A violência contra a mulher é uma realidade persistente que atravessa corpos, territórios e histórias. Diante desse cenário, pensar em estratégias de redução de danos não é apenas necessário — é urgente. Reduzir danos significa acolher, escutar e criar caminhos possíveis de cuidado e reconstrução, mesmo em contextos adversos.
As linguagens artísticas têm se mostrado ferramentas potentes nesse processo. A música, a dança, o teatro, a poesia e as artes visuais abrem espaços de expressão onde muitas vezes a palavra não alcança. Por meio da arte, mulheres encontram formas de narrar suas dores, ressignificar suas vivências e reconstruir sua autoestima. O fazer artístico coletivo fortalece vínculos, cria redes de apoio e rompe o isolamento que a violência costuma impor.
Nesse sentido, o artivismo — a junção entre arte e ativismo — surge como um caminho transformador. Ao mesmo tempo em que promove processos de cura individual e coletiva, também denuncia desigualdades e provoca reflexões sociais. O tambor, o canto e o corpo em movimento tornam-se instrumentos de resistência e afirmação da vida.
A cultura popular, em especial, carrega saberes ancestrais que nos ensinam sobre comunidade, pertencimento e cuidado. Ao valorizar essas práticas, ampliamos as possibilidades de enfrentamento à violência, construindo estratégias que dialogam com a realidade das mulheres em seus territórios.
Falar em redução de danos no contexto da violência feminina é reconhecer que cada passo importa. A arte não substitui políticas públicas, mas pode caminhar junto a elas, fortalecendo subjetividades e abrindo caminhos de transformação.
Que possamos seguir criando, tocando, cantando e dançando — não apenas como expressão estética, mas como ato político, como gesto de cuidado e como construção de novos futuros possíveis.
Por Mestra Geovanna de Castro (Coró Mulher)
Percussionista, educadora e Mestra da Cultura Popular
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