“O Planeta é Nossa Casa” terá três apresentações em setembro e usa circo, teatro e música para aproximar crianças de temas como sustentabilidade, reciclagem e combate ao Aedes aegypti
Uma dupla de super-heróis, muitos desafios para enfrentar e uma certeza: cuidar do planeta é uma missão grande demais para ser realizada sozinho. Essa é a premissa de “O Planeta é Nossa Casa”, espetáculo circense infantil da Pinne Magique que chega a Aparecida de Goiânia para três apresentações. A primeira será sábado (12), às 15h30, na Praça CEU das Artes Vera Cruz. No domingo (13), às 15h30, a atração estará na Praça CEU das Artes Parque Flamboyant. A circulação termina no sábado (19), às 10h30, na Praça da Juventude, no Setor Garavelo.
Contemplado pelo Edital Ocupa Goiás nº 03/2025, o projeto é realizado com recursos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás. A montagem tem classificação livre, duração de 45 minutos e é especialmente direcionada a crianças de 2 a 10 anos.
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Em cena, os personagens Anala e Valum descobrem que a Terra está cercada por problemas que exigem atenção. Lixo descartado de maneira inadequada, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e dificuldades na convivência entre as pessoas aparecem no caminho dos dois super-heróis.
Diante de tantos desafios, eles percebem que precisam aumentar a equipe. E os novos heróis estão justamente na plateia.
A partir dessa interação, o espetáculo apresenta às crianças a ideia de que cuidar do mundo não exige poderes extraordinários. Reciclar, evitar condições favoráveis à proliferação do mosquito, cuidar dos espaços onde se vive, respeitar as outras pessoas e agir coletivamente também são maneiras de transformar a realidade.
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A Pinne Magique aposta no encantamento das artes circenses para tratar desses temas sem abandonar a diversão. A montagem reúne malabares, monociclo, parada de mãos e duo acrobático, além de teatro e música executada ao vivo.
A acrobata Zyza Gleybe interpreta a super-heroína Anala, enquanto Rodrigo Rodrigues vive Valum. Reginaldo Mesquita completa o trio como músico e intérprete do personagem Duende.
Ao colocar as crianças dentro da missão dos personagens, “O Planeta é Nossa Casa” busca aproximar questões ambientais e sociais de situações que elas conseguem reconhecer no cotidiano. A proposta é fazer com que informação, imaginação e experiência caminhem juntas.
Por que vocês consideraram importante criar um espetáculo infantil que fale sobre meio ambiente e sustentabilidade?
Porque a infância é um momento muito potente para criar relações de cuidado com o mundo. A criança aprende não apenas quando alguém explica alguma coisa para ela, mas quando brinca, experimenta e se envolve emocionalmente. Queríamos falar de questões que são urgentes, mas sem transformar o espetáculo em uma aula. O circo nos permite fazer isso pelo encantamento. A criança ri, participa, acompanha a aventura e, no meio disso, percebe que também pode fazer alguma coisa pelo lugar onde vive.
O espetáculo trabalha com a ideia de que as crianças também podem ser “super-heróis” do planeta. O que vocês querem despertar nelas a partir dessa brincadeira?
A gente brinca justamente com essa imagem do super-herói que resolve tudo sozinho e tem poderes extraordinários. Anala e Valum descobrem que não conseguem salvar o planeta sem ajuda. E os “poderes” que buscamos mostrar às crianças são muito possíveis: cuidar do lixo, não deixar água parada, respeitar o outro, preservar os espaços que são de todos. Queremos que elas saiam entendendo que não precisam esperar alguém fazer alguma coisa. Mesmo pequenas, elas já podem participar das mudanças.
Temas como combate ao Aedes aegypti, reciclagem e responsabilidade ambiental podem parecer complexos para crianças pequenas. De que maneira o circo ajuda a tornar esses assuntos mais próximos e interessantes?
