Brasil leva turismo de aventura ao Canadá com vitrine de 100 experiências

Delegação apresenta destinos ligados a Pantanal, Bonito, Foz do Iguaçu, Amazônia e outros biomas em encontro internacional que reúne operadores e especialistas em Québec

_turismo de aventura no Brasil

O turismo de aventura no Brasil ganhou uma vitrine internacional nesta semana em Québec, no Canadá. A Embratur participa até quinta-feira (17) do Adventure Travel World Summit 2026 (ATWS) com a maior delegação brasileira registrada nas 22 edições do encontro, segundo a Agência. Empresas, associações e destinos nacionais apresentam experiências ligadas a ecoturismo, observação de animais, trilhas, cavernas, atividades aquáticas e turismo de base comunitária a operadores e profissionais especializados de diferentes países.

A estratégia está ligada a uma vitrine desenvolvida pela Embratur e pelo Sebrae com 100 experiências brasileiras, criada para transformar atrativos naturais e culturais em produtos que possam ser comercializados no exterior. Entre os participantes desta edição estão negócios que atuam em Foz do Iguaçu, Bonito, Pantanal e Amazônia, além de representantes da Bahia e de Mato Grosso do Sul.

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Summit reúne operadores e destinos internacionais até quinta-feira

Organizado pela Adventure Travel Trade Association (ATTA), o encontro reúne operadores turísticos, empresas de hospedagem, agências especializadas, organismos de promoção de destinos, imprensa e profissionais ligados ao mercado internacional de aventura. A associação informa manter uma rede de aproximadamente 100 mil profissionais e organizações conectados ao setor.

A programação vai além de palestras. O calendário do turismo de aventura no Brasil inclui um dia dedicado a experiências de aventura, sessões de formação, encontros profissionais, relacionamento com imprensa e o Marketplace, espaço destinado a reuniões previamente agendadas entre empresas e compradores.

Na quarta-feira (16), por exemplo, a programação oficial prevê encontros business to business, além das sessões de conteúdo e networking. Na quinta, acontece o MediaConnect, voltado ao relacionamento entre destinos, empresas e profissionais da imprensa especializada.

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Brasil leva empresas de Bonito, Pantanal, Amazônia e Foz do Iguaçu

 turismo de aventura no Brasil

A delegação brasileira reúne negócios com produtos bastante diferentes entre si. Participam Let’s Go Iguaçu, Vivalá, Nattrip, Amolar Experience, Lajedo dos Beija-Flores, Jungle Tour – Iguana Turismo, Pousada Jardim da Amazônia, Nex DMC e Abismo Anhumas.

Também integram o grupo a Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre, a TOVS, associados da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) e representantes de destinos da Bahia e de Mato Grosso do Sul.

A composição ajuda a mostrar a variedade do turismo de natureza no Brasil. A mesma delegação reúne experiências em cavernas, florestas, rios, áreas protegidas, observação de fauna e roteiros comunitários. A intenção da Embratur é justamente aproximar esses empreendedores de operadores especializados que montam e comercializam viagens de aventura para diferentes mercados.

Abismo Anhumas combina caverna, lago e mergulho em Bonito

Entre as experiências do turismo de aventura no Brasil levadas ao encontro está o Abismo Anhumas, localizado a cerca de 23 quilômetros do centro de Bonito, em Mato Grosso do Sul.

O passeio começa com uma descida de aproximadamente 72 metros até o interior de uma caverna parcialmente submersa. Lá embaixo, o visitante encontra um lago de água cristalina e pode realizar passeio de bote, flutuação ou mergulho, dependendo da modalidade escolhida.

Para visitantes sem certificação de mergulho, existe a opção de batismo com cilindro até oito metros de profundidade. Mergulhadores certificados podem chegar a cerca de 18 metros.

O atrativo também exemplifica um dos argumentos que o Brasil leva ao Canadá, a tentativa de combinar aventura com padrões formais de segurança. O Abismo Anhumas possui sistema de gestão certificado pela ABNT NBR ISO 21101, voltada ao gerenciamento de riscos no turismo de aventura. O equipamento e as operações passam por procedimentos de inspeção e acompanhamento de profissionais capacitados.

