Ballet de São Petersburgo traz “A Bela Adormecida” a Goiânia com solistas do Bolshoi e Mariinsky

Clássico criado em São Petersburgo no século XIX terá apresentação única no Teatro Goiânia com Alexander Volchkov e Ivan Oskorbin

Ballet Bela Adormecida em Goiânia

Um dos balés que ajudaram a definir a tradição clássica russa chega à capital goiana em uma montagem diretamente ligada à escola de dança de São Petersburgo. O Ballet Bela Adormecida em Goiânia será apresentada pelo Ballet de São Petersburgo no dia 13 de novembro, às 20h, no Teatro Goiânia, com participação de Alexander Volchkov, nome ligado ao Ballet Bolshoi de Moscou, e Ivan Oskorbin, integrante do Ballet Mariinsky. Os ingressos custam entre R$ 180 e R$ 400.

A apresentação do Ballet Bela Adormecida em Goiânia traz ao palco uma obra que nasceu justamente em São Petersburgo há mais de 130 anos. Com música de Piotr Ilitch Tchaikovsky e coreografia originalmente criada por Marius Petipa, “A Bela Adormecida” estreou no Imperial Mariinsky Theatre em 1890 e se transformou em uma das referências do chamado grande balé clássico. A produção que chega ao Brasil preserva essa tradição coreográfica, mas em uma versão de dois atos e aproximadamente duas horas de duração.

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“A Bela Adormecida” nasceu no Mariinsky em 1890

Ballet Bela Adormecida em Goiânia

A história de “A Bela Adormecida” como balé começa muito antes das versões cinematográficas que tornariam Aurora conhecida mundialmente. No final da década de 1880, Ivan Vsevolozhsky, então diretor dos Teatros Imperiais da Rússia, decidiu transformar o conto de Charles Perrault em uma grande produção para o palco de São Petersburgo. Ele elaborou o libreto junto com o coreógrafo Marius Petipa e convidou Tchaikovsky para escrever a música.

A proposta não era criar apenas uma adaptação simples do conto. Vsevolozhsky imaginava um espetáculo inspirado na corte francesa de Luís XIV, com procissões, danças, personagens fantásticos e grandes cenas coletivas. Ele próprio também participou da concepção dos figurinos.

Petipa, que já era uma das principais figuras do balé imperial russo, trabalhou diretamente com Tchaikovsky. O coreógrafo enviava orientações detalhadas sobre duração, quantidade de compassos e atmosfera necessária para cada sequência, enquanto o compositor transformava essas indicações em uma partitura muito mais elaborada do que a música meramente funcional que ainda predominava em parte do balé do século XIX.

A estreia ocorreu no Imperial Mariinsky Theatre, em São Petersburgo, em janeiro de 1890. O calendário russo usado na época registrava 3 de janeiro; pela contagem gregoriana atualmente adotada, a data corresponde a 15 de janeiro de 1890.

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Primeira Aurora foi interpretada pela italiana Carlotta Brianza

O elenco original reuniu alguns dos principais bailarinos da estrutura imperial russa daquele período. A italiana Carlotta Brianza interpretou a princesa Aurora. Pavel Gerdt assumiu o príncipe Désiré, enquanto Marie Petipa, filha de Marius Petipa, dançou a Fada Lilás. O italiano Enrico Cecchetti, que se tornaria uma figura fundamental na pedagogia do balé, apareceu como Carabosse e também como o Pássaro Azul.

O espetáculo original foi concebido como um ballet-féerie, formato marcado por fantasia, cenários grandiosos e efeitos teatrais. A estrutura incluía prólogo, três atos e uma apoteose final. A grandiosidade pode ser medida até pela duração.

A reconstrução histórica apresentada atualmente pelo Mariinsky, baseada na coreografia de Petipa e em registros preservados, chega a quatro horas com três intervalos. A versão do Ballet Bela Adormecida em Goiânia é mais enxuta. A produção da turnê brasileira foi anunciada em dois atos, enquanto a plataforma responsável pela venda das entradas prevê espetáculo das 20h às 22h.

No Ballet Bela Adormecida em Goiânia Aurora enfrenta a maldição de Carabosse

Apesar das diferentes montagens produzidas ao longo dos anos, o eixo da história permanece reconhecível. O rei e a rainha celebram o nascimento da princesa Aurora e convidam diferentes fadas para o batizado. Carabosse, indignada por ter sido esquecida, aparece durante a celebração e lança uma maldição: a princesa irá ferir o dedo em um fuso e morrer.

