Cartagena também avançou 13% e novos movimentos na aviação ampliam o acesso ao Caribe
As viagens para o Caribe em 2026 aparecem com força nas reservas de experiências feitas por brasileiros. Entre janeiro e agosto, a procura por passeios em Cancún, no México, cresceu 106% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Civitatis. San Andrés, na Colômbia, avançou 62%, enquanto Cartagena das Índias registrou alta de 13%.
Os percentuais medem exclusivamente as reservas de passeios e atividades realizadas por brasileiros dentro da plataforma e, portanto, não significam que o número total de turistas do país nesses destinos tenha aumentado na mesma proporção. Ainda assim, os dados mostram uma mudança no tipo de roteiro procurado, além das praias, atividades em ilhas, cenotes, sítios arqueológicos e centros históricos aparecem entre as experiências mais reservadas.
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O maior crescimento entre os destinos analisados foi registrado em Cancún para brasileiros. As reservas de passeios feitas na plataforma mais que dobraram nos oito primeiros meses deste ano. A principal procura está ligada a atrações que levam o viajante para fora da zona hoteleira. O passeio de catamarã até Isla Mujeres aparece entre os mais reservados, ao lado da excursão a Chichén Itzá, normalmente combinada com parada em cenotes.
A localização de Cancún permite utilizar a cidade como base para conhecer outros pontos de Quintana Roo e da Península de Yucatán. Isla Mujeres fica diante da costa, enquanto os roteiros para Chichén Itzá levam o visitante para uma das áreas arqueológicas maias mais conhecidas do México.
A vida noturna também aparece entre os gastos dos brasileiros com experiências. Ingressos para estabelecimentos como a Coco Bongo estão entre os produtos reservados pelos usuários da plataforma. Assim, o aumento não está concentrado em uma única atividade. Os dados indicam procura por praia, navegação, arqueologia, cenotes e entretenimento noturno dentro da mesma viagem.

Na Colômbia, San Andrés para brasileiros apresentou o segundo maior avanço do levantamento, com crescimento de 62% nas reservas de experiências entre janeiro e agosto. A ilha possui um perfil diferente do mexicano. Grande parte das atividades procuradas está diretamente relacionada ao mar e às pequenas ilhas próximas.
A excursão para Johnny Cay aparece à frente das reservas da Civitatis. O pequeno ilhote fica próximo a San Andrés e costuma integrar roteiros que incluem praias, banho de mar e navegação pelo arquipélago. Também aparecem entre os destaques o parasailing e os passeios de lancha pelas águas que deram à região o apelido de “mar de sete cores”.
“O brasileiro está mais experiente e curioso. Ele já conhece os destinos mais famosos do Caribe, como Cancún e Punta Cana, e agora quer descobrir os próximos. San Andrés é um exemplo perfeito disso”, observa Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis Brasil.
A alta coloca a ilha colombiana entre os destinos que ganharam espaço dentro das viagens para o Caribe em 2026, especialmente para quem procura uma viagem concentrada em praias e atividades aquáticas.

