Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra volta a Goiânia com 3 dias de programação e entrada gratuita

Segunda edição acontece no Centro Cultural da UFG

Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra volta a Goiânia com 3 dias de programação

O Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra realiza sua segunda edição entre 12 e 14 de novembro de 2026, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), em Goiânia. Com um dia a mais de programação, o evento reúne cinema, música e afroempreendedorismo para ampliar o espaço dedicado à produção artística de mulheres negras, com mostras audiovisuais, shows, oficinas, feira e o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás. A entrada será gratuita e aberta à comunidade.

Realizado pela Coletiva Diaspóricas, em correalização com a Aniz Produções e o Labamba Estúdio, o festival terá atividades voltadas a realizadoras, artistas e empreendedoras. O Sebrae participa de ações formativas para afroempreendedoras antes e depois do evento, relacionadas à Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras e ao encontro dedicado às profissionais negras do cinema goiano.

“Na nossa 2ª edição, buscamos nos reencantar para a possibilidade de sonhar novos mundos e de fazer acontecer. Buscamos fortalecer o cinema negro pela experiência do encontro, que será potencializado pela presença de cineastas negras de todo o Brasil. A ideia é que o Festival seja um local de trocas sobre formas diversas de se pensar a vida, de fazer cinema e música. O tema dessa edição é sobre o poder do encantamento que as artes negras nos trazem, com suas poéticas que são, sobretudo, formas políticas de lutar por um mundo mais justo”, comenta Ana Clara Gomes, diretora e idealizadora do festival.

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Festival Diaspóricas 2026 em Goiânia terá duas mostras de cinema negro

Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra volta a Goiânia com 3 dias de programação e entrada gratuita

A programação audiovisual do Festival Diaspóricas será dividida em duas mostras, com obras provenientes das cinco regiões do Brasil e destaque para cineastas do Centro-Oeste.

A Mostra de Videoclipes, de caráter não competitivo, selecionará trabalhos dirigidos por mulheres negras. As produções terão como elemento central das narrativas o som autoral de artistas independentes.

Já a Mostra Marta Cezaria de Curtas-Metragens receberá filmes de ficção, documentário, animação, experimental ou híbridos dirigidos ou codirigidos por mulheres negras. As produções precisam ter entre 5 e 30 minutos e ter sido finalizadas a partir de janeiro de 2023.

Todas as obras escolhidas terão taxa de licenciamento. Na mostra competitiva, haverá ainda premiação em dinheiro e troféu assinado pela artista visual goiana Dara. Os filmes disputarão as categorias de Melhor Filme, definido pelo júri popular, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.

>> Leia também: Primavera dos Museus chega a Goiânia com programação sobre acesso e diversidade

Mostra homenageia trajetória de Marta Cezaria em Goiás

O nome da mostra de curtas homenageia Marta Cezaria, pioneira do movimento negro feminista em Goiânia. A cineasta começou a atuar na área aos 60 anos e percorreu quilombos de Goiás, onde entrevistou 152 mulheres para o documentário “Se Eu Fosse Uma Flor”, lançado em 2013.

Marta também é fundadora da ONG Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado e tem atuação ligada ao enfrentamento do racismo e do sexismo em Goiás.

As duas mostras terão cotas regionais no processo de seleção e debates com as realizadoras após as sessões. As cineastas selecionadas contarão com hospedagem, alimentação e transporte fornecidos pela organização.

As inscrições permanecem abertas até o dia 27 de setembro. Regulamento e formulário estão disponíveis no Instagram do Festival Diaspóricas.

Encontro reúne mulheres negras do audiovisual goiano

Além das exibições, a programação do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra 2026 prevê oficinas e mesas temáticas. Entre as cineastas com presença confirmada estão Juh Almeida, Glenda Nicácio e Renata Diniz.

Outra atividade será o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, que reunirá trabalhadoras do cinema e do audiovisual do estado e integrantes da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan).

A iniciativa é voltada à discussão de estratégias para ampliar a valorização e a visibilidade do cinema negro produzido no Centro-Oeste.

Palco Afrogoianidades terá nove apresentações durante o Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra 2026

Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra volta a Goiânia com 3 dias de programação e entrada gratuita

A música também ocupará os três dias do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra 2026. O Palco Afrogoianidades receberá nove apresentações, entre grupos regionais e nacionais, com destaque para o protagonismo de mulheres negras.

Os shows começarão sempre às 18h30. A programação completa de artistas será divulgada posteriormente.

A proposta desta edição coloca a Música Preta Brasileira como espaço de pertencimento e conexão dentro da programação realizada na capital goiana.

Feira reúne afroempreendedoras de Goiás

A economia criativa integra a programação por meio da Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras. O espaço receberá expositoras goianas dos segmentos de artesanato, gastronomia, vestuário e serviços de bem-viver.

As interessadas poderão se inscrever gratuitamente até 9 de outubro, pelo Instagram do Festival Diaspóricas. As selecionadas terão estrutura para exposição dos produtos, ajuda de custo e formação ministrada pelo Sebrae.

A feira leva o nome de Anadir Cezario, assistente social, cofundadora da ONG Dandara no Cerrado e liderança na atuação contra discriminações de raça e gênero.

Anadir criou o Coletivo de Mulheres da Comurg e lidera o projeto Mulheres que Transformam Lixo em Lucro, iniciativa na qual garis e catadoras utilizam materiais recicláveis para produzir artesanato e gerar renda.

Coletiva Diaspóricas surgiu de projeto criado em 2022

Responsável pelo Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra, a Coletiva Diaspóricas é uma organização da sociedade civil formada majoritariamente por artistas negras e atua com inclusão produtiva, capacitação e geração de renda para mulheres nos setores do audiovisual, música e afroempreendedorismo.

A organização tem origem no Projeto Diaspóricas, criado em 2022 inicialmente como uma série audiovisual de cinco episódios sobre a resistência de musicistas negras diante do racismo e do sexismo.

O projeto posteriormente passou a reunir diferentes linguagens e deu origem a dois longas-metragens premiados nacional e internacionalmente, além de pesquisas acadêmicas, apresentações musicais, oficinas e cine-debates realizados pelo país.

A partir dessa iniciativa foi criada a Coletiva Diaspóricas, que atualmente administra o festival e outras ações formativas e produtivas gratuitas voltadas à geração de autonomia econômica para mulheres negras nas artes.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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