Nalini Cia de Dança atravessa o Brasil com projeto que une arte, diversidade e inclusão

Em seu décimo ano de trajetória, companhia goiana leva os espetáculos “TITIKSHA” e “VÉU” a Belém, Florianópolis e Natal, em circuito gratuito com 18 apresentações, oficinas e intercâmbios

Nalini Cia de Dança atravessa o Brasil com projeto que une arte, diversidade e inclusão

A dança contemporânea produzida em Goiás ganha novos territórios com o projeto “Corpo, Território e Diferença”, circulação nacional da Nalini Cia de Dança que passa por Belém (PA), Florianópolis (SC) e Natal (RN). Contemplada pelo Programa Funarte de Difusão Nacional – Circuito Klauss Vianna, a iniciativa reúne 18 apresentações gratuitas dos espetáculos TITIKSHA e VÉU, além de oficinas de dança inclusiva, rodas de conversa, intercâmbios artísticos e ações de acessibilidade.

A circulação acontece em um ano simbólico para a companhia, que completa uma década de trajetória em 2026. Mais do que levar seu repertório a outras regiões brasileiras, a Nalini propõe aproximar diferentes experiências de criação e ampliar a discussão sobre diversidade corporal, inclusão e acesso à produção artística.

Das 18 apresentações previstas, seis serão realizadas em cada capital. A agenda inclui sessões abertas ao público e outras direcionadas a instituições que atendem pessoas com deficiência. Todas as atividades terão intérprete de Libras e, nas apresentações voltadas às instituições, haverá também audiodescrição. A proposta prevê ainda espaços com acessibilidade física, materiais em Braille e metodologias adaptadas nas oficinas.

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Encontros que ultrapassam o palco

Um dos eixos do projeto é o intercâmbio entre a produção artística de Goiás e iniciativas ligadas à dança inclusiva nos territórios visitados. Em Belém, a companhia promove trocas com a artista e pesquisadora Socorro Lima, em parceria com o Coletivo Corpus Sensorialis. Em Florianópolis, o encontro será com a Lápis de Seda Cia de Dança Inclusiva e, em Natal, com o Coletivo CIDA.

As atividades permitem compartilhar processos de criação, experiências e metodologias relacionadas à acessibilidade e à presença de diferentes corpos na dança. Oficinas gratuitas e conversas realizadas após os espetáculos completam a programação, aproximando artistas e espectadores.

Resistência e ancestralidade em “TITIKSHA”

Uma das obras escolhidas para a circulação, “TITIKSHA”, nasceu em 2019 e tem como ponto de partida o conceito sânscrito de resiliência. O solo constrói uma reflexão sobre resistência, ancestralidade, opressão e preservação da natureza, evocando uma figura guerreira profundamente conectada à terra. Sua inspiração inicial veio da história de Ajuricaba, líder indígena do povo Manaó que resistiu à dominação colonial.

Desde a estreia, em Recife, no Festival Cena Cumplicidades, TITIKSHA percorreu diferentes estados e integrou festivais e programações culturais pelo país. Ainda em 2019, recebeu o prêmio de Melhor Espetáculo no Festival de Monólogos Teatro e Dança, em Fortaleza. Posteriormente, passou por eventos e espaços em estados como São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Maranhão, Ceará, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Em 2022, o projeto Titiksha na Estrada foi contemplado pelo Prêmio Funarte Circulação e Difusão da Dança, resultando em nova circulação nacional no ano seguinte.

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Entre o visível e aquilo que se esconde

A outra criação apresentada no circuito é “VÉU”, espetáculo estreado em Goiânia em 2024. Inspirada no conceito filosófico do Véu de Maya, a montagem investiga as fronteiras entre realidade e ilusão e convida o espectador a refletir sobre existência, percepção e os ciclos de nascimento e morte.

Com direção artística de Valeska Vaishnavi, a obra reúne os intérpretes-criadores Pedro Soares, Roh Witch e Daniela Brasil e transita por diferentes referências corporais. Depois da estreia na abertura da Mostra Giro Dança, no Teatro Goiânia, VÉU participou, em 2025, do Festival Internacional de Dança de Goiás e foi selecionado para a Mostra Internacional de Dança de São Paulo (MID-SP), realizada no Teatro do Itaú Cultural.

Dez anos de uma companhia goiana

Em 2026, a Nalini chega aos dez anos ampliando uma trajetória construída a partir da pesquisa em dança contemporânea, da circulação de seus trabalhos e do interesse por diferentes possibilidades de criação do corpo.

“Celebrar os dez anos da Nalini levando esse projeto para diferentes regiões do Brasil tem um significado muito especial. Acreditamos que a dança nasce do encontro e que cada corpo carrega uma história, um território e uma forma única de existir. ‘Corpo, Território e Diferença’ é um convite para que artistas e público compartilhem essas experiências, reconhecendo a diversidade como potência criativa e a acessibilidade como parte essencial da arte. Queremos que essa circulação seja, acima de tudo, um espaço de troca, de escuta e de afeto”, destaca Valeska Vaishnavi, diretora artística da companhia.

A proposta dialoga diretamente com os princípios do Circuito Klauss Vianna, que estimula a circulação de espetáculos e o intercâmbio entre artistas de diferentes localidades como formas de ampliar o acesso à dança e fortalecer redes criativas no país.

Com todas as atividades gratuitas, “Corpo, Território e Diferença” transforma a própria ideia de circulação em matéria artística: ao atravessar diferentes regiões do Brasil, a Nalini não leva apenas seus espetáculos, mas se abre também para aquilo que cada território, artista e público pode devolver à companhia. Um percurso em que diferenças de corpos, experiências e linguagens deixam de ocupar as margens para se tornarem justamente o centro do encontro.

SERVIÇO:
Projeto “Corpo, Território e Diferença” – Nalini Cia de Dança
Belém (PA): data a confirmar
Florianópolis (SC): 25 a 29 de agosto de 2026
Natal (RN): 8 a 13 de setembro de 2026
Entrada gratuita


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Ana Paula Mota
Autor: Ana Paula Mota

Ana Paula Mota é produtora cultural do Instituto Federal de Goiás (Câmpus Aparecida de Goiânia) desde 2013. Também é comunicadora, graduada em Comunicação Social pela UFG (2000) e especialista em Tecnologias na Aprendizagem, pelo SENAC (2015). Há quase 30 anos colabora com projetos culturais goianos, seja como produtora cultural ou como assessora de imprensa. Foi produtora artística e cultural da Quasar Cia de Dança entre 1997 e 2010. Na Lumieira, está à frente da assessoria de imprensa de projetos culturais.

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