Serra do Amolar leva visitante a áreas protegidas do Pantanal

 turismo de aventura no Brasil

Outra participante do turismo de aventura no Brasil é a Amolar Experience, projeto desenvolvido na Serra do Amolar, no Pantanal. Os roteiros partem de Corumbá e utilizam o Rio Paraguai para chegar a áreas protegidas onde são desenvolvidas experiências de ecoturismo, educação ambiental e contato com comunidades da região.

A programação pode incluir trilhas, passeios de barco, observação de aves, visitas a comunidades ribeirinhas e ao Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense. A operação está associada às reservas particulares Acurizal e Engenheiro Eliezer Batista, administradas pelo Instituto Homem Pantaneiro.

Em roteiros regulares de 2026, por exemplo, a viagem entre Corumbá e a Serra do Amolar envolve aproximadamente 253 quilômetros de navegação pelo Rio Paraguai. O modelo permite apresentar o ecoturismo no Brasil não somente como visita a uma paisagem, mas como uma atividade relacionada à conservação de áreas protegidas e ao contato com comunidades que vivem no território.

Vitrine reúne 100 experiências para venda no mercado internacional

As empresas presentes em Québec estão ligadas a uma estratégia maior de promoção internacional. Embratur e Sebrae começaram a estruturar em 2024 uma vitrine com 100 experiências distribuídas por 30 destinos brasileiros, com prioridade para produtos capazes de oferecer vivências relacionadas à cultura, natureza e comunidades locais.

Entre os exemplos apresentados desde o lançamento do turismo de aventura no Brasil estão, mergulho em Fernando de Noronha, observação de animais no Pantanal, roteiros pela Pequena África no Rio de Janeiro e atividades ligadas à observação de aves.

Mais de 70% das experiências inicialmente selecionadas eram oferecidas por micro e pequenas empresas, segundo a Embratur. Isso ajuda a explicar por que participar de um evento profissional como o ATWS pode ser mais relevante para esses negócios do que simplesmente exibir fotografias de destinos.

A intenção é transformar experiências locais em produtos que possam aparecer nos catálogos e sistemas de venda de operadoras estrangeiras, criando canais de distribuição para empresas que dificilmente conseguiriam negociar individualmente com compradores de vários países.

Tema “Trace” discute as marcas deixadas pelas viagens

A edição de 2026 do turismo de aventura no Brasil tem como tema “Trace”, expressão apresentada pela organização como uma reflexão sobre os caminhos percorridos e as marcas deixadas pelo turismo.

A ATTA relaciona o conceito à necessidade de observar simultaneamente aquilo que os territórios herdaram e o legado que a atividade turística deixará para as próximas gerações. Questões ecológicas, culturais, comunitárias e geracionais aparecem na proposta do evento.

A estratégia brasileira procura se inserir justamente nessa discussão.

“Nossa estratégia durante o ATWS é focar em converter nossa biodiversidade em oportunidades reais de negócios para os empreendedores brasileiros, provando que o turismo de aventura, natureza e de base comunitária são importantes diferenciais competitivos do Brasil no exterior”, afirma Bruno Reis, presidente da Embratur.

A Agência associa essa comercialização à conservação dos ambientes visitados, à participação das comunidades e à geração de renda nos próprios destinos.

Brasil possui mais de 50 normas técnicas para turismo de aventura

 turismo de aventura no Brasil

A promoção internacional também tenta responder a uma questão fundamental para quem vende atividades como rapel, rafting, escalada, mergulho ou canionismo: segurança. Segundo a Embratur, o Brasil possui mais de 50 normas técnicas relacionadas ao turismo de aventura e participou da construção de referências que posteriormente foram incorporadas aos padrões internacionais da ISO.

Entre elas está a ISO 21101, voltada à criação de sistemas de gestão de segurança por empresas que operam atividades de aventura. A norma orienta procedimentos para identificar perigos, avaliar riscos, estabelecer responsabilidades e estruturar respostas a emergências.

A ISO 21102 trata das competências necessárias aos profissionais que lideram atividades de aventura. Já a ISO 21103 estabelece parâmetros para as informações que devem ser fornecidas aos participantes antes e durante a experiência. Esses padrões foram incorporados ao sistema brasileiro como normas ABNT NBR ISO.

