Grupo será o primeiro representante do Centro-Oeste brasileiro na programação oficial do Festival Fringe de Edimburgo e apresenta a força do teatro goiano na Escócia
A cena teatral goiana alcança um novo marco internacional em agosto. O espetáculo “Espécie”, da Casa 107, realiza temporada de nove apresentações no Festival Fringe de Edimburgo, na Escócia, entre os dias 9 e 15 de agosto, tornando-se o primeiro trabalho de um grupo do Centro-Oeste brasileiro a integrar a programação oficial do maior festival de artes do mundo.
Criado por Valéria Braga e Rodrigo Cunha, o espetáculo já ultrapassou a marca de 200 apresentações e consolidou uma trajetória internacional com temporadas pela América Latina e Europa. Em Edimburgo, além das apresentações no Braw Venues Alba Theatre, a montagem também participará do Fringe Marketplace, plataforma que aproxima artistas de curadores, programadores e produtores culturais de diversos países, ampliando as possibilidades de circulação internacional.
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Sem recorrer ao texto falado, “Espécie” transforma o corpo em linguagem. Em cena, apenas um ator, a escuridão e a luz de um telefone celular conduzem o público por uma experiência sensorial que investiga memória, ancestralidade, animalidade e transformação.
Segundo Valéria Braga, o processo de criação levou cerca de três anos e começou em uma pequena sala escura, em Goiânia.
“A escuridão conduziu todo o processo criativo. Ela dilatava nossa percepção e convocava outros sentidos: a respiração, os sons, o movimento e o imaginário. Aos poucos, o corpo tornou-se nosso principal território de investigação.”
A pesquisa também incluiu visitas ao Zoológico de Goiânia. A observação dos animais em cativeiro provocou uma das questões centrais da obra.
“Diante daqueles olhares, deixávamos de ser apenas observadores para também nos percebermos observados. Foi daí que surgiu a pergunta: ‘Quem olha quem?’.”
Depois de mais de uma década em circulação, Valéria afirma que cada apresentação continua revelando novos sentidos para a obra.
“Cada público completa a experiência a partir de sua história, de sua cultura e de seus contextos. Mas existe algo que sempre retorna: ‘Espécie’ desperta uma memória anterior às palavras, uma ancestralidade capaz de reconectar as pessoas àquilo que sustenta a vida.”
Primeiro sentimento ao chegar ao Fringe?
Um marco para a Casa 107, para o teatro goiano e para a produção do Centro-Oeste brasileiro.
O que torna “Espécie” diferente?
Um monólogo de teatro físico em que o corpo, a respiração, o silêncio e a luz de um celular substituem a palavra.
A pergunta que acompanha o espetáculo?
“Quem olha quem?”
O que esperam do Fringe Marketplace?
Ampliar o diálogo com programadores internacionais e abrir novos caminhos para futuras circulações do espetáculo.
Depois da Escócia, qual o próximo passo?
Retornar ao Brasil e compartilhar a experiência em uma palestra gratuita sobre circulação internacional nas artes da cena.
A circulação internacional conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Governo de Goiás.
A produção executiva é de Wellington Dias. A produção logística é assinada por Reginaldo Melo e a produção internacional por João Bosco Amaral. A direção é de Valéria Braga, com atuação e criação de Rodrigo Cunha.
Mais informações:
https://www.instagram.com/rodrigocunhacunha/
https://www.instagram.com/casa107vivace/
https://www.edfringe.com/tickets/venues/braw-venues-hill-street
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Ana Paula Mota é produtora cultural do Instituto Federal de Goiás (Câmpus Aparecida de Goiânia) desde 2013. Também é comunicadora, graduada em Comunicação Social pela UFG (2000) e especialista em Tecnologias na Aprendizagem, pelo SENAC (2015). Há quase 30 anos colabora com projetos culturais goianos, seja como produtora cultural ou como assessora de imprensa. Foi produtora artística e cultural da Quasar Cia de Dança entre 1997 e 2010. Na Lumieira, está à frente da assessoria de imprensa de projetos culturais.
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