Concessionária do Aeroporto de Goiânia e de outros 19 brasileiros é vendida por R$ 11,5 bi à gigante mexicana

Motiva confirmou a venda de toda a sua plataforma de aeroportos para a Aeropuerto de Cancún, S.A. de C.V., subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste, S.A.B. de C.V.

Aeroporto Santa Genoveva fará parte de conglomerado mexicano (Foto: Divulgação)

A Motiva confirmou a venda de toda a sua plataforma de aeroportos para a Aeropuerto de Cancún, S.A. de C.V., subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste, S.A.B. de C.V., em anúncio feito em território brasileiro. O acordo inclui o Aeroporto Internacional Santa Genoveva, de Goiânia, e envolve ativos operados pela companhia em diferentes países da América Latina.

A operação não altera o funcionamento dos terminais. A Motiva continuará na gestão por alguns meses, mantendo equipes, contratos e rotinas até a formalização da transferência. A expectativa é que o processo seja concluído em 2026, após a aprovação do poder concedente e das autoridades de concorrência.

O pacote de venda referente aos 20 aeroportos, incluindo o de Goiânia, foi fechado por R$ 11,5 bilhões, composto por R$ 5 bilhões em equity referente às participações acionárias e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas. O negócio prevê a venda de todas as ações da Motiva na CPC Holding, empresa que reúne as cotas dos terminais de embarque controlados pela Companhia.

A Motiva Aeroportos, agora adquirida integralmente pela ASUR, contabiliza movimentação anual de 47 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. Nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025, a área de aeroportos registrou Receita Líquida de R$ 2,5 bilhões e EBITDA de R$ 1,3 bilhão, com margem de 51%. Foram movimentadas ainda 524 mil toneladas de carga.

Estratégia de simplificação e foco em mobilidade

A venda do Aeroporto de Goiânia e dos outros 19 marca um passo relevante na reorganização do portfólio prevista no plano estratégico Ambição 2035, que prioriza crescimento sustentável e eficiência operacional. O movimento realoca recursos para áreas consideradas prioritárias pela Motiva.

“Ao avançarmos na reciclagem de capital e simplificarmos o nosso portfólio, ampliamos a nossa capacidade de investimento nos segmentos estratégicos para nossa companhia, em especial de rodovias e trilhos. Esta transação, de alta relevância para a execução de nosso Plano Estratégico Ambição 2035, vai destravar valor em nosso portfólio e simplificar nosso modelo de negócio, fortalecendo a nossa posição para liderarmos o futuro da mobilidade no Brasil,” afirmou o CEO da Motiva, Miguel Setas.

A Motiva é a maior empresa brasileira de infraestrutura de mobilidade e reúne 39 ativos distribuídos por 13 estados, empregando mais de 16 mil colaboradores. Administra 4.475 quilômetros de rodovias, com média diária de 3,6 mil atendimentos.

Na área de trilhos, opera metrôs, trens e VLT que transportam anualmente setecentos e cinquenta milhões de passageiros. Já na antiga plataforma de aeroportos, presente no Brasil e no exterior, atendia cerca de quarenta e cinco milhões de clientes por ano. A empresa é reconhecida por ter sido a primeira do país a integrar o Novo Mercado e está há quatorze anos no índice de sustentabilidade da B3.

Aeroporto Santa Genoveva: importância na malha de distribuição

Desde março de 2022, a Motiva afirma ter direcionado cerca de R$ 65 milhões para obras de infraestrutura no Santa Genoveva. O terminal vem registrando recordes de movimentação e inaugurou recentemente o primeiro Terminal de Cargas totalmente refrigerado do país, reforçando sua relevância logística.

Com o avanço da demanda, foram realizadas melhorias como a ampliação da sala de embarque remota e o aumento superior a 40% na oferta de lojas e serviços. Para a empresa, o crescimento está diretamente ligado à localização estratégica do aeroporto, ao fortalecimento do turismo em Goiás, ao bom desempenho da economia estadual e à expansão da malha aérea.

A Motiva ressalta que continuará responsável pela administração do terminal pelos “próximos meses”, sem alterações operacionais, enquanto o processo passa pela avaliação dos órgãos de defesa da concorrência. A expectativa é que a transação seja oficialmente concluída em 2026.

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Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

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