‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ entende Peter Parker, mas não confia no público

Dirigido por Destin Daniel Cretton, o filme entende quem é Peter Parker sob a máscara, mas não confia o suficiente na própria mensagem

'Homem-Aranha Um Novo Dia' entende Peter Parker, mas não confia no público

Homem-Aranha: Um Novo Dia, dirigido por Destin Daniel Cretton (Shang-Chi), marca a volta de Peter Parker (Tom Holland) aos cinemas e, dessa vez, lidando com o peso da máscara do herói.

O filme se passa quatro anos após os eventos de seu antecessor e acompanha o protagonista exercendo seu papel de herói e lidando com as consequências do esquecimento geral de quem é Peter Parker, o que torna o personagem solitário.

A maior força do filme está justamente em abordar a “dupla identidade” do personagem, que tem como conflito principal a percepção dissociada entre Peter e Homem-Aranha, priorizando a segunda.

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O protagonista acompanha a vida de seus antigos amigos, Michelle Jones (Zendaya) e Ned Leeds (Jacob Batalon), pelo Instagram, e os vê concretizando planos feitos com Peter no passado — tempo em que ele se ocupa na maior parte da trama.

Os únicos momentos de conexão humana vividos pelo personagem são mediados pela persona de Homem-Aranha, com outros personagens conhecidos da Marvel, como o Justiceiro (Jon Bernthal) e o Hulk (Mark Ruffalo), que, inclusive, foram bem utilizados, fugindo de um uso óbvio baseado unicamente no fanservice e na espetacularização que, sinceramente, já me cansaram.

Essa máscara serve, de forma explícita e até exagerada, como metáfora à blindagem que o personagem cria para evitar novas conexões e elaborar os eventos do passado. Jean Grey (Sadie Sink), a antagonista em grande parte do filme, cujo poder é a telepatia, é introduzida como oposição e reforço à condição de Peter, o único personagem que não é afetado por seus poderes, e não consegue ser permeável.

Em contrapartida, a execução dessa ideia, a princípio muito boa, peca pela falta de confiança na mensagem que se quer passar, ou até mesmo por subestimar o público. A ideia central do filme é que é preciso integrar nossos diversos lados e sentimentos, e não se identificar excessivamente com as Personas que evocamos.

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Nisso, o filme é previsível desde o início e está lotado de diálogos muito expositivos sobre o rumo a ser tomado, em momentos que Peter vive a repetida e exaustiva questão ligada ao herói (inclusive abordada em Homem-Aranha 3, de Sam Raimi): quais são os limites entre Peter Parker e Homem-Aranha? A sensibilidade para tratar isso, porém, falta, e no fim das contas o filme dá a entender que até mesmo os eventos do filme anterior têm “solução”, prenunciando um mais do mesmo.

Outro desagrado é a direção de arte que, em muitos momentos, tende ao artificial. Nova Iorque é uma cidade movimentada, e é ideal que seja, mas aqui destoa muito dos outros filmes do herói e soa “sem alma”, com diversos momentos parecendo até ter sido gerados por inteligência artificial.

O filme, em geral, é competente, mas infelizmente sofre de muitas limitações e do forte esgotamento que a Marvel faz de suas histórias que deram certo comercialmente.


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Autor: Gabriel Dias

Gabriel Dias é estudante de Jornalismo na UFG, repórter, gamer e apreciador da sétima arte. Além de ser jornalista, ama profundamente estudar filosofia; afinal, sempre foi extremamente curioso com o mundo à sua volta. Por fim, pensa que a beleza da existência está na simplicidade e nas conexões que nos fazem humanos. Contatos: [email protected] / @gabrieldiasjornal.

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