Mostra inédita terá entrada gratuita
A Cerrado Galeria, em Goiânia, abre no sábado, 26 de setembro, a partir das 10h, um novo ciclo de exposições com duas mostras simultâneas e entrada gratuita. “Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista” apresenta pela primeira vez ao público goiano um conjunto de obras de Di Cavalcanti, enquanto “Anímica e estelar” marca a primeira exposição individual do artista goianiense Walter Pimentel na galeria. As duas mostras têm curadoria de Divino Sobral.
A programação reúne pinturas e desenhos de períodos distintos da produção artística brasileira. Enquanto a exposição de Di Cavalcanti percorre trabalhos realizados entre 1925 e 1972, a individual de Walter Pimentel concentra obras produzidas entre 2025 e 2026. O Sesc Goiás está entre os realizadores da ação.
“O Sesc é uma das instituições que mais apoiam a cultura no Brasil, e iniciativas como esta contribuem para a formação do cidadão goianiense ao aproximá-lo de grandes referências da nossa produção cultural”, afirma Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac.
“Acreditamos que a cultura precisa estar cada vez mais próxima das pessoas”, destaca Leopoldo Veiga Jardim, diretor do Sesc Goiás. “Trazer a obra de Di Cavalcanti para Goiânia é ampliar o acesso do público a um dos grandes nomes da arte brasileira”, completa.
“Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista” reúne pinturas e desenhos produzidos ao longo de 47 anos, entre 1925 e 1972. O recorte permite acompanhar diferentes fases do artista, suas relações com tendências da arte moderna e a recorrência de temas ligados à cultura e ao povo brasileiro.
A produção figurativa de Di Cavalcanti teve como um de seus eixos a representação do Brasil e de sua população. Segundo o curador Divino Sobral, o trabalho do artista foi desenvolvido em diálogo com as mudanças vividas pelo país e com o ambiente social e cultural do Rio de Janeiro.
“A obra de Di Cavalcanti foi construída em relação direta com o espaço que o cercava e com a época em que vivia, período de modernização do país. Sobretudo, resultou da interpretação subjetiva que fazia do ambiente em que nasceu e viveu, a cidade do Rio de Janeiro, formada pelas contradições sociais e econômicas, caracterizada por paisagem exuberante e ensolarada, marcada por farta cultura corporal e intensamente atravessada pela presença afrodiaspórica”, explica Divino Sobral, curador e diretor artístico da Cerrado Galeria.
O artista também teve participação direta na formação do modernismo brasileiro. Di Cavalcanti esteve entre os principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922, movimento que buscava renovar as linguagens artísticas e discutir características próprias da cultura nacional.
Segundo Sobral, o movimento surgiu “com um programa que pretendia atualizar as maneiras de fazer arte e, ao mesmo tempo, defender as características da cultura nacional”.
Após viver em Paris e ter contato com nomes como Pablo Picasso, Georges Braque, Fernand Léger e Henri Matisse, Di Cavalcanti voltou ao Brasil e aprofundou sua produção relacionada à identidade cultural brasileira.
Realizada paralelamente à mostra de Di Cavalcanti, “Anímica e estelar” reúne trabalhos recentes de Walter Pimentel, artista nascido em Goiânia em 1998. As obras foram produzidas entre 2025 e 2026.
A exposição combina pinturas feitas com guache e têmpera sobre papel e trabalhos em tinta a óleo sobre tela e madeira. Algumas peças recebem relevos produzidos com espuma expandida ou fibra de vidro.
Pimentel utiliza como ponto de partida fotografias feitas por ele e imagens apropriadas de fotógrafos desconhecidos. Retratos familiares, animais domésticos e paisagens passam por processos ligados à memória, imaginação e experiências espirituais.
“Em suas pinturas, imagens familiares e domésticas são cobertas por um véu de mistério, assumindo uma dimensão fantasmática que desloca sua função documental. Retratos extraídos de fotografias de velhos álbuns, paisagens imaginadas e animais domésticos são reconstruídos pela memória, pela imaginação e por experiências espirituais, passando a viver em uma temporalidade própria”, descreve Divino Sobral.
De acordo com o curador, a produção do artista dialoga com uma crise espiritual contemporânea “ocasionada pela exacerbação da cultura materialista e pelos desastres do antropoceno”.
