudantes da rede municipal e discutiu a participação das crianças em diferentes etapas da produção. O encontro reuniu práticas relacionadas ao cinema e ao audiovisual aplicados à educação.

ADP Audiovisual passou a integrar mapa nacional de educação midiática

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Outro reconhecimento veio em julho, quando o ADP Audiovisual passou a aparecer oficialmente no Mapa Brasileiro da Educação Midiática. A plataforma reúne iniciativas de diferentes regiões do país voltadas ao acesso, análise e produção de conteúdos de maneira crítica, ética e responsável.

A ficha do projeto registra atividades de cinema, literatura e música autoral e destaca a participação dos estudantes em processos de criação coletiva. A iniciativa foi incluída na segunda chamada do mapa, realizada entre março e abril de 2026, e integra um conjunto de experiências selecionadas em todo o Brasil.

Cinema aproxima produção escolar do público fora da sala de aula

A sessão desta quarta-feira permite que alunos, familiares e convidados assistam ao trabalho em uma estrutura profissional de exibição. O resultado também desloca a produção escolar para um espaço diferente daquele em que ela foi criada, ampliando o contato dos estudantes com o circuito audiovisual.

O processo envolve elementos de escrita, interpretação, planejamento, criatividade e trabalho coletivo. Ao escolher locais históricos para a narrativa, a série feita por alunos de Goiânia acrescenta ainda uma dimensão de reconhecimento da própria cidade e transforma parte do patrimônio local em elemento ativo da ficção.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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