A Fada Lilás não consegue desfazer completamente o feitiço, mas modifica seu resultado. Em vez de morrer, Aurora cairá em um sono profundo e poderá ser despertada por um príncipe.

No aniversário de 16 anos, a profecia se concretiza. Disfarçada, Carabosse entrega um fuso à princesa, que fere o dedo e adormece. Todo o palácio é colocado sob o mesmo encantamento. Cem anos depois, a Fada Lilás conduz o príncipe Désiré até Aurora. O beijo encerra o sono e leva ao casamento que ocupa a parte final do balé.

Casamento de Aurora reúne personagens de outros contos de fadas

Ballet Bela Adormecida em Goiânia

A história do Ballet Bela Adormecida em Goiânia não termina simplesmente quando a princesa desperta. O último ato transforma o casamento de Aurora e Désiré em uma grande celebração do universo dos contos de fadas. Personagens conhecidos de outras narrativas de Charles Perrault aparecem como convidados.

Dependendo da montagem, o público encontra figuras como O Gato de Botas e a Gata Branca, Chapeuzinho Vermelho e o Lobo, a princesa Florine e o Pássaro Azul, Cinderela e o Pequeno Polegar. Essa estrutura permite que Petipa interrompa a narrativa principal para apresentar uma sequência de danças com estilos e personagens diferentes, culminando no grande pas de deux de Aurora e Désiré.

É também uma das razões pelas quais “A Bela Adormecida” se tornou uma espécie de vitrine do vocabulário clássico: solos, variações, conjuntos e danças de caráter aparecem dentro de uma mesma produção.

Música de Tchaikovsky ajudou a transformar o balé clássico

A importância histórica da obra também está na partitura. Quando recebeu o convite, Tchaikovsky já havia composto “O Lago dos Cisnes”, mas a colaboração com Petipa em “A Bela Adormecida” criou uma relação especialmente próxima entre música e movimento.

O Mariinsky destaca que Petipa apresentou ao compositor um plano coreográfico detalhado, mas Tchaikovsky foi além das exigências técnicas e criou uma partitura com desenvolvimento sinfônico, temas associados aos personagens e uma riqueza melódica que passou a ser inseparável da coreografia.

Carabosse recebe uma música mais tensa e dramática, enquanto a Fada Lilás funciona como contraponto musical e narrativo, representando a proteção de Aurora e, ao final, a vitória sobre a maldição. O resultado ajudou a fazer do espetáculo uma referência para produções posteriores e consolidou a parceria artística entre a linguagem coreográfica de Petipa e a música de Tchaikovsky.

Música do balé chegou ao cinema pela Disney

Mesmo quem nunca assistiu à montagem completa pode reconhecer parte da música. Quando a Disney produziu a animação “A Bela Adormecida”, lançada em 1959, a trilha aproveitou e adaptou a partitura do balé de Tchaikovsky. O catálogo do American Film Institute registra oficialmente que a música do filme foi adaptada da obra composta para o espetáculo de 1890.

A conhecida “Once Upon a Dream”, cantada por Aurora e pelo príncipe no filme, utiliza como base musical uma das valsas da partitura de Tchaikovsky. A animação não reproduz exatamente o balé. Personagens, estrutura narrativa e detalhes foram modificados, mas a utilização da música ajudou a levar melodias do repertório clássico a um público muito maior.

No palco, por exemplo, a antagonista continua sendo Carabosse, enquanto a versão da Disney transformou a personagem em Malévola.

Ballet de São Petersburgo foi criado em 2011

A companhia que apresenta o Ballet Bela Adormecida em Goiânia também possui uma história própria dentro da tradição russa. O St. Petersburg Ballet, apresentado no Brasil como Ballet de São Petersburgo ou Ballet de San Petersburgo, foi criado em 2011 com a proposta de apresentar jovens nomes da dança clássica a públicos de diferentes países.

A formação da companhia teve influência do coreógrafo Nikolai Boyarchikov, Artista do Povo da Rússia, professor do Conservatório de São Petersburgo e nome ligado à tradição coreográfica da cidade. A direção artística é de Dmitry Rudachenko. Na Rússia, a companhia realiza apresentações em espaços como o Hermitage Theatre e o Komissarzhevskaya Theatre, além de circular em turnês pela Rússia e por outros países.

O repertório preserva alguns dos títulos fundamentais do balé clássico, entre eles “O Lago dos Cisnes”, “O Quebra-Nozes”, “Giselle”, “A Bela Adormecida” e “Chopiniana”.