As pinturas recorrem à tradição figurativa e a símbolos relacionados aos ciclos de vida e morte. A proposta aborda ainda a transformação da dor em beleza como possibilidade de lidar com traumas e feridas individuais e coletivas.
➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita
Embora separados por contextos históricos e gerações, Di Cavalcanti e Walter Pimentel trabalham com a figuração e com imagens relacionadas à experiência humana.
No caso de Di Cavalcanti, a cultura popular brasileira e a realidade social do Rio de Janeiro integram as bases de sua produção modernista. Pimentel, por sua vez, direciona a pintura para questões relacionadas à memória, espiritualidade e dimensão simbólica das imagens, por meio de uma linguagem contemporânea.
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu em 1897, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Ao longo de aproximadamente seis décadas de carreira, trabalhou como desenhista, ilustrador, cartunista, gravador, pintor, muralista e jornalista.
Depois das primeiras aulas com o artista Puga Garcia, publicou ilustrações em 1914 na revista Fon-Fon. Em 1922, participou da organização da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Dez anos depois, esteve entre os fundadores do Clube de Artistas Modernos, em São Paulo.
Entre 1923 e 1925, viveu em Paris, onde frequentou a Académie Ranson e entrou em contato com artistas como Picasso, Braque, Léger e Matisse. Em 1928, já no Brasil, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil. Sua produção também recebeu influência do Muralismo Mexicano.
Na década de 1950, Di Cavalcanti integrou a delegação brasileira na primeira participação do país na Bienal de Veneza. Também ganhou uma sala especial na I Bienal Internacional de São Paulo e, em 1953, recebeu o Prêmio Nacional de Pintura da II Bienal Internacional de São Paulo.
O artista morreu em 1976, no Rio de Janeiro.
Nascido em Goiânia, em 1998, Walter Pimentel concluiu em 2024 o Bacharelado em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Em 2019, participou da Residência Artística da Escola de Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Goiás.
Em 2022, recebeu três premiações consecutivas: o Prêmio Aquisição do 19º Salão Nacional de Arte de Jataí, o Prêmio Aquisição do 3º Salão Nacional de Pequenos Formatos do MABRI e o Prêmio Estímulo da Fargo, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia.
Pimentel realizou a individual “Carnação” no Centro Cultural Octo Marques, em 2024. Em 2026, foi selecionado para apresentar “A estrela que nutre a carne” no 35º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo.
Entre as coletivas das quais participou estão “Manarairema: arte contemporânea em Goiás”, no Museu Goiano Zoroastro Artiaga; “Abismal… abissal”, na Cerrado Galeria, em Brasília; “Mapas em brasa”, na Galeria da FAV, em Goiânia; “O salto da imagem para a pintura”, no Museu da Imagem e do Som de Goiás; e “A casa sente a força do terreno em que habita”, na Cerrado Galeria, em Goiânia e Brasília.
A curadoria das duas mostras é de Divino Sobral, crítico de arte e pesquisador dedicado à produção moderna e contemporânea brasileira, com atenção especial ao Centro-Oeste.
Sobral dirigiu o Museu de Arte Contemporânea de Goiás entre 2011 e 2013 e recebeu o prêmio Maria Eugênia Franco, da ABCA, em 2022, e o Marcantonio Vilaça, do CNI SESI SENAI, em 2015.
Atualmente, ocupa a direção artística da Cerrado Galeria e atua como curador do programa de residência artística do NACO.
Inaugurada em 2023, a Cerrado Galeria atua no campo da arte contemporânea e mantém espaços em Goiânia e Brasília.
Na capital goiana, funciona em uma casa modernista projetada por David Libeskind, com 500 m² adaptados para receber exposições simultâneas. Em Brasília, a galeria ocupa uma chácara no Lago Sul destinada a exposições e projetos culturais de diferentes dimensões.
A programação reúne diferentes gerações e linguagens por meio de exposições, atividades educativas e ações envolvendo artistas, curadores e críticos de arte.
>> SE LIGA
Exposições: Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, de Di Cavalcanti, e Anímica e estelar, de Walter Pimentel
Abertura: 26 de setembro de 2026, às 10h
Local: Cerrado Galeria – Rua 84, nº 61, Setor Sul, Goiânia – GO
Entrada: gratuita
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.