O circo fala diretamente com a curiosidade da criança. Quando aparece um malabarismo, uma acrobacia ou alguém em um monociclo, imediatamente existe uma atenção, um encantamento. A partir daí, conseguimos inserir essas questões dentro da história sem que elas apareçam como uma lista de obrigações. A mensagem está na aventura, na brincadeira, no corpo dos artistas, na música. Isso faz com que o conteúdo seja vivido, e não apenas ouvido.
“O Planeta é Nossa Casa” também fala de gentileza e convivência. Por que colocar o cuidado com as pessoas ao lado do cuidado com o meio ambiente?
Porque não conseguimos separar essas coisas. Às vezes pensamos em sustentabilidade apenas como cuidar da natureza, mas o mundo também é feito das relações que construímos. Não adianta falar em um planeta melhor sem falar em respeito, cooperação, gentileza e responsabilidade com o outro. Para nós, cuidar da nossa casa comum significa cuidar do ambiente, mas também de quem divide essa casa conosco.
As crianças participam simbolicamente da missão de Anala e Valum. O que essa interação acrescenta ao espetáculo?
Ela é fundamental, porque a criança deixa de ser apenas espectadora. Quando Anala e Valum percebem que precisam de ajuda, é como se a história dissesse: “Agora isso também é com você”. E criança responde de verdade! Ela fala, alerta os personagens, dá ideias, se envolve. Cada público modifica um pouco o espetáculo. Essa troca é uma das coisas mais bonitas do trabalho.
Qual é a importância de levar o espetáculo para praças e equipamentos públicos de diferentes regiões de Aparecida de Goiânia?
É muito importante que a arte possa encontrar as pessoas onde elas estão. Nem toda família tem o hábito ou a possibilidade de frequentar teatros e outros espaços culturais. Quando ocupamos uma praça ou um equipamento público, podemos alcançar também quem talvez não tivesse planejado assistir a um espetáculo naquele dia. A criança chega, vê o circo acontecendo perto de casa e aquele espaço cotidiano ganha outro significado. Democratizar o acesso à cultura também passa por isso.
Depois que a apresentação termina, o que vocês gostariam que as crianças levassem para casa?
Gostaria que elas levassem primeiro uma lembrança feliz. Que lembrassem das acrobacias, das músicas, das brincadeiras, de Anala e Valum. Mas seria muito bonito se, junto com essa memória, ficasse também uma pequena inquietação: “O que eu posso fazer?”. Se uma criança chega em casa querendo cuidar melhor do lixo, lembrando alguém de não deixar água parada ou entendendo que ser gentil também é uma forma de cuidar do mundo, o espetáculo continua acontecendo mesmo depois que a gente sai de cena.
12/9 (sábado), às 15h30
Praça CEU das Artes Vera Cruz
Av. V, 5 – s/n – Cidade Vera Cruz
13/9 (domingo), às 15h30
Praça CEU das Artes Parque Flamboyant
Av. Virgílio Joaquim Ferreira, Qd. 23, Lt. 17, C-3, Parque Flamboyant
19/9 (sábado), às 10h30
Praça da Juventude – Setor Garavelo
Av. da Igualdade – Setor Garavelo
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre
Público-alvo: especialmente crianças de 2 a 10 anos
Realização: projeto contemplado pelo Edital Ocupa Goiás nº 03/2025, com recursos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás.
Este conteúdo é de total responsabilidade de seu colunista, que colabora de forma independente e voluntária com o portal Gazeta Culturismo. Portanto, a Culturismo Comunicação Ltda não se responsabiliza pelos materiais apresentados por este autor.
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Ana Paula Mota é produtora cultural do Instituto Federal de Goiás (Câmpus Aparecida de Goiânia) desde 2013. Também é comunicadora, graduada em Comunicação Social pela UFG (2000) e especialista em Tecnologias na Aprendizagem, pelo SENAC (2015). Há quase 30 anos colabora com projetos culturais goianos, seja como produtora cultural ou como assessora de imprensa. Foi produtora artística e cultural da Quasar Cia de Dança entre 1997 e 2010. Na Lumieira, está à frente da assessoria de imprensa de projetos culturais.
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