País tem 59 empresas certificadas em gestão de segurança

De acordo com os dados apresentados pela Embratur no summit, 59 empresas brasileiras possuem certificação pela ISO 21101 para turismo de aventura. A certificação não representa apenas um selo promocional. Para obter o reconhecimento, a empresa precisa implantar um sistema estruturado para identificação e gerenciamento de riscos e passar pelo processo de auditoria correspondente.

Esse tipo de comprovação ganha importância quando o produto é negociado com operadores internacionais, que precisam avaliar as condições de segurança das experiências oferecidas aos próprios clientes. As normas brasileiras abrangem atividades como montanhismo, escalada, espeleoturismo, canionismo, técnicas verticais, cicloturismo, turismo equestre, arvorismo e atividades aquáticas.

Sustentabilidade também possui norma específica para aventura

O debate não se limita à prevenção de acidentes. A ISO 20611 estabelece recomendações e boas práticas de sustentabilidade especificamente para o turismo de aventura. Entre as questões abordadas estão os impactos ambientais, sociais e econômicos relacionados às atividades realizadas nos territórios.

Essa preocupação é particularmente relevante em produtos que dependem diretamente de ambientes naturais preservados. Uma operação de observação de fauna, por exemplo, pode perder seu próprio atrativo caso provoque perturbação excessiva dos animais. O mesmo acontece com atividades realizadas em cavernas, trilhas, rios e áreas de vegetação sensível.

Para o turismo de aventura no Brasil, a discussão passa, portanto, por estabelecer limites de visitação, reduzir impactos, definir condutas e garantir que parte dos benefícios econômicos permaneça no território.

Canadá já enviava mais de 91 mil turistas ao Brasil

 turismo de aventura no Brasil

Realizar a apresentação brasileira em Québec também aproxima os destinos nacionais de um mercado que já possui fluxo turístico para o país. Em 2024, mais de 91 mil canadenses visitaram o Brasil, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior, segundo dados utilizados pela Embratur.

Levantamento de mercado da própria Agência mostra que cerca de 89,7% das entradas de canadenses no Brasil naquele período ocorreram por via aérea. Toronto e Montreal estavam ligadas diretamente a São Paulo. A estratégia comercial já vinha sendo trabalhada antes do summit.

Em 2025, uma parceria da Embratur com a Air Canada Vacations colocou 13 novos pacotes brasileiros à venda para o público canadense, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Foz do Iguaçu e Porto de Galinhas.

Turismo internacional bateu recorde no Brasil em 2025

A promoção das experiências acontece depois de um ano de recorde nas chegadas internacionais ao país. O turismo de aventura no Brasil recebeu 9,29 milhões de turistas estrangeiros em 2025, aumento de aproximadamente 37% sobre 2024 e maior resultado da série histórica.

Os visitantes internacionais deixaram US$ 7,86 bilhões no país ao longo do ano, também em patamar recorde, segundo a Embratur. O desafio da política de promoção passa agora por distribuir parte desse fluxo entre mais regiões e atividades.

É nesse ponto que o turismo de aventura no Brasil entra na estratégia. Em vez de comercializar somente cidades já conhecidas internacionalmente, a ideia é transformar áreas naturais, experiências de observação de fauna e roteiros comunitários em produtos acessíveis a operadores de outros países.

Brasil já levou experiências de natureza ao summit de 2025

A participação no Canadá dá continuidade a uma presença brasileira que ocorreu também na edição anterior do Adventure Travel World Summit. Em 2025, o encontro foi realizado em Puerto Natales, no Chile, e o Brasil utilizou o evento para divulgar experiências do projeto Feel Brasil ligadas à natureza e à aventura.

Naquele momento, a Embratur informou que o portfólio reunia mais de cem experiências de todas as regiões do país, com presença significativa de negócios liderados por mulheres e projetos comprometidos com práticas sociais e ambientais.

Para 2026, a diferença do turismo de aventura no Brasil está no tamanho da delegação. Segundo a Agência, a participação em Québec é a maior brasileira nas 22 edições do encontro. Até quinta-feira, empresas e destinos seguirão participando de reuniões, sessões profissionais e atividades de relacionamento com compradores e imprensa.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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