Companhia mantém ligação com a tradição da Academia Vaganova

Outro ponto da trajetória do Ballet de São Petersburgo é a aproximação com escolas de formação da cidade. A companhia mantém colaboração com a Academia Vaganova de Balé Russo e outras instituições coreográficas, oferecendo oportunidades de prática de palco a estudantes e jovens formados.

A Vaganova ocupa um lugar particular na história do balé russo. É uma das instituições mais tradicionais da formação clássica do país e está diretamente associada à escola que abasteceu por gerações companhias como o Mariinsky.

O Ballet de São Petersburgo também costuma receber artistas convidados de diferentes teatros. Registros de suas temporadas mencionam bailarinos ligados ao Mariinsky, Mikhailovsky, Bolshoi, Leonid Yakobson e a outras companhias russas. É justamente esse modelo que aparece na passagem por Goiânia.

Volchkov construiu carreira no Bolshoi e já dançou o príncipe Désiré

Um dos convidados da apresentação é Alexander Volchkov. Formado pela Academia Estatal de Coreografia de Moscou, ele entrou para o Ballet Bolshoi em 1997 e posteriormente alcançou o posto de premier. Sua trajetória inclui alguns dos principais papéis masculinos do repertório clássico.

Há ainda uma ligação direta entre Volchkov e a obra que será apresentada em Goiânia. No Bolshoi, o bailarino já interpretou o príncipe Désiré em “A Bela Adormecida”, além de personagens como o príncipe Siegfried, de “O Lago dos Cisnes”; Romeu, de “Romeu e Julieta”; Albrecht, de “Giselle”; e Solor, de “La Bayadère”.

Ivan Oskorbin integra o Mariinsky desde 2014

O segundo convidado vem justamente do teatro onde “A Bela Adormecida” nasceu. Ivan Oskorbin formou-se na Escola Estatal de Dança de Novosibirsk em 2009 e atuou como solista principal do Teatro de Ópera e Balé de Novosibirsk antes de ingressar no Mariinsky Ballet, em 2014.

Seu repertório passa por produções como “Giselle”, “O Lago dos Cisnes”, “La Bayadère”, “Don Quixote”, “Raymonda”, “Carmen Suite”, “Anna Karenina” e “Romeu e Julieta”. Oskorbin também possui experiência anterior em “A Bela Adormecida”. Em diferentes momentos da carreira, interpretou personagens como o Pássaro Azul, o príncipe Fortuné e integrantes do grupo de pretendentes de Aurora.

A presença dele e de Volchkov não significa que Bolshoi e Mariinsky estejam trazendo seus corpos de baile completos à capital. O espetáculo é realizado pelo Ballet de São Petersburgo, com os dois bailarinos convidados vindos de trajetórias ligadas a essas instituições.

Produção passa por cinco capitais brasileiras

A apresentação do Ballet Bela Adormecida em Goiânia integra uma turnê brasileira do Ballet de São Petersburgo. A divulgação da temporada informa passagem por cinco capitais em novembro. A produção apresentada durante a turnê utiliza dois atos e mantém a estrutura coreográfica baseada na tradição de Marius Petipa.

O Ballet Bela Adormecida em Goiânia, será realizada apenas uma sessão, às 20h de 13 de novembro. A classificação indicativa informada pela organização é livre. O Teatro Goiânia fica na Avenida Tocantins, nº 252, no Centro.

Ingressos custam entre R$ 180 e R$ 400

Os ingressos para o Ballet Bela Adormecida em Goiânia já estão à venda. Na plateia inferior, a inteira custa R$ 400 e a meia-entrada R$ 200. Há ainda ingresso solidário por R$ 240, mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível no acesso ao teatro.

Na plateia superior, a inteira custa R$ 360 e a meia R$ 180. O ingresso solidário sai por R$ 200 + 1 kg de alimento não perecível. As vendas online são realizadas pela plataforma Ticketandgo. Também há ponto de venda presencial na Komiketo Sanduicheria da Avenida T-4, nº 6000, no Setor Serrinha.

>> SE LIGA
Ballet Bela Adormecida em Goiânia
Quando: 13 de novembro de 2026;
Horário: 20h;
Onde: Teatro Goiânia; Avenida Tocantins, nº 252, Centro, Goiânia
Classificação: livre
Vendas: Ticketandgo e Komiketo da Avenida T-4.

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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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