O movimento registrado em Cartagena das Índias é menor em termos percentuais, mas apresenta uma característica diferente, a procura por experiências culturais ocupa espaço importante no roteiro. As reservas de brasileiros cresceram 13% no período analisado. Entre as atividades mais buscadas estão passeios pelo centro histórico e visitas ao Castelo de San Felipe de Barajas, além das excursões marítimas para as Ilhas do Rosário.
Cartagena permite, assim, combinar duas experiências durante uma mesma viagem. De um lado estão praias e passeios de barco pelo Caribe colombiano; do outro, uma cidade cercada por muralhas, fortalezas, praças e edifícios históricos.
O conjunto de porto, fortalezas e monumentos de Cartagena integra a lista de Patrimônio Mundial da Unesco desde 1984. A organização destaca especialmente o sistema de fortificações construído durante o período colonial. Para os brasileiros registrados no levantamento da Civitatis, essa combinação aparece também no comportamento de reservas, atividades históricas dividem espaço com os passeios para as ilhas.
A malha aérea merece uma atualização importante para quem planeja viagens para o Caribe em 2026. A GOL realmente retomou a rota direta entre Brasília e Cancún em 20 de junho, com três frequências semanais. A operação havia sido suspensa em março e retornou para atender a alta temporada do meio do ano.
O voo, porém, não está mais em operação. A companhia confirmou que a ligação seria encerrada a partir de 9 de agosto de 2026. Os últimos voos foram realizados no começo daquele mês, depois de uma operação sazonal durante as férias de julho.
Isso significa que a retomada mencionada no levantamento da Civitatis contribuiu para a conectividade durante parte do período analisado, mas não representa uma opção direta disponível atualmente para quem planeja viajar de Brasília a Cancún. Brasileiros que pretendem chegar ao destino depois do encerramento da rota precisam consultar as combinações disponíveis pelas companhias aéreas, que podem envolver conexão em outros aeroportos.
Apesar do encerramento da rota sazonal, Brasil e México mantêm negociações relacionadas à expansão da conectividade entre os dois mercados. Em agosto, representantes do Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), empresa responsável pelo Aeroporto Internacional de Cancún, reuniram-se em Brasília com o Ministério de Portos e Aeroportos, a Anac e representantes do governo mexicano.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil apresentados pelo governo federal, 346 mil passageiros viajaram entre Brasil e México em 2025. O encontro discutiu justamente possibilidades de ampliar a ligação entre os países. A ASUR administra nove aeroportos mexicanos, incluindo Cancún, além de terminais na Colômbia e em Porto Rico.
A discussão ocorre em um período de aumento geral dos deslocamentos internacionais nos aeroportos brasileiros. Em julho de 2026, os voos internacionais movimentaram 2,74 milhões de passageiros, alta de 4,2% na comparação com julho do ano anterior. Esses números abrangem todo o mercado internacional brasileiro e não apenas o Caribe, mas ajudam a contextualizar o crescimento das viagens para fora do país.
Outro fator que alterou a preparação das viagens para o Caribe em 2026 foi a mudança nas regras de entrada no México. Desde 5 de fevereiro, brasileiros que pretendem entrar no país por via aérea podem solicitar um visto eletrônico para o México. A medida foi implementada pela Secretaria de Relações Exteriores mexicana.
O documento é destinado a visitantes que permanecerão no país por menos de 180 dias e não exercerão atividades remuneradas. Quando aprovado, o visto eletrônico possui validade de 180 dias, permite uma única entrada e custa US$ 10 por solicitação, segundo o Consulado-Geral do México em São Paulo. Ele vale exclusivamente para entrada por via aérea.
A taxa é cobrada pelo processo e o pagamento não garante a concessão do documento. Existem situações de dispensa. Brasileiros que possuem determinados vistos válidos ou residência permanente em países previstos nas regras mexicanas podem entrar sem solicitar o visto eletrônico, desde que atendam às condições definidas pelas autoridades migratórias. Para quem escolheu Cancún em 2026, portanto, verificar a documentação passou a ser uma etapa necessária antes da compra definitiva da viagem.
A Colômbia possui outra exigência específica para quem escolhe San Andrés. Visitantes que entram no arquipélago precisam adquirir a Tarjeta de Turismo, uma cobrança própria do Departamento de San Andrés, Providencia e Santa Catalina.
O documento concede ao viajante o direito de entrar na região como turista. O portal oficial do governo local informa que existe cobrança e que o visitante também deve possuir passagem de saída do arquipélago. Como o valor pode ser atualizado pelas autoridades colombianas, o ideal é conferir a tarifa vigente antes do embarque.
A exigência deve entrar no planejamento financeiro junto com passagens, hospedagem, transporte e passeios. Para San Andrés em 2026, esse custo adicional diferencia a viagem de uma estadia comum em outras cidades colombianas.

Os três destinos que cresceram no levantamento não oferecem exatamente a mesma experiência. Cancún atende especialmente quem procura uma estrutura turística ampla e pretende combinar praias com passeios para ilhas, cenotes e sítios arqueológicos. O destino permite incluir Isla Mujeres e Chichén Itzá em um roteiro sem trocar a base principal da viagem.
San Andrés concentra a programação no próprio ambiente insular. Johnny Cay, navegação, praias, mergulho e outras atividades aquáticas ocupam grande parte dos passeios disponíveis. Cartagena oferece outro equilíbrio. O viajante pode dedicar parte dos dias às praias e Ilhas do Rosário e reservar outro período para conhecer a cidade murada, as fortificações e o patrimônio histórico.
Essa diferença ajuda a explicar a diversificação observada nas viagens para o Caribe em 2026. O crescimento das reservas não aponta apenas para destinos de resort, mas também para lugares em que o brasileiro procura atividades fora da hospedagem.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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